Thursday, November 11, 2004



Quinta, 11 de novembro, 2004

   Episódio 3: A revolta das marmotas

Invenção de hoje no UOL:
"Fallujah prova que os EUA fracassam no Iraque"

Título original da matéria do NY Times:
"'Groundhog Day' in Iraq"

Para quem não sabe, Groundhog Day é uma tradição americana aonde uma marmota (chamada 'Phil') faz uma 'previsão' se o inverno vai ser curto ou longo. É também o nome de um filme com o Bill Murray (traduzido como 'Feitiço do Tempo' eu acho) aonde ele fica preso no Groundhog Day até achar um sentido para vida dele. Parece que o Friedman se refere justamente ao filme, já que ele acaba o artigo dizendo "This time, let no one claim victory, or defeat, in Iraq until we have the answers to these six questions."

Enfim, a manipulação continua. Nenhuma novidade.

Wednesday, November 10, 2004



Quarta, 10 de novembro, 2004

   Parece brincadeira

Continuando a série "realidade alternativa":

Manchete de hoje no UOL:
"Crescem teorias de que fraudes reelegeram Bush"

Manchete original do mesmo artigo no Boston Globe:
"Internet buzz on vote fraud is dismissed"

A minha pergunta é a seguinte: como é que isso é permitido? Será que não existe algum tipo de lei que proíba esse tipo de desonestidade com os leitores? Fraude? Copyright? Something??

Eu sei que já devia ter me acustumado, mas não tem jeito. É revoltante.

Tuesday, November 09, 2004



Terça, 9 de novembro, 2004

   A verdadeira terra da ignorância

Como diz um Professor conhecido meu, "Facts are facts. Perception is reality."

Quando eu digo aos meus amigos brasileiros que não é possível se informar sobre os EUA pela imprensa brasileira muitos acham que eu estou exagerando.

Mais um exemplo para provar meu ponto:

Na primeira página do UOL, uma das manchetes diz "Bush venceu devido à ignorância dos americanos". O link é para um editorial do NY Times. Achei meio estranho e fui procurar o artigo no site original. O título em ingles é: "Voting Without the Facts".

Porquê isso? O resto do texto parece traduzido normalmente, então porquê eles inventaram esse título que simplesmente não tem nada a ver com o original?

Simplesmente porquê o conteúdo do NY Times no UOL é pago. A maioria das pessoas vão ver a manchete, ver que a matéria é do NY Times (o que passa credibilidade) e pronto. Perception has become reality my friend. E tudo isso no maior site da América Latina.

O brasileiro simplesmente não tem opção. Os americanos que leram esse texto no site do NY Times (que aliás é de graça), tem alí mesmo na página de editoriais algumas opiniões opostas. Apesar do bias do Times, o leitor tem pelo menos a chance de formar sua própria opinião.

Qual é o contraponto que o brasileiro recebe? Isso aqui???

É por essas e outras que não é possível ser realmente informado atualmente sem saber pelo menos ler inglês. É a unica saída. And that's a fact.

Monday, November 08, 2004



Segunda, 8 de novembro, 2004

   O fator decisivo

Passada a revolta inicial pela derrota do Kerry, a imprensa vai aos poucos maneirando o discurso e a realmente procurar os motivos da vitória do Bush.

Certos fatos parecem claros:
-A porcentagem de votos "morais" de agora foi praticamente a mesma de 2000.
-A economia está quase que completamente recuperada, e o resultado de Ohio (um dos mais atingidos pela crise de 2001) mostra que não foi um fator maior.
-As diferenças ideológicas entre os candidatos são exatamente as mesmas.

O que parece mais evidente é que a guerra ao terrorismo, apesar de não ser o único, foi o fator mais decisivo. Nada mais lógico. Comparando a situação de 2000 com a atual, é a maior mudança.

Toda essa polêmica sobre casamento gay é quase que uma tempestade artificial. O próprio Kerry se dizia contra, e a grande maioria da opinião pública é contra. Tanto que o Oregon, que votou democrata, passou a emenda que define casamento como sendo a união de um homem e uma mulher.

Enfim, toda essa história de que o voto moral ganhou a eleição é puro marketing. Para os democratas, admitir que foram vencidos por algo tão vago (e irracional para muitos) como a religião é muito mais nobre do que admitir a derrota na luta contra o terrorismo. E no mais, esse discurso de que "a direita religiosa" é a culpada encaixa melhor no movimento Anti-Bush que comecou em 2000 com a confusão na Flórida.

Pessoalmente, acho que os democratas continuam errando. Todos esses ataques contra o Bush criaram um backlash que no fim das contas prejudicou ainda mais o Kerry. Até acredito que internamente eles entendam tudo isso, mas preferem espalhar para o povão a teoria de que o Bush é o culpado pelos problemas do mundo. Como bem mostra esse texto, (via LLL, num breve momento de pausa na sua estranha cruzada pró-Kerry), acho que o tiro pode sair pela culatra. De novo.

Friday, November 05, 2004



Sexta, 5 de novembro, 2004

   Impostos nos EUA

Estudar a história do sistema de impostos é uma ótima maneira de compreender a evolução dos EUA. Desde as raízes do capitalismo e livre iniciativa, passando pelo dueto guerra/impostos, até os dias de hoje aonde o governo alterna entre grande e enorme, fica claro que a intenção dos "founding fathers" nunca foi essa sociedade atual. Como bem descreveu Thomas Jefferson:

"To take from one, because it is thought his own industry and that of his father has acquired too much, in order to spare to others who (or whose fathers) have not exercised equal industry and skill, is to violate arbitrarily the first principle of association, to guarantee to everyone a free exercise of his industry and the fruits acquired by it."

Até 1913 o governo federal não cobrava impostos sobre salários (com pequenos períodos de exceção). Tudo mudou depois da Primeira Guerra mundial, e principalmente depois da crise de 1929. Esse período, de aumento de programas socias (e consequentemente de impostos) é também o período de estagnação econômica e fortes crises, como o ápice na década de 70.

A tendência virou para o outro lado com o governo Reagan, e ganhou novo impulso com Bush. Os ganhos econômicos dessa época, principalmente quando comparados com os outros países ricos, é um dos maiores motivos da subida dos Republicanos ao poder.

Uma das propostas do atual presidente é efetivar permanentemente os cortes de impostos dos últimos 4 anos. Outra é simplificar o código de impostos, que com o tempo se transformou num emaranhado de tecnicalidades e buracos.

Para que tudo isso funcione, é preciso também que os gastos sejam cortados. Essa é a parte mais difícil. Financiar o governo com deficits é totalmente inviável.

Mas cortar gastos significa menos poder para o governo federal, e convencer alguém que tem poder a abdicar o mesmo é o maior desafio de qualquer governo democrático.

O governo Bush fez bem uma metade do trabalho, mas foi péssimo na outra. É esperar que agora as coisas melhorem. Pelo menos existe uma chance. Se o Kerry tivesse sido eleito, nem isso teríamos.

Thursday, November 04, 2004



Quinta, 4 de novembro, 2004

   Sobre a divisão dos votos

Toda essa discussão sobre estados azuis e vermelhos desvia a atenção do fato de que quase todos os estados tiveram resultados equilibrados. Isso significa milhões de republicanos nos estados azuis, e milhões de democratas nos estados vermelhos.

Por exemplo:
New York teve 40% de votos Republicanos (2.7 milhões de votos)
California teve 44%(!) de votos Republicanos (4.4 milhões de votos)
Illinois teve 45% de votos Republicanos (2.3 milhões de votos)

E do outro lado:
Texas teve 38% de votos Democratas (2.8 milhões de votos)
Carolina do Norte teve 43% de votos Democratas (1.5 milhões de votos)
Virginia teve 45% de votos Democratas (1.4 milhões de votos)
Tennessee teve 42% de votos Democratas (1 milhão de votos)

Claro que a falácia de que os inteligentes votaram de um lado e os ignorantes do outro pode ser aplicada de qualquer forma, mas os números mostram o quão ilógica é essa noção de que o grupinho do sul é de um jeito e o do norte é completamente o oposto.

Enfim, just another FYI.

Wednesday, November 03, 2004



Quinta, 4 de novembro, 2004

   Condescendência

William Saletan, da Slate, escreveu hoje que o segredo do sucesso do Bush é baseado na "simplicidade" (leia-se simplismo) da sua mensagem. Ele continua dizendo basicamente que Kerry perdeu porque é inteligente e eleborado demais, e que da próxima vez os democratas devem procurar alguem mais populista, como o Edwards, para combater os republicanos.

Achei uma bobagem a idéia toda e deixei para lá. Porém, logo depois descobri que o LLL e o David tinham embarcado na mesma onda.

Então vamos ver se eu entendi bem: Mais de 59 milhões de americanos, de todas idades, níveis sociais e econômicos, votaram somente em quem acham mais simplista, e/ou em quem segue os seus princípios religiosos, enquanto os outros 55.5 milhões votaram com inteligência e bom senso?

É o cúmulo do estereótipo. Pior, é um abuso de condescendência, claramente definida nesse argumento do Saletan de que os democratas precisam "dumb it down" para ganhar a próxima eleição. That's how those ignorant Republicans are doing it!

Oras, quer dizer que Clinton era um idiota simplista? E aonde estavam esses fanáticos religiosos, esse bloco político super-poderoso, quando esse mesmo malandro ganhou duas vezes seguidas?

Esse tipo de teoria panfletária de que os Republicanos (ou o "americano médio" como li por outros cantos) são os ignorantes-religiosos-rednecks realmente é pífia.

Primeiro, não vou discutir o valor dessa associação de religião com ignorância. Não sou religioso, mas sei o bastante para saber que não sei o bastante. Segundo, posso garantir pela minha experiência pessoal que essa divisão intelectual não existe. Eu moro num Estado vermelho. Muitas das pessoas mais brilhantes que já trabalharam comigo são republicanas, algumas religiosas, outras não. E mesmo eu não sendo Republicano de carteirinha, apoiei o Bush nas duas eleições. E posso ser muita coisa, mas burro eu não sou. Nem de longe.

E para quem não quer acreditar em mim, que tal dar uma olhada com calma no mapa eleitoral dos EUA? Será que esse mundo vermelho, que cobre mais de 70% do País mais rico e avançado do mundo, da Flórida ao Alaska, é somente um bando de atrasados que deu certo somente por causa dessa minoria esclarecida azul?

I don't think so.



Quarta, 3 de novembro, 2004

   Oh, the Humanity!

Quem sou eu para saber mais que todos pundits, advogados e especialistas metidos nessa nova confusão... Mas sinceramente, duvido que o resultado de Ohio, e consequentemente da eleição, seja mudado.

São mais de 120 mil votos de vantagem em Ohio, e mesmo que as cédulas temporárias sejam muito numerosas, a vantagem democrata teria que ser enorme (mais ou menos 75%) para que o resultado mudasse. E diferente da crença popular, esses votos não são geralmente democratas. Tendem a seguir a mesma proporção do resto do estado, com pequenas variações.

No fim das contas, Bush vai levar essa, e de uma maneira decisiva: 3.5 milhões de vantagem no voto popular, e com Ohio, New Mexico e Iowa, 290 votos no colégio eleitoral. Muito maior do que 2000. Na verdade, a maior semelhança entre 2000 e 2004 é o vencedor. Não temos nenhum estado com 500 votos de diferença dessa vez.

Aliás, Bush se tornou o presidente a receber o maior número de votos da história americana.

O mais interessante disso tudo é a atitude democrata. O mantra de que "todos votos devem ser contados" é usado como escudo para qualquer coisa. Como se a norma fosse contar somente votos republicanos. Toda aquela história de que um número maior de votos ajudaria os democratas dessa vez, ou de que os votos dos jovens faria a diferença, foi tudo pela janela.

Quem diria que existiam tantos republicanos entre os que não votavam? Oh, the Humanity!

Enfim, o carnaval continua. É so olhar as manchetes dos jornais para perceber o tom da imprensa: "Presidente Bush parece ter ganho. Mas continuamos procurando votos para mudar isso!"

Ouvi ontem que o Michael Moore tinha enviado centenas de empregados seus com câmeras para fiscalizar as urnas de Ohio. Podem esperar enormes documentários sobre como pobres sem documentos não puderam votar, como os computadores quebraram mais nas seções democratas, como Bin Laden deu uma festa para celebrar a vitória de Bush, etc.

Same old, same old.

Será que os Republicanos não fariam o mesmo? Não sei. Só sei que o povo já deu seu veredicto. Agora é só esperar.

Sunday, October 31, 2004



Domingo, 31 de outubro, 2004

   Previsão esportiva

Desde 1936, a tradição diz que quando os Redskins (time de futebol americano de Washington DC) ganham o seu último jogo em casa antes das eleições, o presidente buscando segundo termo vence. Quando os Redskins perdem, o desafiante vence.

Placar do jogo de hoje: Washington Redskins 14 x 28 Green Bay Packers.

Saturday, October 30, 2004



Sábado, 29 de outubro, 2004

   Jane Galt

É sempre bom achar um texto que diga o que você queria dizer.

Essa explicação da Jane Galt (do ótimo Asymmetrical Information) do porquê ela apoia o Bush bate quase 100% com os meus motivos. E serve bem para responder os comentários sobre o meu post anterior, especialmente sobre a economia e a guerra do Iraque.

Vale a pena conferir.

Friday, October 29, 2004



Sexta, 29 de outubro, 2004

   Economist apoia Kerry

A surpresa maior desse apoio da Economist ao Kerry (via no mínimo) não foi ao meu ver o fato de que a revista foi a favor da guerra e agora apoia um candidato que é inconsistente sobre o que se fazer com o Iraque (como bem explica o Michael Young).

A maior surpresa é que a Economist, diferente do que o nome leva a pensar, não levou a economia muito em conta.

Claro que existem muitos fatos contra o Bush na área econômica: Ele aumentou o tamanho do governo, fez pouco pelo aumento do free trade pelo mundo, e até mesmo brincou com uma medida protecionista aqui e ali.

Mas diante do que Kerry propõe, principalmente no campo internacional (o infame "level the playfield") eu acho que Bush não é somente a opção menos ruim: Ele é a única opção. A escolha do Edwards para vice não foi por acaso, e deveria deixar bem claro que Kerry não é nenhum Clinton.

Irônicamente, a Slate mostra um exemplo contrário a da Economist (via LLL). O economista Steven Landsburg, que se considera politicamente de esquerda, vai apoiar Bush. Nas palavras de Landsburg:

"If George Bush had chosen the racist David Duke as a running mate, I'd have voted against him, almost without regard to any other issue. Instead, John Kerry chose the xenophobe John Edwards as a running mate. I will therefore vote against John Kerry…

Duke thinks it's imperative to protect white jobs from black competition. Edwards thinks it's imperative to protect American jobs from foreign competition. There's not a dime's worth of moral difference there. While Duke would discriminate on the arbitrary basis of skin color, Edwards would discriminate on the arbitrary basis of birthplace. Either way, bigotry is bigotry, and appeals to base instincts should always be repudiated
."

Enfim, é preciso lembrar que apesar dos mil defeitos de Bush, Kerry não é automaticamente uma solução para os mesmos. Pode ser um daqueles casos em que o remédio acaba fazendo mais estragos que a doença original...

Monday, October 25, 2004



Segunda, 25 de outubro, 2004

   Minha previsão

Faltando uma semana para a eleição, aqui vai meu chute:

Bush vence no colégio eleitoral: 271 x 267. Ele ganha novamente na Flórida, mas dessa vez a surpresa será Iowa e Winsconsin indo para os Republicanos. Kerry levará Ohio e Pennsylvania. O voto popular será muito, muito próximo, mas dessa vez o Bush leva por uma pequena vantagem.

Para quem quiser dar uma de palpiteiro como eu, confira o 'Electoral Vote Tracker' do LA Times. Você pode mudar a cor dos Estados como bem entender, e ver quem vence nos diversos cenários. Com direito a musiquinha da vitória e tudo.

Façam suas apostas.

Wednesday, October 20, 2004



Quarta, 20 de outubro, 2004

   no mínimo e as eleições dos EUA

O no mínimo lançou esse blog especial das eleições americanas, e ficou bem legal.

O Pedro (autor do blog) anda partidário demais para o meu gosto, but hey, ele pode dizer exatamente o mesmo sobre mim. No fim das contas, as diferenças é que fazem o debate interessante, e apesar de estar altamente outnumbered eu ponho uma briga boa.

Não deixem de conferir.

Friday, October 15, 2004



Sexta, 15 de outubro, 2004

   Percepções e a realidade

Analisando resultados anteriores, o Gallup conclui nesse artigo que debates nem sempre influenciam as eleições.

Mas será que os resultados dos debates simplesmente não importam ou será que esses resultados não estão sendo compreendidos ou medidos corretamente?

Por exemplo, a pesquisa "relâmpago" feita pela CNN/USA Today/Gallup especificamente sobre quem venceu o terceiro debate deu vitória do Kerry por 52%/39%. Mas as pesquisas sobre intenção de voto feitas logo após o terceiro debate mostram o Bush subindo: a Zogby mostra o Bush subindo 4 pontos, o TIPP mostra o Bush subindo 3 pontos, e a ABC/Washington Post mostra empate, mas com Kerry perdendo um ponto.

A mesma situação ocorreu após o segundo debate, apesar da maioria das pesquisas sobre o debate mostrarem um empate.

Como é que um candidato pode ter ganho o debate e perdido intenções de voto?

O que eu acho é que a maneira que esses debates vem sendo analisados é ilusória. A importância desproporcional dada a retórica, aparência e estilo é uma criação da imprensa. Obviamente, a influência da imprensa é grande e as pesquisas tendem a julgar quem ganhou os debates baseado nessas premissas. Mas quando chega na hora de responder a simples questão "Em quem você vai votar", a maioria das pessoas simplesmente ignora tudo isso.

E é por isso que as pesquisas não batem. Os debates valem, e isso fica claro pela mudança nos números de intenção de voto. Mas o que não importa muito é a maneira como a imprensa insiste em julgar os resultados! O que acaba influenciando os eleitores são as propostas e idéias apresentadas no debate.

E é assim que as coisas devem ser, não é mesmo?

Wednesday, October 13, 2004



Quarta, 13 de outubro, 2004

   Sistema eleitoral americano


Desde a vitória do Bush em 2000, o sistema de votos por estado virou um alvo fácil da imprensa daqui.

Mas será que esse sistema é tão injusto assim?

A situação de 2000, aonde o voto popular foi diferente do total por estados é realmente um problema. Mas é um problema bem raro. E quando se considera a idéia por trás dos votos eleitorais por estado, que é diluir pelo menos em parte o poder de centros urbanos super-populosos, o sistema funcionou.

A questão é: Será que é justo deixar que New York e LA, por exemplo, praticamente decidam as eleições de um país tão grande? Ao mesmo tempo, será que essa super atenção (leia-se recursos durante e depois das campanhas) dada a certos "swing states" é realmente justa com o resto do país?

Difícil de saber. O certo é que o problema não tem solução perfeita, e mudar uma tradição dessas não é nada fácil.

Sunday, October 10, 2004



Domingo, 10 de outubro, 2004

   Hummmm...



"From The Wall Street Journal: Iraq Amnesia.

[Saddam] instituted an epic bribery scheme aimed primarily at three of the five permanent members of the U.N. Security Council, with the intent of having them help lift those sanctions.
"Saddam personally approved and removed all names of voucher recipients," under the Oil for Food program, Mr. Duelfer writes. Alleged beneficiaries of such bribes include individuals in China, as well as some with close ties to Russian President Vladimir Putin and French President Jacques Chirac
."

Isso ainda vai dar um rolo...

Saturday, October 09, 2004



Sábado, 9 de outubro, 2004

   Bush vs Kerry: Round 2

A percepção pública desses debates é imprevisivel. Lembro que ja tinha achado a mesma coisa em 2000, mas dessa vez a situação é pior ainda.

O problema é que eu tendo a analisar o conteúdo do que é dito, e não quem é mais alto, quem apontou mais para o nariz do outro, quem fez mais caretas, ou qual gravata estava mais alinhada.

O peso exagerado dado a esse lado estético do debate me incomoda, e é a única explicação que eu acho para minha opinião ser tão diferente da maioria.

Quem esperava que o Bush fosse um primor de eloquência nesses debates pode ficar esperando. It's just not happening. Muitos podem argumentar que essa seria uma característica imprescindível para um político, mas o fato é que o Bush sempre foi desse jeito.

De acordo com o Gallup, o debate de ontem foi um empate. Porém, entre os independentes, o Kerry venceu por 53 x 37.

O que eu posso falar? Eu não acho que o Bush foi mal no primeiro debate, e acho que ontem ele foi bem melhor.

O que importa se o Kerry pareceu "Presidencial"??? Você tem um cara que propõe um plano de saúde federal universal, uma das propostas mais caras de toda história e que aumentaria o tamanho do governo em proporções gigantescas, ao mesmo tempo que promete cortar impostos, aumentar o tamanho do exército, diminuir o enorme déficit pela metade em quatro anos, etc, etc. Na minha opinião, não existe retórica que faça esses absurdos soarem menos absurdos do que são.

Obviamente o Bush tem seus defeitos. A guerra no Iraque foi altamente arriscada, a diplomacia internacional fraquíssima, o controle dos gastos internos deveria ter sido muito melhor, e as iniciativas ambientais são muito poucas e falhas.

E eu não tenho nada pessoal contra o Kerry. Acho que ele seria um presidente muito melhor que o Al Gore, por exemplo.

Mas será que ninguém percebe o absurdo dessas propostas que ele usou nos debates?

Qual é a real diferença do plano dele para o Iraque? E a proposta de lidar individualmente com a Coréia do Norte??? Como é que os liberais e o pessoal dos países em desenvolvimento não se revoltam com as propostas altamente protecionistas (o infame argumento de "leveling the playfield")???

Enfim, eu desisto de tentar tirar alguma conclusão lógica desses debates. A bronca pessoal contra o Bush parece sobrepujar qualquer tipo de argumento racional.

Wednesday, October 06, 2004



Quinta, 7 de outubro, 2004

   FactCheck e o debate dos VPs

Eu tinha descoberto o FactCheck no começo da campanha americana, em Abril. O site é bom, e expõe as distorções dos dois lados (que não são poucas). Por isso mesmo, fiquei surpreso quando o Cheny citou o site quando se defendia das usuais críticas relacionadas à Halliburton.

A repercução foi grande, e o FactCheck organizou uma página que detalha os "erros" do debate dos VPs. Como já era de se esperar, os dois lados enrolaram.

Entretanto, esse tipo de iniciativa não acaba com as acusações de sempre que só um lado distorce os fatos. Para isso, vale até mesmo distorcer o próprio FactCheck(!) e citar somente as partes que interessam.

Como a mídia é na grande maioria pró-Kerry, o Cheney pagou o pato. Até o fato dele ter citado a URL errada, obviamente sem intenção, foi tratado como 'erro grave'.

Mas o pior mesmo são as manipulações. O Washington Post é um bom exemplo, a NPR também, e até mesmo o Pedro, do no mínimo | Weblog, que geralmente é justo, caiu nessa.

No fim das contas, os fatos não parecem importar tanto assim.

Monday, October 04, 2004



Terça, 5 de outubro, 2004

   Remando contra a maré (e quase se afogando)

Uma das maiores vantagens da globalização é que os governos tem menos poder para esconder as consequências de suas idéias estúpidas. O mercado quase sempre acha uma maneira de deixar bem claro quem ganha e quem perde com uma determinada situação.

O protecionismo, juntamente com o nível absurdo de impostos, são as duas maiores causas para a nossa economia não se desenvolver como poderia. Enquanto o governo brasileiro continuar com essa teoria mercantilista de exportar matéria prima e não facilitar importação de produtos industrializados, continuaremos sendo somente um fazendão de terceiro mundo. Podemos até organizar um pouquinho melhor o fazendão aqui e ali, mas não passaremos disso nunca.

Com outros países em desenvolvimento aos poucos acordando para essa realidade, a situação só tende a piorar.

Esse exemplo das empresas brasileiras se mudando para o Chile e o México é tão claro, tão didático, que deveria ser suficiente para o Celso Amorim pedir demissão imediatamente. Mas quanta pretensão minha! O super Amorim acha que exportar empregos (e ainda ter de importar os produtos dessas empresas por um preço muito mais alto depois) é bom.

Pure genius. Prá frente Brasil!!!

Friday, October 01, 2004



Sexta, 1 de outubro, 2004

   Bush vs Kerry: Round 1

Finalmente alguma emoção! Apesar dos pesares, acho que o debate foi melhor do que eu esperava. As pesquisas de opinião, como o Focus Group e Gallup mostram que Kerry foi melhor.

Acho que o debate teve dois periodos distintos. Nos primeiros 40-45 minutos, achei que o Bush foi melhor. O Kerry insistiu em trazer o Vietnã na conversa, estava visivelmente nervoso, e continuava não sendo claro sobre seu plano para o Iraque. O Bush foi como sempre: pouco articulado, mas claro e objetivo.

Na segunda parte do debate, o Kerry acordou. Finalmente deixou a polêmica das WMDs e Vietnã de lado, e começou a focalizar no seu ponto mais forte, que é a promessa de fazer um trabalho melhor no Iraque (apesar de não definir bem como) e usar sua experiência internacional para trazer mais boa vontade dos aliados.

O 'delivery' do Kerry nessa parte final foi melhor que o de custume, e o Bush se mostrou claramente cansado e irritado. Apesar de conseguir rebater a maioria das acusações do Kerry, Bush repetiu muitas vezes as mesmas respostas ("don't send mixed signals", "That will never work") e deixou algumas oportunidades passarem batidas.

No fim das contas, minha opinião pessoal não bate com a da maioria. Acho que o "primeiro tempo" do Bush foi melhor do que o segundo do Kerry. No máximo um empate. Além disso, os argumentos não foram novidade, e o fato do Bush não ir bem em qualquer tipo de discurso público é conhecido (ele perdeu 2 dos 3 debates contra o Gore).

As pesquisas antes do debate mostravam Bush liderando por 8 pontos. Se tivesse vencido esse primeiro debate de maneira decisiva, a eleição estaria praticamente decidida. Do jeito que foi, tudo continua no ar.

Kerry precisa vencer de forma mais decisiva os próximos 2 debates, especialmente o último.