Sunday, March 05, 2006

Tax cuts for the rich. But of course!

Uma imagem vale mais do que mil reportagens tendenciosas:



E tem mais:
The top 50% were those individuals or couples filing jointly who earned $29,019 and up in 2003. (The top 1% earned $295,495-plus.)

The top 1% pay over a third, 34.27% of all income taxes. (Up from 2003: 33.71%) The top 5% pay 54.36% of all income taxes (Up from 2002: 53.80%). The top 10% pay 65.84% (Up from 2002: 65.73%). The top 25% pay 83.88% (Down from 2002: 83.90%). The top 50% pay 96.54% (Up from 2002: 96.50%). The bottom 50%? They pay a paltry 3.46% of all income taxes (Down from 2002: 3.50%). The top 1% is paying nearly ten times the federal income taxes than the bottom 50%! And who earns what? The top 1% earns 16.77% of all income (2002: 16.12%). The top 5% earns 31.18% of all the income (2002: 30.55%). The top 10% earns 42.36% of all the income (2002: 41.77%); the top 25% earns 64.86% of all the income (2002: 64.37%) , and the top 50% earns 86.01% (2002: 85.77%) of all the income.

Mais aqui. E antes que os social-anaeróbicos venham babar no meu teclado, o fato de eu linkar o Rush não significa que concordo com tudo que ele fala.

Mas essa ele matou na mosca.

Escola públicas e a liberdade de expressão

Eu já tinha escrito sobre o problema das universidades públicas e professores malucos. Essa semana, uma notícia mostrou que o problema é mais generalizado: uma gravação feita por um aluno, mostra o professor Jay Bennish, professor da Overland High School em Aurora, Colorado, num clássico exemplo de discurso político para os seus alunos do 10th grade (segundo colegial). A aula deveria ser de geografia, mas o tal Jay discursou sobre como os EUA podem ser comparados com a Alemanha nazista, como capitalismo é um sistema cruel e desumano, como Cuba é um país vítima, e por ai vai. A classic loon.

A gravação inteira pode ser ouvida aqui.

O professor foi suspenso, e agora vai processar a escola por "quebra da liberdade de expressão". O aluno que gravou a aula está sofrendo tanta pressão que vai ter que mudar. Uma lose-lose situation.

O problema aqui é claro. Numa escola pública, aonde todos alunos são forçados a aprender tudo de uma fonte única (já que poucas familias podem pagar os impostos e a mensalidade de uma escola particular) a única forma de ser justo com todos é fazer o material de ensino factual e apolítico.

Mas será possível ensinar como o mundo funciona sem demonstrar o que se acha certo e errado? Pior, será que essa é a melhor maneira de se educar crianças?

Se estivessemos falando de uma escola particular, o problema seria bem menos complicado. A escola teria que escolher entre despedir o professor, ou perder os alunos filhos de pais que discordassem do professor. Teriamos certas escolas mais para um lado, e outras para o outro. Pais poderiam mudar filhos de escola facilmente, e professores poderiam escolher aonde procurar emprego.

Problemas como esse do professor lefty, e outros como o do professor transexual, mostram que a idéia de uma escola pública não é compatível com a liberdade de expressão e a liberdade de escolha individual.

Aonde é que isto vai parar?

Friday, March 03, 2006

Governos, ideologias e where the buck really stops

Acho interessante esse argumento do Smart (e de muitos outros, dos dois lados ideológicos) que governos são completamente guiados e restritos por uma lista rigida de regras. E que a única maneira de se compreender de verdade qualquer medida é tentar mapear de volta a regra que originou a mesma.

Tenho que admitir que ess visão conspiratória do mundo é atraente: faz a política bem mais interessante e simples ao mesmo tempo.

Porém, eu acredito que as coisas são mais complicadas e desorganizadas do que esse pessoal acredita.

Eu não vejo problema nenhum em acreditar que o Bush decidiu invadir o Iraque por vários motivos: necessidade imediatista de dar o troco, geopolítica (guiada pelas teorias neoconservadoras e outras), medo da arábia saudita e Irã, etc, etc. Como todos esses fatores influenciaram exatamente na decisão final é dificil dizer. Mas acho muito pouco provável que o Bush tenha consultado “the little red book of neocons” ou ligado para os membros do New Century e dito "olha, vocês estavam certos. Estou me convertendo, podem me mandar a yarmulke e organizar o schedule das invasões."

Uma das grandes vantagens de uma Democracia é justamente a luta de poderes e influências que cerca um governo. Da mesma forma que os neocons podem ter influenciado na decisão de invadir o Iraque, os conservadores clássicos influenciam agora nos pedidos de isolacionismo. Será que se o Bush resolver sair fora do Iraque ele terá se convertido a conservador clássico? Mas como explicar os gastos do governo? Será ele na verdade um democrata wilsoniano? E a religião, como é que fica? Os Neocons são judeus, os conservadores WASPs... Aonde ficam os evangélicos nisso tudo? O Bible belt não manda mais no governo? Alguém chama o Rove, rápido!

Lógico que é possível identificar as linhas ideológicas gerais do governo Bush, e essas podem ser criticadas. Afinal, por mais que os comunistas tentem fazer lobby, o poder deles é mínimo. Mas no fim das contas, a aplição prática desse conjunto de teorias (i.e. o próprio governo) vale muito mais do que qualquer outra coisa. Ou então os neocons poderiam muito bem dizer que o problema não foi com eles, e sim na maneira como a coisa foi implementada. Same old, same old.

E vejam que eu ainda nem começei a falar sobre o fato de que diversas ideologias tem pontos em comum. Quer dizer, o fato de eu ter apoiado a invasão do Iraque me faz um neocon? Claro que não. Vemos exemplos desse conundrum diariamente. Nessas últimas semanas os democratas estão gritando aos 7 ventos que são contra esse acordo dos portos com a UAE. Obviamente não estão bravos pelos mesmos motivos que os isolacionistas Republicanos, que também não gostam dessa história. Os Democratas estão com medo que o sindicato perca força, enquanto os isolacionistas acham que a segurança dos portos seria comprometida. Nada impede que os democratas digam que o motivo é o mesmo, mas as coisas são o que são.

Da mesma forma que qualquer governo precisa identificar um conjunto de princípios a ser seguido, como eu pedia na minha crítica ao Alckmin, é necessario se entender que um governo dificilmente pode representar somente um grupo específico, por mais poderoso que este seja. Querer culpar os fracassos do Bush nas teorias neocons seria na verdade um favor para ele, já que tiraria parte da responsabilidade que deveria ser só dele.

Isso só acontece porque os ‘críticos’ não discordam somente do resultado das medidas, mas sim da intenção inicial. Mas admitir isso não é fácil.

Thursday, March 02, 2006

Índia

Logo depois dos ataques do 9/11, estava conversando com um indiano por aqui sobre qual deveria ser a reação americana. Ele me explicou que na Índia eles lidam com terrorismo do Paquistão há anos, e que a situação so melhorou quando eles realmente partiram para uma ofensiva, indo atrás da família dos homens-bomba por exemplo.

Ele também confirmou a tese que as pessoas da região achavam os EUA moles demais, e que já estava na hora do povo acordar.

Isso pode explicar porque a Índia é um dos poucos países pró-EUA da Ásia (mais aqui):


E apesar dos pesares, a aceitação no Paquistao não é das piores (é melhor que pré-9/11):


Duvido que esses números sejam melhores no Brasil.

Saturday, February 25, 2006

Fukuyama, Kristol e eu

O debate sobre a guerra contra o terrorismo continua.

O Fukuyama escreve que os neoconservadores fizeram bobagem, que a guerra no Iraque basicamente foi um desastre e que a única solução para o fim do terrorismo é um lighter approach dos EUA, isto é, diplomacia internacional. Ele acha que os EUA não devem se isolar (i.e., continuem mandando dinheiro) mas devem parar de usar o exército como ferramenta de mudança.

O Kristol respondeu na mesma moeda, basicamente dizendo que os EUA tem que continuar na ofensiva, e que essa visão do Fukuyama que "democracias amadurecem sozinhas" é ingênua ao extremo.

Acho que os dois lados esquecem de analisar alguns fatores. Primeiro, o Fukuyama assume que o governo dos EUA trataram o Iraque como algum tipo de experimento para um plano militar maior. Nunca se sabe exatamente o que se passa na cabeça dos governantes e, se a invasão do Iraque tivesse sido muito fácil, não duvido que o incentivo para novas invasões seria maior. Porém, no contexto da época, o objetivo das guerras do Afeganistão e Iraque era muito mais tático do que estratégico. Os dois lados dão muito mais crédito ao governo Bush do que eu dou.

Outro problema da análise do Fukuyama é que ele dá a entender que a política atual é a regra e que a alternativa proposta seria a exceção. Na verdade, desde o fim da segunda guerra mundial, os EUA adotaram essa posição que ele propõe de soft power. Com a exceção do Vietnam, todas as outras guerras de 1950 a 2002 foram defensivas (Coréia) ou muito pequenas e rápidas (conflitos na América do Sul, Filipinas, etc). E também vale lembrar que a estratégia da época não era de intencionalmente apoiar ditadores. Era justamente fazer o que o Fukuyama diz ser o caminho certo, isto é, aceitar os governos em poder e formentar a democracia quando possível.

Os resultados dessa época não foram muito bons. E a forma em que a guerra fria foi ganha não foi somente uma desculpa para o movimento agressivo atual, foi também o maior exemplo de que aquela estratégia de soft power simplesmente não estava chegando à lugar nenhum.

Se o governo Bush é ingênuo como Fukuyama quer mostrar (toda vez que alguém cita um "plano secreto" para justificar uma teoria eu fico desconfiado) eu não sei. Mas inferir que o resultado atual mostra que a única solução é a volta ao passado me parece absurdo.

Já o Kristol não oferece muito, a não ser o velho discurso "stay the course". Até o Fukuyama concorda que atualmente não há muito o que se fazer, e daí já tiramos de lado todo esse bando de gente (esquerda desde sempre e extrema direita nos últimos meses) que querem simplesmente abandonar o Iraque como se fosse um experimento de ciências que deu errado.

Abandonar o Iraque seria um desastre por vários motivos. Porém, o maior deles é ignorado pelo Fukuyama, provavelmente porque vai contra uma das premissas que justificaria a volta à o velho lighter approach: A idéia de que os EUA são odiados por serem duros demais.

Na verdade, os EUA e o Ocidente no geral, são vistos como poderes fracos e corruptos pelos radicais islâmicos. Não se esqueçam que antes das 2 guerras, a possibilidade dos EUA perderem militarmente era considerada amplamente possível. Toda a idéia por trás de um império islâmico é baseada no conceito de que o Ocidente é um monstro barrigudo, que só não é derrotado porque os povos islâmicos não se unem.

Agora, se o Kristol acha que o Iraque pode ser considerado um modelo de como essa guerra contra o terrorismo tem que ser lutada, aí nós discordamos. Não acho que seja possível definir um "modelo" para esse conflito. Acho que diante das circunstâncias, o governo Bush agiu corretamente em 2002. Mas será que se o Irã continuar com seus planos nucleares a resposta Americana deveria ser a mesma?

Acho que não. Ironicamente, esse é um dos argumentos preferidos da esquerda: "Se atacaram o Iraque, então porque não atacam todos os ditadores?"

A resposta é óbvia, mas de alguma forma o argumento é considerado sério. Uma lógica maluca anode a força tem que ser a regra ou a exceção. O uso da força tem que ser uma alternativa. Não pode ser a última alternativa, como quer a esquerda (por vários motivos), e nem a primeira alternativa como querer alguns da extrema direita.

O último ponto que acho importante nessa discusão toda é o papel da democracia. Um dos argumentos do Fukuyama é que a democracia "promove o radicalismo".

Acho essa uma falácia tão absurda quanto a de que a democracia por si só promove o fim do radicalismo. A democracia somente expõe a situação, algo positivo na minha opinião.

O maior problema do radicalismo islâmico é justamente o seu aspecto informal. O nazismo pode ter sido terrível, mas foi derrotado de forma indiscutível. Enquanto o radicalismo islâmico se esconder por trás de "governos moderados" ele nunca será derrotado.

A subida ao poder desses radicais pode acabar em somente dois caminhos: Um deles é a decisão voluntária de se moderar, o que pode levar no curto prazo outros grupos radicais ao poder (caso da Palestina), mas que em algum ponto significaria a moderação da população no geral. O outro é a oficialização do radicalismo, que levaria ao caminho de sempre: punições da ONU, embargo e guerra.

Na minha opinião, essas duas opções são melhores do que a continuação do terrorismo atual.

Thursday, February 23, 2006

Alckmin

Acompanho pouco a política brasileira hoje em dia. Leio sobre os roubos do PT, sobre os absurdos do Amorin, e sinceramente é tudo muito repetitivo.

Li outro dia que o tal do Alckmin vai ser o "candidato da direita" para a próxima eleição.

Não sei muito sobre ele. Quase nada para ser honesto. Não consegui lembrar de uma medida de impacto que ele tenha tomado. O que as vezes é bom, mas nesse caso, o ponto é que não sei qual é a direção que um governo dele teria.

Olhei o discuso de posse dele no governo de SP, e fiquei confuso. Lá ele diz que "O Governo atuará, então, em quatro esferas concêntricas: a do Governo Empreendedor, a do Governo Educador, a do Governo Solidário, e a do Governo Prestador de Serviços de Qualidade". Essa é a idéia de direita no Brasil?

Será que seria demais esperar que um candidato tocasse no assunto dos impostos? Tarifas absurdas? Acordos de comércio internacional? Quem sabe até mesmo definir se ele quer diminuir ou aumentar o tamanho do governo?

Se a única diferença entre direita e esquerda no Brasil é essa história de dizer "eu sou honesto, o outro rouba" ou então dizer que vai criar empregos sem ao menos tentar explicar como, não sairemos do marasmo nunca. Às vezes fico desapontado que o Lula não fez o que tinha prometido. Se ele tivesse chutado o barraco, e transformado o país num favelão cubano, quem sabe ai o povo entenderia o que precisa ser mudado.

Esse sistema semi-capitalista, que muitos tem a incrível cara de pau de chamar "neoliberal", deixa sempre a falsa impressão que "estamos quase lá", e que só falta competência para os nossos políticos.

Em outra parte daquele discurso de posse, o Alckmin diz que "Sem abdicar da fidelidade aos princípios doutrinários que me norteiam, aqui retorno consciente de que o ato de governar não é militância política. É, isto sim, o exercício de uma função pública. E estas são práticas que não devem e nem podem se confundir."

Princípios? Mais quais são esses princípios? Eu sou realista e pragmático, mas tomar decisões sem deixar claro que existe um conjunto de idéias por trás que pelo menos aponta em uma certa direção é suicídio. Usando uma analogia bem brasileira, somos um time sem esquema de jogo, que fica trocando de capitão sem nunca pensar em contratar um técnico e estabelecer um esquema tático claro.

Pode ser que eu esteja errado, e o Alckmin seja diferente. Quem sabe vocês tenham informações que eu não tenho e me corrijam. Mas pelo que eu vi até agora, parece somente mais do mesmo.

Tuesday, February 21, 2006

Mais dados sobre o império

Todo esse dinheiro gasto com educação mostra a clara intenção de dominar o mundo...



Percebam como a situação piora depois que Bush sobe ao poder!


Isso mostra porque a globalização é uma farsa. Tendo o melhor sistema de educação do mundo fica fácil!

Esses malditos imperialistas...

(Para quem quiser saber minha opinião de verdade sobre a educação estatal daqui, leia este post)

Monday, February 20, 2006

A dupla SaSa

Parece que Sader, o sábio, arranjou um companheiro à altura: João Sayad. Já deve ser o terceiro ou quarto editorial seguido que ele escreve que é um total absurdo, do começo ao fim. O de hoje está particularmente péssimo, eu quase desisti depois de ler a primeira frase. E pior, o sujeito escreve mal que não é brincadeira. Eu ia postar só algumas partes preferidas, mas para apreciar a falta de qualidade e a variedade de desconexões de idéias do texto eu preciso do texto todo: (grifos meus; a parte em vermelho foi aonde eu ri mais alto)

"Tolerância

Os Estados Unidos são o único país do mundo em que se tenta proibir o ensino da teoria da evolução.

Em 1925, os "creacionistas" se opunham à teoria porque contradizia a interpretação literal do Gênesis. Atualmente, alegam que os professores de ciências fazem insinuações sobre a inexistência de Deus. Exigem que se apresente a teoria do "intelligent designer", um projetista inteligente (Deus?) que explicaria o sentido da evolução.

Para nosso desespero, não é possível demonstrar logicamente que o mundo tenha sentido ou um projetista inteligente. Nem demonstrar que Deus não existe.

A polêmica está limitada a alguns estados americanos do sudoeste e do sul. No resto do pais e no mundo inteiro, religião e ciência são campos paralelos, que fazem perguntas e oferecem respostas a problemas diferentes e não opostos.

Os Estados Unidos são uma federação de seitas, etnias e raças fundamentalistas. Democracia e liberdade de expressão resultam de um equilíbrio tenso entre grupos igualmente poderosos com princípios rígidos e inegociáveis.

Por isto, os americanos são obrigados a ser pragmáticos ("verdade é o que funciona") ou relativistas. Pragmatismo e relativismo são as únicas filosofias possíveis num país congestionado de verdades irreconciliáveis e onde mentir é o único motivo para levar um presidente ao "impeachment".

A diversidade entre visões de mundo não requer tolerância. Eu não preciso "tolerar"que você goste de chá e eu, de café. A tolerância- do latim "tolerare", suportar- é necessária apenas entre idéias que não são apenas diferentes, mas contraditórias e que se reconhecem reciprocamente.

Evolucionismo e religião são temas diferentes que se opõem apenas quando discutem a existência de Deus que não é tema da ciência. Em geral, religiosos não precisam "tolerar" cientistas, nem escandinavos "tolerar" os paraguaios. São indiferentes uns aos outros.

Já o convívio entre judeus, cristãos e muçulmanos demanda uma tolerância enorme. Disputam o amor do mesmo Deus, discordam sobre o verdadeiro Messias e usam o mesmo Livro. Jerusalém é o ponto focal - cidade do Templo de Salomão, em que Jesus foi crucificado e Maomé subiu aos céus.
Ocidente e Oriente nunca foram indiferentes. As charges sobre Maomé, encomendadas como um "teste" para a liberdade de imprensa dinamarquês geraram protestos e morte. Na França, a lei Gayssot criminalizou a negação do Holocausto. A liberdade de expressão levada ao limite ameaça a liberdade de expressão.

O Brasil é o país da tolerância. Aqui, Ogum é S. Jorge e a Virgem Maria, Iemanjá. Sofremos do melhor racismo do mundo, ainda que continue sendo racismo. Os negros se consideram brancos e os brancos dizem que gostariam de ser negros. Ricos toleram os pobres e pobres agradecem a tolerância.

Somos pragmáticos diferentes dos americanos. Não precisamos conviver com verdades rígidas. Aqui a verdade é menos nítida, convive bem com contradições. Seriamos um país admirável se tanta tolerância não for apenas fruto de indiferença."

Sunday, February 19, 2006

The left

Pessimista

Quando eu comentei sobre o pessimismo da esquerda, eu estava falando sobre isso: (só para assinantes)

"My go-to worldview is pessimism. I see a Time Square billboard that has its audience 'dancing in the aisles' and I can't help but think 'That is a fire hazrad'".
...
"When he (Bush) took the presedential oath, I cried. What was I so afraid of? I was weeping because I was terrified that the new president would wreck the economy and muck up my drinking water. Isn't that adorable? I lacked the pessimistic imagination to dread that tens of thousands of human beings would be spied on or maimed or tortured or killed or stranded or drowned, thanks to his incompetence".

Eu posso te garantir, she is loony and she is no happy camper.

NYT

Aliás, hoje fiz algo que não fazia há tempos: comprar o NYT de papel. Alguns editorias não estão mais abertos online, e eu estava matando tempo na Starbucks.

Primeiro de tudo, eu quase caí de costas com o preço: 5 dólares. Segundo, qualquer pessoa que tenha a cara de pau de dizer que o NYT não é completamente de esquerda simplesmente não lê o jornal.

Dos 12 editoriais que eu contei, 3 eram neutros e 9 eram politicamente ou ideologicamente de esquerda. Encontrei pérolas do tipo "Once, not that long ago, economics was the queen of the social sciences. Human beings were assumed to be profit-maximizing creatures, trending toward reasonableness. As societies grew richer and more modern, it was assumed, they would become more secular. As people became better educated, primitive passions like tribalism and nacionalism would fade away and global institutions would rise to their place." (Do editorial Questions of Culture).

Claro que o jornal tem o direito de escrever o que quiser, mas eles deviam pelo menos avisar qual o conteúdo. Aquilo ali não é news, é propaganda. Eu quase pedi meu dinheiro de volta.

Cheney

Mas de todos os exageros atuais da esquerda, o mais absurdo é o que vem acontecendo com o Cheney. Eu sei que o cara não é nem um pouco likeable, e na minha opinião hunting é mais backwards do querer arrastar sua mulher pelos cabelos e morar numa caverna.

Mas o que a mídia vem fazendo com esse acidente esdrúxulo é simplesmente ridiculo. Nenhuma lei foi quebrada, tudo que ele fez foi dentro do exigido no Texas. E atirar na cara de um amigo devia ser considerado um acidente infeliz, até provado o contrário.

Mesmo assim, já acusaram o cara de tudo: bêbado, maluco, assassino... Tinha gente abertamente torcendo para que o velhinho lá morresse, só para poderem comecar a falar de quais crimes ele poderia ser julgado. Até de impeachment já falaram!

E até agora qual o problema que acharam? Nada. Na verdade, a imprensa ficou bravinha porque ele não avisou os reporteres que ficam de plantão na Casa Branca (shocker), que a coletiva dele foi para somente um reporter da Fox, e que ele não pediu desculpas na entrevista (como se ele tivesse de alguma forma ofendido o público!). Eles tiveram a cara de pau de inferir que, porque ele não falou desculpas na TV, ele não teria pedido desculpas para o tal Harry.

Esse é provavelmente o exemplo mais obvio de futilidade ideológica que chegou a imprensa daqui. Eles se acham no direito de explorar um acidente só porque não são paparicados pelo governo atual.

Profissionalismo zero.

Saturday, February 18, 2006

Novos favoritos

Esses são os mais novos da lista:
De Gustibus (meu novo favorito)
Insurgente
Malho
Dilbert

Friday, February 17, 2006

The great divide

O Pew publicou outra pesquisa interessante sobre a felicidade dos americanos.

Algumas das conclusões:
- Primeiro de tudo, os resultados vem se mantendo constantes por um bom periodo de tempo (a pesquisa existe desde 1972).
- Casados são mais felizes que solteiros.
- Pessoas que vão à igreja são mais felizes dos que não vão.
- Republicanos são mais felizes que Democratas e independentes.
- Ricos são mais felizes que os pobres.
- Brancos e latinos são um pouco mais felizes que negros.

Do outro lado da moeda temos:
- Ter filhos não muda a felicidade das pessoas.
- Imigrantes são tão felizes quanto nativos.
- Empregados, desempregados e aposentados são igualmente felizes, com a exceção de desempregados homens.
- Homens e mulheres são igualmente felizes.
- Pessoas que tem animais de estimação não são mais felizes.

Pode parecer que tudo isso é óbvio, mas algumas trends são bem interessantes:

Red is really better: 45% dos Republicanos é muito feliz, comparado com 30% dos Democratas e 29% dos Independentes. E essa diferença também se mantem constante desde 1972, o que mostra que a felicidade não é relacionada com estar ou não no poder.

Os Republicanos são em média mais ricos, mas mesmo quando o fator dinheiro é considerado, ainda são mais felizes. A mesma coisa se aplica a ideologia. De longe, os mais infelizes são os hard-core liberals.

Outra conclusão interessante é a de que jovens são menos felizes que os mais velhos. Principalmente os homens.

E nem mesmo o dinheiro é um fator infalível: Negros que ganham mais ou menos são igualmente felizes.

Mas dentre todos os fatores analisados, o mais forte estatísticamente foi a saúde. Da mesma forma, o fator mais determinante da infelicidade foi a falta de saúde.

Tudo isso me lembrou essa outra pesquisa do Pew que descreveu as principais diferenças entre os os grupos políticos americanos. Nesse caso, um fator diferenciador ficou evidente: otimismo.

Interessante como esses dois sempre andam juntos.

Monday, February 13, 2006

"A prova"

O Smart lançou mais uma campanha de concientização dos perigos malígnos do Bush. A mensagem da vez é que o Demônio na terra está aumentando o exército americano à níveis nunca vistos.

A "prova" dele são os gastos absolutos. O que não faz o menor sentido. É como comparar os gastos de uma pessoa que ganha 1000 dólares com outra que ganha 5000 dólares. A única forma relevante é comparar o quanto do bolo é dedicado proporcionalmente a esta ou aquela área em épocas diferentes.

A verdade, então, fica bem mais aparente (more info aqui):


Como eu tinha dito nos comentários desse post, os níveis atuais são iguais aos de 10 anos atrás (3.8% em 2006 comparado com 3.5% em 1996) e bem menores que os de 20 anos atrás (6.2% em 1986).

Agora, lógico que existe desperdício. E tambem é válido discutir se o dinheiro está sendo bem gasto. Como regra geral, qualquer programa de governo desse tamanho vai ser um desastre. Programas menores, como a NASA, são mais transparentes e a ineficiência fica bem clara.

Mas quando a análise começa da premissa errada, i.e., "é sempre culpa do Bush", a discussão não chega à lugar nenhum.

Friday, February 10, 2006

Pão, circo e cerveja

A peripécia "progressista" de hoje vem daqui mesmo do Estado de Washington: a história da comissão da cerveja.

Sim, é isso mesmo: o Estado quer vender booze. Ah, pera lá, é só uma ajuda as cervejarias pequenas aqui do Estado! Ninguem aqui vai dar dinheiro para Budweiser da vida! Sabe como é, os pequenos negócios nunca vão sobreviver sem a ajuda do grande irmão... E não se preocupem, seus impostos não vão pagar pelo projeto. Os descontos dos impostos das cervejarias e fundraisers vão ser suficientes. Bom, os fundraisers vão ser pagos pelos contribuintes, mas reclamar disso é ser muito mesquinho!

E pensando melhor, o tal Pat Sullivan (Democrata) é um gênio. Afinal, além de agradar um lobby poderoso, as taxas sobre a venda de qualquer produto alcoólico são altíssimas por aqui. E como se não fosse suficiente, todos sabem que com mais cerveja na cabeca o povão vai ficar mais feliz!

It's a goddamn win win situation baby.

Wednesday, February 08, 2006

Loon canadians and fake republicans

Peripécias socialistas

As aeromoças da Air Canada ganharam uma batalha histórica na suprema corte canadense. De agora em diante, elas vão ter que ganhar a mesma coisa que os homens que trabalham na companhia. Claro que não estou falando somente dos "comissários de bordo", that's bullshit. Elas vão ganhar a mesma coisa que qualquer homem, incluindo os pilotos.

Explicação da sábia corte: "they all work for the same organization in the same business".

Mais aqui.

Dados sobre o Bush gastão

Antes de comemorar os pequenos cortes no orçamento 2006 do Bush (ou pior, achar que existe alguma dark trend no mesmo) é bom considerar os números dos últimos 5 anos:

Larger Increases in Federal Spending By Category, 2001-2006:
National Defense 11.9%
Health Research and Regulation 12.3%
International Affairs 16.1%
Education 18.9%
Community & Regional Development 34.6%
Energy 211.1%

Anti-poverty spending has surged 39% under President Bush to a record 16% of all federal spending

Breakdown by Anti-Poverty Category (Nominal $millions) 2001 2005 Increase:
Health Care Assistance 40%
Food Assistance 49%
Housing Assistance 26%
Cash & Other Assistance 37%
TOTAL ANTI-POVERTY SPENDING 39%

Mais aqui.

Sunday, February 05, 2006

Double standards 2 - A ilusão do Império

Sempre que alguém vem tentar me explicar que os EUA são um império, eu começo perguntando pelas fronteiras. Seria o Brasil parte dos dominados? E a França? Belarus? Quênia? Butão?

É fácil confundir poder com controle.

Essa lenda de que os EUA tem mais controle sobre o mundo do que realmente tem cria duas consequências péssimas: Primeiro, possibilita que governos incompetentes fujam das suas responsabilidades. Pergunte para qualquer brasileiro como é que os EUA influem na vida deles. Outro dia eu fiz essa pergunta para aquele infame grupo e a resposta foi: "Ah, não podemos contruir uma bomba nuclear!". A total desconexão desse tipo de resposta com pesquisas como essa, mostra o tamanho do problema. Segundo, cria um nível de expectativa dos EUA que é simplesmente inatingível. E sendo os EUA o maior representante do capitalismo, qualquer "fracasso" americano vira um fracasso do sistema, o que dá abertura a todos esses loones que se reúnem pelo mundo em busca de uma "nova utopia".

Por exemplo, o mundo todo ficou abismado com o Katrina (até agora 780 mortos confirmados). Você ligava a TV e via o desespero das pessoas ao vivo, lia no jornal diariamente histórias de vidas arrasadas, etc. E foi uma tragédia mesmo.

Mas agora, durante o mês de Janeiro, já morreram quase 600 pessoas (7 mil tiveram que ser hospitalizadas) na Ucrânia de frio. 600 mortos num país de 47 milhões de pessoas é equivalente a mais de 3500 nos EUA. Eu posso imaginar o fim do mundo que seria se 3500 pessoas (ou que fosse 600) morressem de frio por aqui.

Esse é somente um exemplo, é fácil citar muitos outros.

Agora que o mundo se prepara para confrontos um tanto difíceis, do islamismo radical ao aumento do poder da China, dá medo pensar que paises "neutros" possam se aliar ao lado errado somente por ignorância.

Eu li o editorial da Folha de hoje sobre a polêmica dos cartoons e dei risada. Parecia mais a enciclopédia britânica do que a velha Folha de guerra.

E pelo que vi, eles não publicaram os cartoons.

Friday, February 03, 2006

Double standards

Essa nova revolta do mundo islâmico sobre os cartoons do Mohamed serve para mostrar algumas coisas.

Primeiro: o governo Bush consegue fazer merda nas piores horas possíveis. Podem ter certeza absoluta que essa besteira que eles disseram hoje ainda vai dar muito o que falar. E só não vai ser o ticket dos democratas para a Casa Branca porque infelizmente eles são outro bando de covardes políticamente corretos.

Segundo: Ainda existe algum pingo de coragem na Europa. Qualquer país europeu que mostrar o bom senso de não pedir desculpas por estar cumprido o que a lei manda, i.e. imprensa livre, terá ganho pontos na minha tabela. E aumentará ainda mais a vergonha que foi essa reação do governo Bush.

Terceiro: o problema com os países de maioria islâmica é muito maior do que a maioria das pessoas quer acreditar. Se a cultura deles estabalece regras de conduta completamente incompatíveis com as do ocidente, e no caso de desavenças eles se acham no direito de retribuir com força, o ocidente só tem uma opção, que é retribuir na mesma moeda.

Se o ocidente for visto como fraco, o problema só vai aumentar. Se eu fosse dono de qualqer jornal imprimiria os cartoons na primeira página, juntamente com as fotos das revoltas pelo mundo. Os cartoons não são provocações baratas. São a reflexão de um problema real, que é a utilização do islamismo como justificativa para violência. E mesmo que fossem provocações, figuras públicas (incluindo religiosas) estão sujeitas a sátira. Assim como outros cartoonistas/cineastas/escritores atacam os católicos, judeus, etc, os muçulmanos não tem direito algum de se achar acima da lei. Se isso ofende a lei local, ou a crença pessoal, a única reação que o ocidente pode aceitar é a manifestação pacífica. Atacar granadas em embaixadas não é uma opção.

Ou então é melhor vestir a burka e converter de uma vez.

Thursday, February 02, 2006

What does Hamas want?

"The West has nothing to fear from Hamas. We're not going to force people to do anything. We will not impose Sharia. Hamas is contained. Hamas deals only with the Israeli occupation. We are not Al Qaeda."

ABU TIR is a former militant who ranked No. 2 on the Hamas list of candidates in last week's elections. Via Newsweek.

Hummm... Uma mensagem um tanto melosa para um pessoal que só subiu ao poder por causa do aumento do radicalismo islâmico causado pela guerra no Iraque, não acham?

Teste rápido de anti-americanismo

Já esperava que um pessoal fosse duvidar da história dos brasileiros anti-americanos. A (psychic) Leila até afirmou que eu estou mentindo. Sabe como é, de anti-americanismo ela entende.

Anyway, para explicar um pouco melhor o nível do pessoal que estou falando e deixar bem claro o que eu considero anti-americanismo, desenvolvi o seguinte teste(®), baseado em perguntas que eles responderam durante as nossas conversas sobre os EUA:

- Você acha que os EUA são os maiores culpados pela pobreza do mundo?
- Você acha que os ataques de 9/11 foram merecidos? Você admira OBL?
- Você acha que comparar os EUA com a Alemanha nazista não tem nada demais?
- Você acha que a queda da União Soviética foi um dos piores acontecimentos do século XX?
- Você acha que o mundo seria melhor se os EUA sumissem do mapa?

Pronto. Cinco perguntas, rápidas e diretas. Se você desconfia daquele seu amigo que adora uma camiseta do Che, ou do seu professor de história que de repente deixou a barba crescer, é só testar.

E a pergunta séria continua: Será que o governo americano deveria deixar esse pessoal entrar no país?

Sunday, January 29, 2006

Males que vêm para o bem

Go Canada

Com a subida do preço do petróleo, finalmente as dunas de Alberta, no Canadá, vão começar a ser realmente exploradas.

Estima-se que entre 1.7 e 2.5 trilhões de barris estejam enterrados na mistura de areia, água e argila. Esta é a maior reserva do mundo, superando de longe a Arábia Saudita (atual maior produtora) que tem reservas comprovadas de 261.9 bilhões de barris.

A segunda morte de Arafat


Quando Yasser Arafat resolveu trocar suas bombas pelos milhões de dólares do Ocidente, vendendo a ilusão da paz com Israel, ele condenou a região a um estado de "meia-guerra" eterna.

Agora com a subida do Hamas ao poder, finalmente teremos a chance de paz. Ou guerra. Não será mais possivel esconder o radicalismo palestino por trás da desculpa de que "estamos falando de uma minoria". A maioria dos palestinos quer o Hamas. O que eles decidirem fazer vai representar a vontade da maioria.

Finalmente o legado de Yasser Arafat morreu.

Thursday, January 26, 2006

Anti-americanismo verde-amarelo

Eu já critiquei por aqui o que eu vejo como uma grande ironia de certos brasileiros: ser anti-americano e se mudar para os EUA.

O problema é muito mais comum do que eu imaginava. Coincidência ou não, aqui na costa oeste conheci muito mais brasileiros do que na costa leste. Acho que já são uns 25. E pode parecer exagero, mas a verdade é uma só: 100%, todos sem exceção, são anti-americanos.

E eu não estou falando de gente que simpatiza com os democratas, faz piadinha com os colegas americanos ou que votou no PT. Estou falando de gente que considera o Bin Laden herói. Que acha os EUA um Império do Mal, e que não consegue ver diferença entre Hitler e Bush.

A maior diferença desse pessoal para o Idelber é que pelo menos eles admitem na cara dura que não gostam daqui, e que só vieram pelo dinheiro. A grande maioria só fica falando em voltar para o Brasil.

Mas eu fiquei aqui pensando comigo: Será que se o departamento de imigração soubesse de tudo isso, teria deixado eles entrarem no país?

Não estou dizendo que críticas deveriam ser proibidas, que só quem adora o Bush deveria ganhar visto, nada disso. Mas se alguém que te acha ruim o suficiente para merecer ser destruido não é seu inimigo, quem é?

Scott Adams

Eu sei que outros blogs já elogiaram o blog do Dilbert, mas eu tenho que dizer: o cara é demais. Eu já sabia que ele era engraçado, mas nunca poderia imaginar que ele fosse tão esperto. E essa combinação não é muito comum. Além disso, os comentários são ótimos.

Imperdível.

Tuesday, January 24, 2006

The ticker that ticks off

Fidel e seus red cats protestaram hoje contra um ticker montado pelo governo americano na U.S. mission em Havana. As mensagens mostradas no display vão de notícias (como a da vitória dos conservadores no Canadá) à mensagens gerais sobre liberdade, de MLK à Ghandi.

E ainda tem gente que se diz contra tudo que o Bush faz.

Sunday, January 22, 2006

Marketing rules

É incrível como as pessoas se deixam enganar. Em inglês, a palavra que melhor define o que estou falando é gullible. Acho que em português a melhor tradução seria ingenuidade, mas gullible é mais especifico: é aquela ingenuidade que te leva a ser enganado por qualquer um.

Essa história do Google é um exemplo perfeito. Deveria ser evidente que o Google só está fazendo doce para aumentar sua imagem de empresa "alternativa", que "não se vende ao sistema" (essa é a principal estratégia de marketing contra o "Império do mal").

O governo não está pedindo nomes de usuários, está pedindo dados para comprovar a tese deles que os portais de busca levam crianças a pornografia. Se algo deve ser feito sobre isso é outra problema, mas o pedido atual do governo não tem nada de intrusivo. O estudo é funcional, e pode até mesmo provar que a teoria simplesmente não é verdadeira.

Dizer que esse pedido vai levar ao fim da privacidade online é mais um absurdo. É como dizer que a lista de anúncios de um jornal levaria ao nome de todos os compradores de todos os produtos. Lógico que se o governo quiser verificar quem é que está visitando sites de "como construir sua bomba" eles estão no direito deles. Ou não?

Mas não adianta. A notícia virou destaque em todos os jornais. Foi o suficiente para levantar a bandeira dos "privacy warriors". Ah, o Google é uma empresa que se importa com o povo! Não se curva aos poderosos! Isso vai acabar como em 1984! Viva o Google!

Enquanto isso, já tem gente culpando a queda no stock price na tal "briga com o governo".

You got to love these marketing guys.

Sempre ele

"Posteriormente, a Bolívia foi vítima do primeiro plano neoliberal no mundo, que liquidou a economia mineira e, com ela, um de suas mais importantes conquistas – a classe trabalhadora mineira e a Central Operária Boliviana (COB)."

Sader, o sábio, mostrando que desinformação é com ele mesmo.

Thursday, January 19, 2006

A guerra Irã x Iraque - 1980–1988

A explicação oficial do governo iraquiano para a guerra, iniciada em 22 de Setembro de 1980, foi a disputa de Shatt al Arab. Essa é uma área de acesso ao golfo pérsico localizada na fronteira dos dois países. Essa história vinha desde os tempos de Império Otomano vs Pérsia. Outra disputa antiga que foi usada como desculpa nessa guerra foi a da região do Khuzestan. Este era parte da mesopotâmia (atual Iraque) e havia sido tomado pelo Irã durante o periodo do Império Otomano. O Ba'ath já dizia que o Khuzestan deveria ser retornado ao Iraque desde que chegou ao poder, em 1968.

Como sempre, os reais motivos para a guerra eram bem mais recentes. Saddam e sua turma queriam dominar a região, embalados ainda nas suas teorias Pan-árabes. Mas mais que isso, Saddam estava morrendo de medo. E com razão. Depois da queda do Shah, o Irã se tornou um problema incontrolável para o Ba'ath. Khomeini era tão brutal quanto Saddam, com a vantagem de ter total controle sobre a maioria do seu povo. Era uma questão de tempo para que uma nova revolução islâmica explodisse em Karbala ou Najaf (cidade aonde Khomeini morou por 15 anos). Simplificando, Saddam tinha duas opções: tentar uma arriscada aliança iraniana (como havia feito com o Shah) ou partir para ofensiva.

A guerra era uma opção tentadora. O Iraque tinha uma vantagem militar enorme sobre o Irã: 190.000 soldados, 2.200 tanques e 450 aviões MiG-23 e MiG-21 soviéticos de última geração. Do outro lado, o Irã tinha menos de 1.000 tanques, um exército desorganizado e equipamentos muito mais velhos, como os F-4 Phantom americanos da época do Shah. Mais que isso, a revolução islâmica isolou o Irã do ocidente, antigo fornecedor de armas. Todos acreditavam numa vitória rápida do Iraque.

Mas Saddam não contava com o nacionalismo iraniano. O "Army of Twenty Million" mandou 200 mil iranianos para as fronteiras em Novembro de 1980. Muitos eram antigos aliados do Shah, buscando um novo status na teocracia dos aiatolás. Além disso, Saddam cometeu varios erros estratégicos. Ele contava que 3 milhões de árabes do Khuzestan iriam se juntar aos iraquianos. A enorme maioria se juntou ao exército iraniano. Ele achava que conseguiria destruir os aviões iranianos com seus bombardeios iniciais, mas não conseguiu (os hangares era muito mais resistentes do que imaginado). O Iraque só se deu bem no começo da guerra porque o Irã também errou muito. Os xiitas do Sul se juntaram ao exército iraquiano, contrariando as expectativas de Khomeini, que havia colocado poucas tropas no sul. Adicione a tudo isso a ineficiência dos comandantes iraquianos e a abundância de soldados suicidas do Irã, e acabou-se tendo uma guerra muito mais equilibrada (e consequentemente sangrenta) do que qualquer um poderia imaginar.

O envolvimento do ocidente nos primeiros anos da guerra foi pequeno, principalmente porque o Iraque estava levando a melhor. Depois da crise dos reféns americanos, o Iraque parecia um mal bem menor que o Irã. Com a gradual ascensão iraniana, e com o aumento dos ataques iranianos aos navios petroleiros, o ocidente e certos paises árabes (principalmente Arábia Saudita e Kuwait) começaram a dar uma mão para o Iraque. E a ajuda chegou na hora certa: Saddam estava ficando sem dinheiro.

O Iraque chegou a gastar 3/4 do seu GDP em armamentos durante a guerra. Entre 1981 e 1985, o Iraque vendeu 48.4 bilhões de dólares em petróleo. No mesmo periodo, os gastos com armas chegaram a 120 bilhões de dólares.

Apesar de quase 80% dar armas virem da União Soviética e França, não fatavam outros candidatos dispostos a entrar na fila: Alemanha, China, Coréia do Norte, Síria, Líbia, Egito... Brasil (quarto maior fornecedor de armas). Os EUA ajudaram o Iraque de outras maneiras: dinheiro, materiais, e expertise militar.

Os EUA também se envolveram no lado iraniano, no famoso episódio do Ira-contras. Mas no geral, poucos países ajudaram o Irã durante a guerra (o que diz muito sobre a incompetência iraquiana).

Em 1988, depois de matar 1.5 milhão de pessoas e de basicamente voltar ao ponto de partida na disputa territorial, os 2 lados aceitaram uma trégua (o fim da guerra nunca foi assinado).

O retrato do Iraque não poderia ser pior: uma dívida de aproximadamente 77 bilhões de dólares (27 bilhões para o ocidente e 50 bilhões para paises do Golfo), produção de petróleo comprometida, disputas internas, e o quarto maior exercito do mundo: um milhão de soldados, 4500 tanques, medium range missiles, arsenal de armas biólogicas e químicas (usadas durante a guerra), e um programa nuclear.

E pior de tudo: um vizinho rico dando sopa.

Saturday, January 14, 2006

Alito

Antes de continuar sobre o Iraque, tenho que falar sobre o Alito. Ouvi 3 dias de depoimentos (kudos KQED) e tirei 4 conclusões:

- O processo todo é uma palhaçada: Os Senadores dos 2 lados se comportaram péssimamente. Os Democratas procuravam todo tipo de loophole em fatos completamente irrelevantes. O Alito é juiz há mais de 13 anos, já julgou mais de 4 mil casos, e os inúteis ficavam invocando com uma mensalidade que ele pagou em 85, para um grupo que ele nunca participou ativamente ou mesmo renovou a aplicação depois. O objetivo não era aprender mais sobre o que pensava o Alito, e sim tentar fazer ele se irritar. Era patético ouvir loones como o Kennedy e o Schumer (talvez o pior democrata atualmente) lerem suas anotações e nem prestarem atenção (até porque eles não teriam capacidade de responder) no que o Alito respondia. Já os Republicanos jogavam o outro lado. Tudo que perguntavam era soft balls feitas para explicar as distorções criadas pelos democratas. Uma armação do começo ao fim.

- Alito é muito bom: Além de mostrar uma paciência que eu nunca teria, o Alito pareceu extremamente inteligente. Ele tinha a maioria dos casos memorizada, e sempre que precisava fazia associação com casos anteriores e explicava a origem dos direitos na constituição. Muitas vezes as perguntas nem eram sobre casos que ele julgou, e mesmo assim ele sabia tudo na ponta da língua. Quando outros juízes de renome como Becker e Garth falaram sobre ele, ficou claro que o Alito não é só bom, mas é um dos melhores juízes atualmente.

- 60's backlash: Os exageros dos anos 60 continuam atormentando os EUA. O Alito disse claramente que seus princípios conservadores nasceram naquela época. Muitas coisas positivas vieram daquele período, como a reafirmação dos direitos dos negros, mas a carga negativa que veio junto não foi pequena. Os exageros atuais do movimento conservador são uma consequência aos exageros dos anos 60.

- It's all about abortion: Eu acho triste que as discussões atuais continuem completamente dominadas sobre o assunto do aborto. É quase como um transe coletivo. Claro que é um assunto importante, mas não deveria ser O assunto como acontece atualmente. Tudo isso porque os Democratas sabem que a decisão inicial de Roe vs Wade foi errada. E ao mesmo tempo, os Republicanos sabem que as consequências sociais de Roe vs Wade foram muito mais positivas do que negativas. Enfim, é uma crise mal resolvida, que acaba tomando lugar de outros assuntos muito mais importantes.

Mas de qualquer forma, considerando o fato de que os Republicanos ganharam poder em todas instâncias e que uma das promessas do Bush foi nomear juízes conservadores, não poderia-se esperar um candidato melhor que o Alito. Ele deve ser confirmado sem problemas.

Saturday, January 07, 2006

Saddam e o Iraque - 1958 a 1980

Um golpe militar liderado pelo general Abdul Karim Qassim derrubou o último Rei do Iraque, Faisal II, em 1958. Faisal II era o terceiro Rei da dinastia Hashemita (a mesma do Rei Abdullah da Jordânia), instalada no poder em 1932 quando o Iraque se tornou independente da Inglaterra. A Inglaterra controlava o país desde 1920, quando a Liga das Nações resolveu criar o Iraque, anteriormente parte do Império Otomano.

Eu não pretendo falar sobre o que aconteceu antes de 1920, mas vale a pena notar que essa lenda de os problemas atuais existem porque "o Iraque foi inventado pelos britânicos" é completamente infundada. A região do Iraque já era usada como um todo pelos Otomanos desde o século 16, e os conflitos entre Sunitas, Xiitas e Curdos não foram criados por essa teórica aglomeração artificial de 1920. Lógico que no papel não existia uma unidade política, e manipulações como o acordo Sykes-Picot tiveram grande influência no Iraque atual. Mas o ponto é que as disputas internas dessa região já existiam há seculos, e foram aparecendo por diversos motivos. Para quem estiver interessado em mais detalhes desse período, esse texto é muito bom.

Voltando ao golpe de 58, Qassim governou o Iraque de Julho de 1958 à Fevereiro de 1963. Ele basicamente foi um isolacionista. Expulsou o resto das tropas britânicas do Iraque, cancelou o "Pacto de Bagdá" (pro-ocidente) e reatou as relações com a União Sovietica. Apesar das tendências comunistas, ele se desenvencilhou do Partido Comunista em 1959, expulsando os partidários de cargos de governo e do exército.

Em 1959, o partido de Saddam (então com 22 anos), Ba'ath, tentou um golpe para retirar Qassim do poder. O Ba'ath não aceitava que Qassim não aderia ao movimento Pan-árabe. O golpe falhou, Saddam foi ferido na perna e teve que se exilar na Síria. Depois mudou para outro bastião Pan-árabe, o Egito, aonde ficou até 1963.

Em 1963, o Ba'ath finalmente chegou ao poder com outro golpe. Mas brigas internas levaram ao enfraquecimento do governo, e somente 8 meses depois de chegar ao poder, foi derrubado por outro golpe militar liderado por Abdul Rahman Arif, sobrinho do Rei Faisal I. Saddam foi preso em 1964. O irmão mais novo de Abdul Rahman, Abdul Salam Arif, governou o Iraque de 1963 a 1966. Depois de sua morte, Abdul Rahman assumiu o governo de 1966 a 1968.

Em 1968 o Ba'ath chegou pela segunda vez ao poder, dessa vez liderado pelo general Ahmed Hassan al-Bakr, parente de Saddam. Depois de ter fugido da cadeia em 1967, Saddam já era um dos lideres do partido. Como recompensa pela conquista, ele foi nomeado presidente do Conselho Revolucionario e vice-presidente do país.

Vale lembrar que o nome completo do Ba'ath é Partido Árabe Socialista Ba'ath. O ocidente não ficou nada satisfeito com a subida ao poder desse pessoal, apesar de não haver nenhuma alternativa muito melhor disponível na época. Tanto que em 1972, Saddam liderou o processo de estatização das petroleiras ocidentais no Iraque, fato que contribuiu decisivamente na crise global de 1973.

O Iraque assinou um acordo com a União Soviética em 1972, e manteve uma forte aliança militar até 1978, quando a morte de comunistas iraquianos levou o pais a ficar mais próximo do Ocidente. Antes disso porém, em 1976, Saddam fez uma famosa visita à França que selou varios acordos comerciais, incluindo a transferência de tecnologia e materiais nucleares. O primeiro reator iraquiano, chamado Osiraq (informalmente chamado de "OChirac"), foi construido e equipado por franceses. Porém, o mesmo foi destruido em 1981 por Israel antes de ser totalmente finalizado. Esse morde e assopra do ocidente continuaria até o começo da guerra do Golfo, em 1991. Também em 1976, Saddam foi nomeado General do Exército e mesmo antes de ser oficialmente promovido a Presidente em 1979, já comandava de fato o Iraque.

Até 1980, graças aos petrodolares e uma relativa estabilidade social (mantida na força pelos diversos grupos da Mukhabarat), o Iraque viveu um periodo de expansão. No fim de 1979, o Iraque tinha reservas de 36 bilhões de dólares e nenhuma dívida externa.

Mas a revolução islâmica no Irã em 1979 tirou o Shah Mohammad Reza Pahlavi do poder, um 'aliado' de Saddam, e aumentou muito a pressão sobre a minoria Sunita no Iraque.

E foi ali que começou a guerra que, no fim das contas, leveria a guerra atual: A guerra Irã x Iraque.

Revisitando o Iraque - 15 anos depois

Daqui 10 dias, em 16 de janeiro, a guerra do Iraque completará 15 anos.

Sim, porque a guerra atual nada mais é do que a continuação daquela começada em 91, quando a coalisão da ONU (leia-se EUA e Inglaterra) começou a expulsar o Iraque do Kuwait.

Para 'comemorar' a data, vou fazer algo que nunca fiz por aqui: um post de várias partes. Eu lí tudo o que é possivel sobre o conflito, e considerando as limitações da nossa imprensa e do bias involuntário da minha perspectiva de morador dos EUA, sei tudo o que há para saber sobre a história.

A motivação para esse multi-post é a enorme ignorância da maioria das pessoas sobre o assunto. Muitas lendas e falácias circulam por ai, principalmente depois do começo da segunda parte da guerra, há tres anos atrás. Acho então que vale a pena o esforço de listar os fatos, e obviamente dar pelo caminho minha opinão sobre os erros e acertos feitos pelas diversas partes envolvidas.

Vou dividir a série em 5 posts:
- Saddam e o Iraque - 1958-1980
- A guerra Irã x Iraque - 1980–1988
- A primeira Guerra do Golfo
- A década da ONU - 1991-2003
- A segunda Guerra do Golfo

Queria completar tudo até o dia 16, mas acho muito difícil. Mas a primeira parte deve sair ainda nesse fim de semana.

Thursday, January 05, 2006

Nanny State going bad!

A cidade de Ottawa no Canadá fez o seguinte experimento: Desde 2002, 17 mendigos alcoólatras receberam free of charge 15 copos de vinho ou sherry por dia. Sim, 15 copos por cabeça, um por hora das 7 da manhã às 10 da noite.

O resultado foi fantástico: A qualidade de vida dos bebinhos melhorou!!! Eles foram menos vezes no setor de emergência do hospital, dormiram melhor, e até cuidaram mais da higiene pessoal.

Ah sim, o pequeno detalhe é que 3 dos 17 morreram durante o experimento. Dizem as más línguas que o vinho não era lá essas coisas, e o sherry era do barato.

Goddamn canadians!

Monday, January 02, 2006

Happiness

Happiness is not to be achieved at the command of emotional whims.

Happiness is not the satisfaction of whatever irrational whishes you might blindly attempt to indulge. Happiness is a state of non-contradictory joy - a joy without penalty or guilt, a joy that does not clash with any of your values and does not work for your own destruction, not the joy of escaping from your mind, but of using your mind's fullest power, not the joy of faking reality, but of achieving values that are real, not the joy of a drunkard, but of a producer.

Happiness is possible only to a rational man, the man who desires nothing but rational goals, seeks nothing but rational values and finds his joy in nothing but rational actions.

Atlas Shrugged

Saturday, December 31, 2005

Que venha 2006!

Querem saber porque eu sou otimista?

Vejam essa lista dos 12 cursos universitários mais bizarros dos EUA. Os meus preferidos foram:

- Sex, Drugs, and Rock ‘n’ Roll in Ancient Egypt
- Lesbian Novels Since World War II

E o melhor de todos: "Taking Marx Seriously: Should Marx be given another chance?"

Se os EUA ainda conseguem prosprerar, apesar de todo esse lixo sendo empurrado goela abaixo da juventude pela dita 'elite intelectual', tudo é possível.

Que venha 2006!

Friday, December 30, 2005

Sobre o Irã

Olha, eu sei lá se esse pessoal é louco o suficiente para atacar Israel, os EUA, ou seja lá quem for.

Mas certas imagens valem mais que mil palavras. Dêem uma olhadinha nesses videos. Vejam o #924, da menina de 3 anos e meio falando sobre os "apes and pigs". Ou melhor, vejam o #964. Ou quem sabe o #972.

A pergunta é: Porquê isso não aparece na grande mídia? Porquê o ocidente todo não se une para pelo menos mostrar o ridículo dessa ideologia insana?

Se a CIA peida ou se o Bush espirra, o mundo cai de pau. Enquanto isso, esse tipo de absurdo continua acontecendo e todo mundo deixa pra lá. E ficam tentando achar culpa no próprio quintal quando esses malucos fazem aquilo que foram treinados durante toda vida.

Esse sim é o maior perigo da nossa civilização acabar em desastre: A completa falta de bom senso.

Wednesday, December 28, 2005

Munich

Fui assistir Munich esperando um filme propaganda à favor dos palestinos. Afinal, depois de ler algumas reviews (essa do NYT é um ótimo exemplo) não tinha como esperar algo diferente.

Se o Spielberg realmente tinha esse objetivo eu não sei. Eu só sei que o resultado final não foi o que eu esperava.

A mensagem que eu vi no filme foi essencialmente que violência é algo terrivel. Que qualquer ser humano, por mais forte que sejam seus motivos, não lida bem com o ato de matar. E que a vingança, mesmo quando justificada, nem sempre tem o efeito desejado.

Não vou nem entrar no mérito se o filme apresenta evidências reais para tudo isso. O aviso no começo deixa bem claro que o mesmo não é um documentário. Se as pessoas não conseguem entender esse conceito, e acham que podem usar filmes de Hollywood para aprender história, não é culpa do Spielberg.

O importante é que, no geral, o filme é interessante. Valeu o preço do ingresso.

E no fim das contas, não vejo nada de errado com as premissas do filme. Não tenho a menor ilusão que qualquer conflito violento, seja ele em Israel, Iraque ou New York, não seja horrível. Também acho que, por mais justificada que seja, guerras nem sempre tem o resultado final desejado. Ironicamente, esse é um dos conceitos que a esquerda menos compreende. Mesmo depois do maior exemplo possível na segunda guerra, onde tivemos que escolher entre Stalin e Hitler.

E tem mais: Eu nem discordo que o terrorismo seja motivado por "injustiças". Obviamente, os palestinos acham uma injustiça Israel existir. Assim como os Bin Ladens da vida acham injusto que o mundo não seja um império islâmico.

Intencionalmente ou não, o Spielberg não tenta propor uma solução alternativa à violência. Aliás, nenhum pacifista propõe uma solução alternativa, a não ser os fringe loonies que acham que os 6 milhões de judeus não tem porque temer os 200 milhões de árabes que proclamam aos quatro ventos que a única resolução é a destruição de Israel.

Mas não é porque a violência é inevitável que temos que deixar de reconhecer seus horrores. E nesse aspecto, Munich foi muito bom.

Saturday, December 24, 2005

Ho ho ho

Thursday, December 22, 2005

Pobre América do Sul

Mais um maluco no poder. Mais um passo para trás.

A parte mais decepcionante dessa eleição do cocaleiro Morales não é a nacionalização das indústrias bolivianas, nem sua política pró-coca. Nem mesmo quem ele considera seus amigos e seus inimigos.

O pior foi ver que na perdeu-se um país que, apesar dos muitos pesares, vinha caminhando na direção certa.

(Heritage Foundation e Fraser Institute)


A Bolívia estava desmoronando em 1985, quando algumas reformas liberais foram implementadas. Apesar de limitadas, essas reformas deram muitos resultados rapidamente.

A hiperinflação, que chegou a 23.000%(!) em Setembro de 1985 caiu para 18% em 1990 e vinha sido mantida em menos de 10% desde 1995.

Crescimento econômico vinha com uma media de 4% ao ano, depois de contrair 10% a cada ano na primeira parte da decada de 80.

A dívida externa foi diminuida de 100% do PIB para menos de 50%.

Nos últimos 7 anos, a situação piorou. Muitas reformas que deveriam ter sido feitas não foram. E como sempre acontece nesse nosso rico porém ignorante continente, o povo resolveu jogar fora 20 anos de melhora e voltar para tudo que já foi tentado e nunca funcionou nos últimos 180 anos.

Pobre América do Sul.

Tuesday, December 20, 2005

Desorientado

Se eu fosse um pouco mais desconfiado, acharia que o João Sayad andou lendo as discussões que temos por aqui (and not taking my side, that's for sure).

Vejam algumas partes do texto que tem um título um tanto estranho: "Talento" (grifos meus)

"Há conservadores e progressistas, "esclarecidos" ou "atrasados".
Conservadores esclarecidos temem e respeitam a fragilidade das instituições e das relações entre humanos. São depressivos.
Progressistas esclarecidos são gente com fé no diálogo e indignação com o estado das coisas. São ansiosos.

Ambos podem ser de direita ou de esquerda. Qual a diferença entre esquerda e direita?"

"Os brasileiros da minha geração vestiriam imediatamente a carapuça da bronca do patrão, segundo essa leitura. Recebemos um grande país cruel que crescia; deixaremos um país cruel que não cresce."

"Na Washington de Bush, é impossível lembrar de Kennedy."

"Direita é quem lê o texto de uma única forma que vira mandamento ou lei. A esquerda relê, e a cada leitura escreve de novo. Direita são os fariseus, os donos dos textos."

"Há gente de esquerda que é de direita. E gente de direita que é de esquerda. Continuo desorientado. Melhor ler de novo."


Desorientado, sem dúvida.

Sunday, December 18, 2005

O valor da inteligência, trabalho e perfeição

Inteligência

Talvez eu tenha dado a impressão errada com meu último post.

O ponto não foi que eu desprezo a inteligência. Pelo contrário, acho um fator muito importante. O que eu quis dizer é que não é o único fator determinante do sucesso de alguém.

Dito isso, não vou negar que pessoas inteligentes tem a possibilidade única de exceder os feitos de uma pessoa menos inteligente. E por inteligência, quero dizer qualquer qualidade natural que uma pessoa tenha. Por mais que eu me esforce, nunca serei um físico nuclear, ou um mestre de matemática. Nunca serei também um ótimo jogador de futebol, ou um grande cantor, pintor ou poeta. Parte do processo é justamente identificar suas qualidades e usá-las da melhor forma possível.

O Alex escreveu que "Ter QI alto só vale de alguma coisa se for pra te fazer trabalhar menos"..."se eu me esforçasse pra tirar 10, imagina quantas horas eu iria perder de ócio, lazer e punhetas em geral".

Eu discordo totalmente.

O esforço vale tanto para uma pessoa de QI alto quanto vale para um de QI baixo. Nada de grande valor é produzido sem grande empenho. Einstein provavelmente poderia ter sido um grande professor de segundo grau, com muito mais tempo livre e menos preocupações. Aposto que todas as horas que ele passou produzindo sua teoria da relatividade não vieram sem dificuldade.

Trabalho e perfeição

Eu acredito que o ser humano foi feito para construir. Das ferramentas de pedra até a mais avançada tecnologia, buscamos sempre maneiras diferentes de modificar nosso mundo. Buscamos construir o que achamos ser necessário, não somente para proporcionar nosso lazer mas para viabilizar o que achamos ser um mundo melhor, incluindo a possibilidade de lazer. Se nosso objetivo fosse somente o ócio, ainda estaríamos vivendo nas cavernas, isolados e subexistentes.

Não estou dizendo que todos devem se matar de trabalhar e não ter diversão nenhuma. Muito menos que só podemos ser felizes se formos perfeitos. A vida é uma seqüência de escolhas, cada uma com uma troca associada. Quem têm a oportunidade e não reserva tempo suficiente para lazer acaba sofrendo as conseqüências em todas áreas da vida, incluindo trabalho.

Eu já tive meus periodos de desocupação e não era mais feliz. E pelo que eu já observei na minha vida, a enorme maioria das pessoas não é mais feliz porque tem mais tempo livre. As pessoas mais felizes são aquelas que tem um objetivo de vida.

E o ponto não é somente ganhar dinheiro. Dinheiro é uma ferramenta. A coisa mais comum do mundo é conhecer herdeiros de fortunas que são completamente infelizes. A Ayn Rand disse tudo que precisa ser dito sobre isso: "no man may be smaller than his money".

Saturday, December 17, 2005

Self-discipline



Durante toda minha infância eu fui um aluno medíocre. Naquela época, eu não sabia que meu QI era alto. Acreditava que eu era average, e acho que todos a minha volta também achavam o mesmo. Lembro claramente que meu objetivo era sempre descobrir o limíte do mínimo esforço necessário para passar de ano. Quando mudei de escola e a nota de corte mudou, me adaptei imediatamente. Independete da matéria eu nunca ficava longe da média, nem para cima nem para baixo, com pouquíssimas exceções.

Eu vejo basicamente duas explicações para esse comportamento:

- Eu tinha muito poucos incentivos para tirar notas altas. Minha familia só se interessava em que eu passasse de ano. A escola não oferecia prêmios, clubes, nada. As matérias eram pouco interessantes, e de pouca aplicação prática. Na verdade, os incentivos eram negativos. Ser um 'CDF' era péssimo socialmente. Além disso, como as poucas diversões oferecidas (esportes) não eram conectadas com o desempenho escolar, as mesmas competiam (e ganhavam) pelo meu tempo que teoricamente seria dedicado ao estudo.

- Eu acreditava que inteligência era a única responsável pelo sucesso escolar. Mais, achava que pessoas realmente inteligentes conseguiam tudo que queriam facilmente. Quem precisava se esforçar na verdade eram os burros. Os professores sempre diziam "Ah, o Pedrinho é um ótimo menino. Não muito inteligente, mas muito esforçado!". Se eu não conseguia notas altas automaticamente, era porquê eu não era inteligente o suficiente. Qualquer esforço seria somente uma admissão de burrice.

Essa situação continuou até eu começar a trabalhar, quando os incentivos mudaram e a importância da Self-discipline ficou evidente. Até voltei para a escola para fazer meu mestrado, só para provar que era isso mesmo.

O problema da falta de incentivos nas escolas é bem óbvio. O que mais me intrigou foi pensar nessa cultura que desmerece a aplicação e a disciplina. Aqui nos EUA, assim como em outras partes do mundo, esse tipo de associação não existe. Ou pelo menos é bem menor.

Meus amigos progressistas que me perdoem, mas eu acho que esse problema tem muito a ver com a visão anti-capitalista do mundo que eles têm. Afinal, se o QI é o único determinante do sucesso de uma pessoa, ninguém tem culpa de nada. O sistema todo é pré-determinado e o resultado final sempre será o mesmo.

O artigo linkado não demonstra que a self-discipline não é passada genéticamente. Entretanto, acho que fica bem mais difícil propagar e justificar essa idelogia de "from each according to one's ability, to each according to one's need" baseado numa característica tão obviamente controlável como a disciplina.

Monday, December 12, 2005

We are what we repeatedly do

A irracionalidade desse espírito assistencialista sempre me deixa perplexo.

Ai você pensa (como eu já pensei): "Ah, isso só acontece porque o governo não precisa dar satisfações à ninguém, e no fim das contas, o povo não entende a tecnicalidade desse tipo de programa".

Nope. Todos entendem. Eles querem almoços de graça. Ou dito de outra forma, querem dividir a conta na porrada. E coitado de quem discordar.

A maior diferença atual entre um país que vai para frente e um que vai para trás é que um consegue crescer mais rápido que o apetite dos looters, e outro não.

Alguns países balançam, bem ali no meio do caminho. Outros, parece que nunca aprendem.

Mas o que fazer quando certos "intelectuais" insistem na sua doutrina desonesta, apesar de todas as evidências mostrarem o contrário?

Como melhorar quem não quer ser melhorado?

Friday, December 09, 2005

Esquerda vs Direita - Again

Essa discussão lá no SSB foi animada, mas talvez por causa da empolgação, o pessoal estava comparando apples and oranges a cada 2 frases. Aqui vão meus two cents:

Primeiro de tudo, é totalmente necessário se separar os três âmbitos em discussão: forma de governo, doutrina econômica e politica social.

Economicamente, o espectro de opções vai de comunismo (aonde o governo controla todos os aspectos) ao "laissez-faire puro", aonde o governo não tem envolvimento nenhum. Atualmente, todas as economias do mundo estão entre um extremo e o outro. Além disso, o intervencionismo estatal também pode ser classificado em níveis. O primeiro é o dos impostos, taxas e tarifas. Depois temos as intervenções diretas na produção privada, como as diversas formas de subsídio, quotas, banco central, controle de preços, etc. Por último, temos a estatização da produção, que é a mais grave. Quanto mais empresas estatais (em proporção ao PIB), mais perto do comunismo. Claro que essas regras são subjetivas. Os dois mais famosos índices de liberdade econômica (Heritage Foundation e Fraser Institute) são dois exemplos de modelos diferentes.

No lado social, as opções vão de libertários aos tradicionalistas. Os tradicionalistas sendo aqueles que pregam o respeito e obediência as regras morais pré-estabelecidas, enquanto os libertários são os que pregam a dissolução (ou mudança drástica) das mesmas.

Sobre a forma de governo, temos em um extremo a anarquia (nenhum governo) e do outro lado o totalitarismo (ou governo total).

Todas as diversas opções desses três grupos podem se misturar. Podemos ter uma ditadura tradicionalista comunista, uma democracia libertária socialista, uma monarquia conservadora capitalista, etc.

Na teoria, economias que se aproximam do comunismo promovem governos autoritários. Primeiro porque para controlar a atividade econômica é preciso de muita gente, o que cria mais incentivos para corrupção, abusos de poder, e consequentemente a manutenção do poder na base da força. Segundo, porque quando o governo se envolve na produção, os mecanismos de competição não funcionam como deveriam e a tendência é que quem está no poder tenha mais chances de se manter no topo a todo custo.

Porém, certos níveis de autoritarismo convivem temporariamente bem com sistemas capitalistas. O Chile é o exemplo mais famoso. Mas no geral, os governos autoritários que permanceram no poder por longos períodos tendem a intervir fortemente na economia.

Na área social, muitos defendem a tese de que abertura econômica leva a abertura social. Outros dizem que "equalização" econômica (socialização) leva a maior abertura social. Na prática, nenhum dos dois casos sempre acontece. Os países comunistas tinham (os que sobraram ainda tem) péssimo histórico de direitos humanos. Entretanto, alguns paises que abriram suas economias recentemente (China é o maior exemplo) ainda não tiveram melhora significativa nos direitos sociais.

Só mais algumas oservações sobre ditaduras: O Nazismo e Fascismo juntavam elementos de direita e esquerda. Eles se aliaram a iniciativa privada, mas aumentaram a influência do governo em diversos aspectos. Somente certas empresas privadas (com influência no governo) prosperavam, e muitos argumentam que essa situação se tornaria insustentável a longo prazo. O governo controlava aspectos financeiros, principalmente alocação de crédito. Além disso, ao mesmo tempo em que eles eliminaram os sindicatos privados, construiram um gigantesco sindicato estatal. Ao mesmo tempo em que não estatizaram empresas privadas (só as que pertenciam aos judeus), construiram gigantes como a Volkswagen.

Mesmo nos aspectos sociais, os nazistas e fascista misturavam conceitos de direita e esquerda. Todo o aspecto racial e militarista pode ser ligado ao tradicionalismo europeu, enquanto os idéias de aumento de renda da camada mais pobre e harmonização das crises globais (os nazistas achavam que a crise de 29 foi arquitetada pelos judeus) eram ligadas (mesmo que por vias tortas) aos progressistas da época.

A ditadura do Brasil segue mais ou menos o mesmo caminho. Foi criada para evitar um possível golpe comunista, mas passou longe de implantar qualquer sistema capitalista liberal. As reservas de mercado, restrições trabalhistas, aumento do número de funcionários públicos, eram todas medidas identificadas com a esquerda.

Enfim, acho bobagem tentar enquadrar sistemas totalitários com uma ideologia (com a possível e discutível exceção dos golpes comunistas do começo do século XX). Toda ditadura, por mais poderosa que seja, é mais refém do seu povo do que qualquer democracia. Numa democracia tudo que seu partido precisa é da maioria. Numa ditadura, a minoria pode criar muito mais problemas. Esses governos tendem a ser extremamente populistas, e dai vem essa mistureba de medidas.

Ditaduras sempre acabam. E por bem ou por mal, nunca tivemos tão poucas como atualmente, o que torna essa discussão um tanto ultrapassada.

Monday, December 05, 2005

TETRACAMPEÃO

O bom nem sempre é bonito


Tevez, o Monstro da raça

Meus amigos que ficaram no lado de baixo da tabela (Championship challenged como diriam os americanos) me provocaram dizendo que a comemoração desse titulo não foi das melhores.

Eles tem razão, mas pelos motivos errados.

O problema não foi o suposto favorecimento da arbitragem, ou a falta de brilho desse time. Sobre o favorecimento eu falo depois, e sobre o time, contando com todos os titulares, acredito que este seja melhor que os outros 3 campeões.

O problema desse campeonato foi outro: a fórmula dos pontos corridos. Para variar, o Brasil importa o que há de pior na Europa.

O pessoal que gosta desse esquema diz que é a fórmula mais justa, que vence o time mais constante, que tem o melhor elenco e planejamento. Concordo 100%. Só existe um probleminha: Os torcedores não estão atrás de justiça e constância, e sim de emoção.

Não existe coisa mais emocionante do que uma final. Final de verdade, com casa lotada, e que se acabar empatada vai para os pênaltis. O nervosismo de colocar 6 meses de campeonato em 90 minutos, a possibilidade de jogadores que não fizeram nada o ano inteiro virar heróis. Adrenalina pura.

Os defensores da formula atual rebatem dizendo que em pontos corridos todo jogo é uma final. Oras, usando a frase do Incredibles, tudo que isso quer dizer é que nenhum jogo é realmente uma final.

Imaginem se tivessemos agora oitavas de final entre Corinthians x Cruzeiro, Internacional x Paraná, Goiás x Atlético-PR e Palmeiras x Fluminense. Imaginem se Corinthians e Inter tivessem que jogar mais 2 vezes, no Beira Rio e Morumbi lotados.

Terminar um campeonato perdendo um jogo que acabou não valendo nada realmente é frustrante. E não poderia ser de outra maneira. Na verdade, poderia ter sido muito pior, com o campeonato acabando da mesma forma há 3 semanas atrás (se não fosse o gol impedido do Inter contra o Brasiliense).

O que na teoria é justo, na prática vira burocrático e chato. No campeonato de pontos corridos, a emoção é somente um detalhe.

---x---

A moral imoral


Se não fosse pelo gol irregular do Goiás (3 jogadores claramente impedidos) toda essa choradeira do Inter não estaria acontecendo.

Mas o mais irônico de toda essa situacao é que o time que se diz "campeão moral" é o mesmo que quer fazer valer os jogos aonde o juiz declaradamente roubou. Também é o time da mala preta, e o time que, na maior cara de pau do mundo, não admite estar usando um torcedor testa de ferro e a federação gaúcha na briga com a CBF.

E para completar a festa, fizeram a volta olímpica (depois de perder de um time rebaixado) mas decidiram não ir à justiça comum porque correm perigo de perder a vaga na libertadores.

Uma moralidade bem perneta essa colorada.

---x---

Título merecido



Ano

Jg

V.

%

E.

%

D.


%


G.P.

Média


G.C.

Média

1990


25

12

48%

8

32%

5

20%

23

0.92

20

0.80

1998

32

18

56%

7

22%

7

22%

57

1.78

38

1.19

1999

32

15

47%

9

28%

8

25%

54

1.69

49

1.53

2005

42

24

57%

9

21%

9

21%

87

2.07

59

1.40

Sunday, December 04, 2005

Hell yeah

Friday, December 02, 2005

Bad News Media

É considerado normal que a mídia seja atraída por notícias negativas. "Boas notícias não vendem jornal", como diz o ditado.

Seria essa uma questão de demanda ou uma certa limitação da oferta?

A situação atual da economia americana é um prato cheio para a análise desse problema:

Durante a campanha presidencial de 2004, quando a retórica política andava a toda, a porcentagem do povo americano que acreditava que o país estava em recessão era de 36%. Agora, um ano depois, com um PIB 3.7% maior e com o desemprego caindo de 5.5% para 5%, a porcentagem subiu para 43%.

E não é difícil entender porque tanta gente acredita nisso. Nos jornais, na TV, qualquer notícia é transformada em algo negativo.

Essa semana foi divulgado que a economia cresceu 4.3% (anual) de Julho até Setembro. 215 mil empregos foram criados em Novembro, e os gastos dos consumidores, que contam por 70% da economia, aumentaram também 4.2% na taxa anual. A taxa de desemprego continua em 5%. O preço da gasolina continua caindo.

Mas se você for no Google News e buscar por economia, a primeira que aparece é "Fed Chief Sees Risks for Global Economy".

Abra a seção de Business do NYT: Acima da reportagem sobre o aumento de empregos, estão headlines para "Sales of Impotence Drugs Fall, Defying Expectations e "Are Lawyers Being Overbilled for Their Test Preparation?".

Atualmente um número recorde de 69.2% dos americanos tem casa própria, mas tente procurar por noticias sobre "Home Ownership" e o resultado é deprimente.

Será que esse negativismo é algo natural ao ser humano? Ou será que existe um componente político/ideológico nesse tipo de situação?

Thursday, December 01, 2005

Falando na Slate



Dois bons artigos do Christopher Hitchens:

The Perils of Withdrawal
Why Ask Why?

Tuesday, November 29, 2005

Lieberman

"I have just returned from my fourth trip to Iraq in the past 17 months and can report real progress there. More work needs to be done, of course, but the Iraqi people are in reach of a watershed transformation from the primitive, killing tyranny of Saddam to modern, self-governing, self-securing nationhood--unless the great American military that has given them and us this unexpected opportunity is prematurely withdrawn."

"It is a war between 27 million and 10,000; 27 million Iraqis who want to live lives of freedom, opportunity and prosperity and roughly 10,000 terrorists who are either Saddam revanchists, Iraqi Islamic extremists or al Qaeda foreign fighters who know their wretched causes will be set back if Iraq becomes free and modern. The terrorists are intent on stopping this by instigating a civil war to produce the chaos that will allow Iraq to replace Afghanistan as the base for their fanatical war-making. We are fighting on the side of the 27 million because the outcome of this war is critically important to the security and freedom of America. If the terrorists win, they will be emboldened to strike us directly again and to further undermine the growing stability and progress in the Middle East, which has long been a major American national and economic security priority."

"In the face of terrorist threats and escalating violence, eight million Iraqis voted for their interim national government in January, almost 10 million participated in the referendum on their new constitution in October, and even more than that are expected to vote in the elections for a full-term government on Dec. 15. Every time the 27 million Iraqis have been given the chance since Saddam was overthrown, they have voted for self-government and hope over the violence and hatred the 10,000 terrorists offer them. Most encouraging has been the behavior of the Sunni community, which, when disappointed by the proposed constitution, registered to vote and went to the polls instead of taking up arms and going to the streets. Last week, I was thrilled to see a vigorous political campaign, and a large number of independent television stations and newspapers covering it."

"Here is an ironic finding I brought back from Iraq. While U.S. public opinion polls show serious declines in support for the war and increasing pessimism about how it will end, polls conducted by Iraqis for Iraqi universities show increasing optimism. Two-thirds say they are better off than they were under Saddam, and a resounding 82% are confident their lives in Iraq will be better a year from now than they are today. What a colossal mistake it would be for America's bipartisan political leadership to choose this moment in history to lose its will and, in the famous phrase, to seize defeat from the jaws of the coming victory."


Joe Lieberman, senador Democrata para o WSJ

This I believe

The God Who Embraced Me

There Is No God

Sunday, November 27, 2005

Deadly storms, stupid worms and markets on everything

Essa reportagem do Washington Post fala sobre o recente aumento dos furacões nos EUA.

Diferente do que os 'destruidores' da vida pensam, não há concenso sobre o que está acontecendo. A maioria dos cientistas aliás, acha que o aumento faz parte da flutuação natural desses fenômenos. Como diz um ex-diretor do hurricane research "In the sense of the history of scientific ideas, we're either in the middle of a paradigm shift or a false paradigm shift. The situation would be deliciously ambiguous if there were not thousands of lives and billions of dollars on the table."

Economicamente, a situação é complicada por outros motivos. A migração para a Flórida continua forte. Os preços por lá não param de subir, o que é bom para a economia local mas ruim para o bolso dos contribuintes. Afinal, será que é justo eu pagar pela recuperação de cidades que não param de crescer, mesmo quando os moradores sabem que o perigo de destruição é alto? Será que não é por isso que eles continuam mudando para lá?

Ou será que daqui a pouco o governo, usando a famosa lógica circular, vai querer determinar aonde alguem pode morar ou não?

Ah, essas unintended consequences.

Saturday, November 26, 2005

Maybe not smarter



But definitely more connected...

Tuesday, November 22, 2005

Pobre juiz

Sim, o Márcio Resende de Freitas errou. Foi pênalti, assim como o gol do Botafogo em 95 foi ilegal e o do Santos anulado incorretamente. O Maradona meteu a mão na bola, o gol da Alemanha não entrou, e por ai vai.

Em cinco minutos poderia citar uns vinte erros decisivos em jogos de futebol. Isso no Brasil. O assunto não é novidade nenhuma. Novidade foi o Edilson Pereira da Silva, um corrupto que foi pego (diferente de muitos outros que se safaram). Todos concordaram que os jogos 'roubados' deveriam ser jogados novamente, e os que choram agora são os que não conseguiram vencer. Típico.

Mas como sempre, os que reclamam hoje vão ser beneficiados de amanhã. Essa é, aliás, a única 'regra' que mantem o sistema da maneira que é. Quem diz que esse campeonato é uma aberração, um campeonato manchado, uma 'vergonha', ou começou a assistir futebol em Janeiro ou não sabe nada de futebol. Zilch.

Esses erros acontecem muitas vezes por simples limitação humana. Já provaram cientificamente que os bandeirinhas não conseguem marcar impedimentos. Mas ficou por isso mesmo. E falando em limitações, a maior delas é o próprio sistema de arbitragem. Os árbitros não conseguem estar 90 minutos no lugar certo porque são gordos, e além do mais, arbitrar um jogo de futebol não é nem profissão no Brasil. Pior ainda, os mais experientes são ainda mais lentos, e acabam sendo escalados para as decisões porque os jovens são piores ainda.

E qual é a solução? Tecnologia e bom senso. No futebol americano os replays já são usados há alguns anos, e o resultado é muito bom. Pelo menos se acaba com os erros absurdos. Quanto ao profissionalismo, não é nem preciso uma solução radical. Na NBA, os árbitros são 'semi-profissionais', isto é, durante a temporada eles só apitam jogos. Isso já faz uma diferença tremenda.

Reclamar é fácil, ainda mais quando o beneficiado é o time mais popular (e consequentemente mais odiado) do Brasil.

Mas não vai adiantar nada.

Monday, November 21, 2005

Something is not right

Meu resultado:


Resultado do SSB


Três opções:
- Esse teste é furado.
- Blogs são realmente um péssimo meio de comunicação.
- Smart e eu somos a mesma pessoa, e vocês todos cairam.