Friday, January 14, 2005



Sexta, 14 de janeiro, 2005

Americanos e europeus

A Harris Interactive fez uma pesquisa sobre como os americanos e europeus julgam sua imprensa e governo. Os resultados são interessantes:

- 62% dos americanos não confiam na imprensa contra 22% que confiam (quase 3-1). Os Europeus se dividem, 47% e 46%.
- 43% dos americanos confiam no rádio (leia-se talk radio, primariamente conservador) contra 33% que não. 62% dos europeus também confiam no rádio, contra 29% que não.
- 58% dos americanos não confiam na TV contra 22% que sim. Os europeus discordam, com 54% que confiam contra 39% que não. Interessante que a maioria dos europeus lidam mais com TVs estatais do que os americanos.
- Americanos (55% contra 27%) e europeus (63% contra 28%) não confiam nos respectivos governos. Mas com uma diferença: os americanos desconfiam da ONU (44% contra 30%) enquanto a maioria dos europeus (49% contra 34%) botam fé em Annan e sua turma.
- Uma grande maioria dos americanos e europeus confiam na sua polícia, exército e instituições de caridade e trabalho voluntário. Do outro lado, ambos não confiam em grandes empresas, sindicatos e no seu sistema judiciário.

Thursday, January 13, 2005



Quinta, 13 de janeiro, 2005

Novos links

Pessoal novo que ando lendo, daqui e de lá:

Brazucas
Delance
Filisteu
Yabbai

Estadunidenses (como diriam meus amigos tutti anti)
Belmont Club
Kevin Drum
Neologistic

E falando em blogs, não sei o que anda acontecendo com o Andrew Sullivan. Ele já foi por um bom tempo um dos meus preferidos, mas atualmente ando chato de doer.
Daqui a pouco eu desisto de vez.

Wednesday, January 12, 2005



Quarta, 12 de janeiro, 2005

Mais uma do Kristof

Diz a manchete do UOL: "Sistema de saúde de Cuba é melhor que dos EUA"

Obviamente o título foi mal traduzido (o original é "Health Care? Ask Cuba") mas esse é o menor dos problemas nesse caso. Da mesma maneira que o Kristof (que vem tomando o lugar do Bob Herbert como pior colunista do NYT) tinha mostrado somente parte dos fatos sobre as doações americanas para países pobres, novamente ele manipula os dados nessa comparação entre a taxa de mortalidade infantil cubana e americana (citada como 6.0 vs 7.2 por 1000).

Primeiro de tudo, o assunto não é novo. O mestre Moore espalha esse tipo de propaganda há tempos. O Kristof deve estar sem ter o que escrever. Tanto que o melhor artigo que eu achei sobre o assunto foi de 2002. O problema é o seguinte:

- Nos EUA 30 a 40% das mortes de recém-nascidos ocorre no dia do nascimento. Isso acontece porquê os EUA são os líderes mundiais em manter bebês prematuros vivos. A morte de um prematuro não é nem contada na maioria dos outros países, inclusive europeus. Um fato que comprova isso é que a porcentagem de crianças que nascem com menos de 1.5Kg nos EUA é de 1.3%, e somente 0.4% em Cuba. A própria World Health Organization permite que somente partos de mais de 1Kg sejam considerados para estatísticas. A chance de sobrevivência dessas crianças com menos de 1Kg é geralmente de 50%.

- Os EUA também são um dos países mais avançados em inseminação artificial. E nesse tipo de gravidez, a chance de nascimentos 'múltiplos' é maior, e consequentemente a porcentagem de partos complicados aumenta.

Além de tudo isso, o Kristof escolheu o ano em que os números tiveram a maior diferença. Ele mentiu quando disse que não existem dados para 2003. É só conferir aqui.

Mais um belo exemplo de como é facil manipular os números and get away with it.

Tuesday, January 11, 2005



Terça, 11 de janeiro, 2005

Zimbábue, Namíbia... Venezuela?

Quem disse que a África tem o monopólio do atraso patológico no planeta?

El Comandante não me deixa mentir. Segundo o Financial Times:

"Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, ordenou nesta segunda-feira (10/01)que seu ministro do Interior realize uma revisão nacional dos títulos de terras, em uma tentativa de regular um crescente mas até o momento caótico programa de redistribuição de terras."

"O primeiro alvo do governo foi tomado no fim de semana, com a "apropriação" oficial de El Charcote, uma fazenda de criação de gado de 13 mil hectares pertencente ao lorde Vestey, um magnata inglês de carne. As propriedades do lorde Vestey na Venezuela, incluindo várias outras fazendas, são as maiores produtoras de carne do país."

"Os proprietários de terras não têm nada a temer se suas propriedades forem produtivas", disse Aleman, vestindo uma camiseta com a imagem de Che Guevara, o ícone revolucionário da América Latina."

"Lorde Vastey disse que sua família comprou a propriedade em 1903. Segundo Diana Dos Santos, administradora da fazenda de gado de Vestey, invasores ocuparam até 90% da propriedade. Nas últimas semanas, vários outros governadores provinciais pró-Chávez iniciaram ações para tomada de propriedades.

Dezenas de propriedades por toda a Venezuela deverão sofrer "intervenção" nas próximas semanas. Apesar de existir uma lei de reforma agrária, nenhuma regra regula o processo, uma situação que o decreto de Chávez supostamente resolverá.

Até o momento, o processo tem sido caótico. Na província de Cojedes, duas facções camponesas rivais, uma alinhada com o governador local e outra rival dele, estão em desavença em sua disputa pelas terras. "Eu espero receber um pedaço de terra do governo antes que outra pessoa a receba", disse Baldemar Gonzalez. "A empresa inglesa não tem direito de estar aqui".


Quem será o próximo escolhido para esse grupo seleto? Hmmm...

Friday, January 07, 2005



Sexta, 7 de janeiro, 2005

Todos os dados sobre os "stingy" americans

Todos sabiam que a imprensa ia achar algum jeito de culpar os EUA pelo desatre do Tsunami. Era só questão de saber como. O "Egghead" da ONU deu o sinal, e a matilha seguiu contente da vida.

De tudo que eu li sobre o assunto, o melhor foi esse post do Daniel Drezner. Resumindo:

- Os EUA são os maiores doadores para assistência de desastres em valores absolutos. Quando se considera a proporção do PIB, são número 9 entre os 21 países mais ricos (OECD). Considerando que países menores não precisam cumprir certas funções como altos gastos militares, muitos acham justo que a comparação seja feita entre os G-7 (grupo dos 7 mais ricos). E nesse caso, os EUA são número 2, atrás somente da Grã-Bretanha. Não achei dados que incluam outros fatores além de dinheiro nesse tipo de situação, o que provavelmente aumentaria a contribuição americana. Mais de 13 mil soldados americanos estão envolvidos na distribuição de ajuda na Ásia.

- Falando sobre assistência a países pobres no geral, a análise é mais complicada. Se considerarmos somente dinheiro (excluindo transferências de dinheiro particulares, o que é polêmico) os EUA ocupam a posição 19 de 21. Obviamente, esse ranking é o único citado em todos artigos anti-americanos, como esse editorial do Kristof (mal traduzido novamente como "Tsunami confirma a fama de pão-duro dos EUA" pelo horrível UOL). A figura muda significativamente quando são incluidos outras formas de ajuda como trade, investmentos, migração, meio-ambiente, tecnologia, e segurança. Nesse caso, os EUA ficam com o número 7 entre 21, e terceiro entre os G-7.

Como sempre, o último objetivo da imprensa é informar imparcialmente. Eles querem formar uma opinião, seja implicitamente como o NY Times ou ridícula e explicitamente como o UOL. E o pior de tudo é que funciona. Tentem achar esses dados em qualquer jornal de grande circulação. Impossível.

Wednesday, January 05, 2005



Quarta, 5 de janeiro, 2005

Ranking de liberdade econômica

Saiu a edição 2005 do Ranking de liberdade econômica publicado pelo Heritage Foundation e The Wall Street Journal.

Os EUA ficaram fora dos Top 10 pela primeira vez desde que o ranking foi criado 11 atrás, e ocupam o décimo segundo lugar. Segundo este artigo, os principais motivos para a queda dos EUA foram: aumento de burocracia (motivada pelos escandalos corporativos), medidas anti-dumping, impostos altos e porcentagem de gastos do governo em relação ao PIB. Mas apesar de tudo, os EUA ainda fazem parte do grupo de 17 países considerados "free".

Hong Kong continua liderando o grupo, e a surpresa do ano é a Estônia em quarto lugar.

O nosso Brasil lula-liberal aparece no grupo dos "mostly unfree", na posição 90 (de um total de 155 países). Estamos atrás de paises como Líbano, Sri Lanka, e até mesmo a Namíbia ...

Vale notar que a média do PIB per-capita dos paises considerados "free" é de US$29.219 , mais que o dobro dos "mostly free" (US$12.839) e quatro vezes maior do que os "mostly unfree", do qual fazemos parte.

Coincidência? I don't think so.

Tuesday, January 04, 2005



Terça, 4 de janeiro, 2005

Ethical Philosophy Selector

Falando em utilitarismo, fiz esse teste do Ethical Philosophy Selector um tempo atrás e achei interessante.

Meus resultados:
1. John Stuart Mill (100%)
2. Ayn Rand (82%)
3. Kant (79%)
4. Jean-Paul Sartre (74%)
5. Aristotle (72%)
6. Jeremy Bentham (71%)
7. Prescriptivism (69%)
8. Epicureans (59%)
9. Aquinas (57%)
10. Spinoza (53%)
11. Plato (48%)
12. Stoics (40%)
13. St. Augustine (37%)
14. Thomas Hobbes (36%)
15. Ockham (33%)
16. David Hume (31%)
17. Nel Noddings (21%)
18. Nietzsche (20%)
19. Cynics (15%)

Monday, January 03, 2005



Segunda, 3 de janeiro, 2005

Desastre no sistema de saúde na Nova Zelândia

Mais uma prova de que a solução estatal simplesmente não funciona. Em 2004 1,166 pessoas morreram na lista de espera do sistema de saúde na Nova Zelândia, um Pais com PIB per capita muito próximo ao da Espanha. Essa lista de 2004 incluia 62,201 pessoas esperando por cirurgias e outras 113,451 esperando por consultas com especialistas. Um total de 175,652 pessoas num país com menos de 4 milhões de habitantes. 3,554 desistiram de esperar e tiveram que pagar por tratamento particular (mas continuam pagando os impostos para o programa público, of course).

Saturday, January 01, 2005



Domingo, 2 de janeiro, 2005

Namíbia vai no embalo

E não é que o exemplo do Zimbábue está fazendo escola?

Agora é a Namíbia que está "redistribuindo" fazendas de brancos para negros. Na marra, of course. "If you aren't already a racist, they make you a racist," Andreas Wiese, a fourth-generation white farmer, told the New York Times.

E assim prospera a pobreza, fome, e o velho conhecido racismo no continente perdido no tempo.



Sábado, 1 de janeiro, 2005

Objetivismo

Sempre que quero me informar sobre algo, começo pelas opiniões negativas. E falando sobre Objetivismo (e consequentemente Ayn Rand), achei essa página bem útil. Pode-se achar nela todo tipo de crítica: reviews dos livros, disputas filosóficas, e até ataques pessoais.

Um texto que me chamou atenção foi esse resumo da trajetória do Objetivismo. Foi a partir dele que cheguei no site que mais me agradou: Institute for Objectivist Studies (Objectivist Center). Esse centro foi criado por David Kelley, um seguidor de Rand que adotou uma interpretação mais flexível do Objetivismo. Nesse site se acha textos bem interessantes, como essa comparação entre liberalismo e objetivismo, e vários editoriais sobre diversos tópicos.

Pelo que lí até agora, não diria que me identifico totalmente com a filosofia, mesmo a versão mainstream de Kelly. Acredito em vários conceitos Objetivistas: o de que existe um lugar para o governo mínimo (mesmo com todos os perigos derivados do monopólio da violência), a existência de valores universais, e de que coletivistas vivem da exploração da vida dos outros. Porém, acho que nem tudo pode ser derivado do racionalismo, nem todo defensor do coletivismo é igualmente culpado ou deve ser desprezado, e mesmo o conceito de egoísmo tem seus limites.

Tenho que admitir entretanto que não sou um entusiasta de Filosofias no geral. Principalmente na área de epistemologia. Reconheço a importância do assunto, mas simplesmente não me atrai. Acho que essa busca por uma receita de bolo que explique todo e qualquer pensamento e suas origens cai sempre nume generalização fútil.

Consequentemente, não vejo problema algum de concordar com partes do Objetivismo e discordar de outras. Assim como faço com o Liberalismo, Conservadorismo, etc. Lendo a história da Ayn Rand, fico com a impressão de que inicialmente ela também não queria entrar nessa, mas acabou sendo puxada pelo próprio sucesso dos livros. Uma triste ironia, me lembrou o Gail Wynand.

Independente de tudo isso, continuo com minha opinião de que The Fountainhead é um ótimo livro. Uma bela história de liberdade e individualismo. Planejo ler Atlas Shrugged e os outros dois romances.

Mas não vou vestir a camisa e sair por ai dizendo que descobri o sentido da vida. Sorry Ayn.

Thursday, December 30, 2004



Quinta, 30 de dezembro, 2004

The Fountainhead (A Nascente)



Acabei de ler The Fountainhead (A Nascente) e ainda estou atordoado. O livro é impressionante. Um pouco longo (694 páginas) e over the top aqui e ali, mas ainda assim fantástico.

Ayn Rand nasceu em 1905 na Rússia e imigrou para os EUA em 1926. Escreveu somente quatro romances: The Fountainhead, Atlas Shrugged, Anthem e We the Living.

Além do The Fountainhead, o único outro livro traduzido para o português foi Atlas Shrugged (Quem é John Galt?). Os dois livros são bem difíceis de achar no Brasil. O Instituto Liberal parece ser a única fonte garantida. No Submarino o Quem é John Galt? aparece como "NÃO DISPONÍVEL".

Como disse o Alexandre, a falta de tradução e atenção aos livros da Ayn Rand explica e muito a situação do Brasil.

Não conheço melhor defesa da liberdade e individualismo do que o The Fountainhead. Mais efetivo que qualquer livro de economia, mais provocador que a maioria dos livros de filosofia, e tão interessante quanto as melhores ficções que eu já li. O livro foi publicado em 1943, mas continua assustadoramente atual. Ellsworth Toohey seria um ótimo substituto para o Gushiken, poderia ser o melhor amigo do Michael Moore, ou forte candidato à sucessor do Kofi Annan.

O universo do livro é baseado na filosofia criada por Ayn Rand, o Objetivismo. Ela define a mesma como "the concept of man as a heroic being, with his own happiness as the moral purpose of his life, with productive achievement as his noblest activity, and reason as his only absolute."

Enfim, adoraria dar uma cópia de Fountainhead como presente para todos meus amigos. E duas para todos os outros.

Quem tiver a chance de ler, leia. Hoje.

Tuesday, December 28, 2004



Terça, 28 de dezembro, 2004

"Stingy" americans

Ah, os sábios da ONU são realmente um patrimônio mundial.

Quer dizer então que os EUA são "stingy"?

O velho double-standard de sempre. O governo dos EUA já contribuiu com 35 milhões de dólares para essa tragédia na Ásia, além de pessoal e equipamento. E obviamente doarão mais. Por ano, o governo americano doa 10 bilhões de dólares em ajuda humanitária. E mais importante, as doações privadas chegam a 34 bilhões.

Qual foi a contribuição até agora dos governos combinados da União Europeia? 4 milhões.

E novamente só estamos falando de números do governo. Outras tantas instituições privadas estão se movimentando e muitas pessoas contribuem com o desenrolar da história. O Amazon.com por exemplo, está recolhendo doações pela Net. Quando escrevi esse texto, o valor já chegava aos 500 mil dólares. My donation included.

Então Mr.Jan Egeland, aqui vai uma dica: shut the fuck up.

Monday, December 27, 2004



Segunda, 27 de dezembro, 2004

Intelligent design

O distrito de Dover na Pennsylvania será o primeiro a incluir a "teoria do design inteligente" no currículo de biologia das escolas de segundo grau. Essa experiência está gerando muito barulho porquê alguns consideram que o ensino da mesma viola a separação do Estado e Igreja definida na constituição americana.

Pelo que eu lí sobre essa tal teoria, não vejo motivo para tanta revolta. Afinal, nenhum Deus ou religião específica é usada como explicação para criação do universo. A teoria simplesmente diz que o universo é complexo demais para ter sido criado ao acaso, e que os evolucionistas não conseguem provar o contrário. Enfim, um argumento que merece ao menos ser conhecido e debatido.

Me parece que esse é mais um caso aonde o medo da religião está falando mais alto que a lógica. Na verdade, parece que a confiança desses intelectuais no discernimento dos alunos é tão pequena que a única maneira que eles vêem para que não tenhamos um exército de jovens cegos pela religião é a total exclusão de qualquer assunto relacionado ao tema nas escolas.

E isto não é separação de Estado e Igreja. É censura.

Wednesday, December 22, 2004



Quarta, 22 de dezembro, 2004

Natal aqui, e Natal ali

Um dos trabalhos que fiz durante o ano para minha pós-gradução foi sobre a Dell. Descobri que o principal centro de distribuição deles para a América Latina fica no Brasil, na cidade de Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul.

Pensei comigo que pelo menos assim as taxas de importação desses computadores devem ter caido. Ah, se pelo menos o Brasil funcionasse na base da lógica... Vejam a diferença de preços do mesmo computador, um Dell Dimension 3000, em diferentes países (em dólares):

- EUA = $499
- Hong Kong = $572
- México = $656
- Chile = $675
- Irlanda = $734
- Brasil = $780

Alguma dúvida sobre o porquê das nossas empresas não conseguirem competir no mercado global?



Quarta, 22 de dezembro, 2004

Uma cartinha de Lula Noel

ELIO GASPARI para Folha de SP

Um teste para curiosos:
Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, na defesa do progresso de suas sociedades, escreveram cartas a alguns milhões de cidadãos.

Um escreveu aos jovens que conseguiram as melhores notas nos colégios onde estudavam: "Vejo com satisfação que estudantes excepcionais como você vão nos ajudar a conduzir o país (à). Fique com o meu estímulo para continuar buscando altos objetivos, acreditando em você".

O outro presidente escreveu aos aposentados e pensionistas da Previdência avisando-os de que foi criada uma linha de crédito que lhes oferece empréstimos a juros camaradas: "Esperamos que essa medida possa ajudá-lo a atender melhor às necessidades do dia-a-dia. Por meio de ações como essa o governo quer construir uma Previdência Social mais humana, justa e democrática".

O país onde o presidente oferece dívidas para o "dia-a-dia" (a juros de 1,75% ou 2% ao mês) é o Brasil. Nos Estados Unidos, onde os juros dos carros novos estão a 6% ao ano, o presidente não é doido de aparecer na casa dos outros oferecendo empréstimos como se eles fossem uma realização do seu governo. Na carta do presidente americano não há referência ao tal de "governo".

À custa da Viúva, Lula e o ministro Amir Lando, do PMDB e da Previdência, escreveram aos aposentados de todo o país informando:
"Em maio passado o governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei para permitir aos aposentados da Previdência Social acesso a linhas de crédito com taxas de juros reduzidas.

Agora, o Legislativo aprovou o projeto e acabamos de sancioná-lo. Com isso, você e milhões de outros beneficiários(as) passam a ter o direito de obter empréstimos cujo valor da prestação pode ser de até 30% do seu benefício mensal".
O cidadão que recebe um benefício de R$ 360 por mês (10% da aposentadoria de vítima da ditadura que a Viúva paga a Lula) pode tomar cerca de R$ 100 emprestados. Amortizando-os em dez prestações, desembolsará pelo menos R$ 119. Nos juros da banca que não lhe empresta dinheiro pagaria pelo menos R$ 170. É bom negócio. Pena que esse mesmo dinheiro colocado na poupança do andar de baixo paga apenas R$ 7, enquanto rende o dobro nos fundos do andar de cima.

Há na carta de Lula o cheiro da propaganda. Esse é o aspecto mais velho e menos relevante da questão. Que o PT Federal faça o que criticava em Paulo Maluf (condenado a ressarcir a Viúva por uma emissão de cartas à custa da prefeitura) não chega a ser surpresa. O verdadeiro problema está no teste lá de cima. Foi fácil intuir qual presidente estimula estudantes bem sucedidos.

Um felicita o jovem cidadão pelos seus êxitos. O outro comporta-se como se fosse o construtor da Previdência. Dirige-se ao contribuinte como se estivesse a "ajudá-lo" emprestando-lhe dinheiro. Um lidera uma sociedade. O outro patrocina-a. Depois Lula oferece lições de moral à patuléia, dizendo que é preciso deixar de ver no Estado uma espécie de Paizão que vai resolver todos os problemas. Tudo bem se Lulão não se apresentasse no papel de Paizinho para oferecer emprestado um dinheiro que não é dele.

Friday, December 17, 2004



Sexta, 17 de dezembro, 2004

Privatização do Social Security americano

A quantidade e disparidade do que vem sendo falado sobre essa proposta de privatização do Social Security americano é incrível.

A primeira impressão é que esta é só mais uma disputa entre o pessoal a favor do Estado paizão e o pessoal do cada um por sí. Um diz que o retorno nos investimentos privados seria de no máximo 4%, o e outro diz que seria no mínimo 6.5%. Um diz que o modelo chileno é um fracasso, e o outro diz que é um sucesso.

O interessante é que eu acho que os dois lados estao certos, dependendo de como se analisa a situação. Antes de mais nada, vale lembrar o que o Social Security realmente é: um esquema de redistribuição de renda eterno. Os trabalhadores atuais pagam quase 13% do que ganham e esperam que os trabalhadores do futuro farão o mesmo. A possibilidade de se privatizar esse esquema é uma falácia.

O que o governo Bush está querendo fazer é acabar com essa redistribuição. Porém, para manter a tal "seguridade", o governo continuará metido no sistema. A contribuição será forçada, os investimentos limitados para evitar perdas, e os aposentados atuais continuaram no sistema antigo.

Uma privatização de verdade seria simplesmente devolver o dinheiro para os trabalhadores e deixar que os mesmos decidissem aonde e como investir, criando incentivos aqui e ali, e só. Exatamente como já acontece nos planos 401k. O perigo de perda seria maior, a possibilidade de ganhos maior, e sobretudo a responsabilidade seria individual.

Tal proposta nunca seria aceita. Uma parcela grande da população americana ainda prefere que o papai Estado cuide das decisões. Acham o ser humano muito fraco e sem controle. E se alguém resolvesse gastar todo dinheiro em Las Vegas? Coitadinho!

O plano de Bush é somente um band-aid. O governo dá uma impressão de liberdade mas continua calling the shots. A maior vantagem é eventualmente acabar com esse esquema de pirâmide atual, que tem como único destino o aumento continuo de impostos e diminuição de retorno.

Não é nenhuma maravilha, but I'll take it.

Wednesday, December 15, 2004



Quarta, 15 de dezembro, 2004

Comunismo e racismo: a dupla de sucesso no Zimbábue

Quem é que disse que o comunismo morreu? Quem é que acha que cor da pele não importa mais?

Não no Zimbábue meu amigo! Lá o governo resolveu tomar na força 4500 fazendas que pertenciam a brancos. Com direito a ratificação da "suprema corte" e tudo mais!

Isso talvez ajude a explicar porquê eles são um dos países mais miseráveis e atrasados do mundo, com inflação de 149.3% no mês passado (209% em Outubro) e milhares passando fome.

Se pelo menos tivessemos uma Organização das Nações Unidas que pudesse fazer algo... Nah, eles estão ocupados demais analisando como os EUA administram o Iraque.

Afinal, prioridades são prioridades.

Tuesday, December 14, 2004



Terça, 14 de dezembro, 2004

Preciso de um rótulo

Depois de ler sobre esse filósofo ateu que concluiu que deus Existe (via LLL), descobri um novo "problema": Eu não me encaixo em nenhuma visão filosófica ou teológica no que diz respeito a Deus.

Achava que eu era agnóstico. Afinal, eu considero a existência de Deus simplesmente inacessível e incomprovável. Porém, por motivos totalmente pessoais e subjetivos (o que me exclui dos deístas), acho que um Deus existe (tchau ateísmo). Pelo que lí recentemente, os agnósticos são totalmente contra qualquer tipo de opinião subjetiva sobre essa questão. Algo que não faz o menor sentido, mas isso já é outro problema. Me chutaram para fora do grupinho agnóstico e that's it.

Voltando a minha situação, essa suposta existência de Deus não muda nada meu dia a dia. Não acredito que esse Deus fique nos espiando e micro-managing. Tudo que eu faço ou deixo de fazer é baseado na minha própria consciência. Talvez esse Deus concorde com as coisas que fiz e faço, talvez não. Talvez o esquema todo seja completamente fora da nossa compreensão e nada do que fazemos por aqui importe. Pode-se dizer então, que eu não tenho "fé" per se, o que me exclui de toda e qualquer religião existente.

Afinal, o que sou eu?

Sunday, December 12, 2004



Domingo, 12 de dezembro, 2004

Prova de Geografia da USP

Não sei se é verdade, mas se for, estamos realmente perdidos. Transformar uma prova de vestibular em propaganda ideológica, com direito a mapa falso, é o fim do mundo. Ah, e com o seu e o meu dinheiro financiando tudo isso.

Alguém ouviu algo mais sobre isso?

Friday, December 10, 2004



Sexta, 10 de dezembro, 2004

"Os Incríveis" e os tradutores do UOL

Hoje estréia no Brasil "Os Incríveis". Vale a pena, confiram.

Mas lendo a crítica da Folha sobre o filme, achei que estavam falando de outro filme:

"Por trás da aparente ingenuidade, a animação de Brad Bird, espécie de "os Simpsons encontram o Quarteto Fantástico", propõe uma reflexão sobre a natureza do discurso liberal em que, mais que os mesmos direitos, todos devem ter a mesma postura em relação ao mundo. Diferenças? Que diferenças? Somos todos filhos de Deus, acreditamos na democracia e quem estiver contra que vá viver numa ilha distante bem longe dos nossos olhos..."

A dúvida é se o tal Diego Assis traduziu algum texto americano (já que em inglês liberal significa algo como socialista) ou se realmente ele não sabe do que está falando.

Maybe both.