Wednesday, May 30, 2007

Um pé na Casa Grande

Às vezes você acha que o mundo não tem jeito. Só tragédia, conflitos, trabalho saindo pela orelha...

Mas aí aparecem textos como este. Uma pérola. Se eu pudesse colocaria essas partes aqui num quadro:

"Tinha muita esperança de ser 100% negro. Se fosse, eu ia pedir uma indenização muito pesada nesse país, mas sou filho dos culpados também"

"Miscigenação era barbárie. Não tinha isso de história de amor, era barbárie. Fico feliz em saber que parte da minha galera resistiu e compõe 85% dos meus genes"

"É uma pena eu ter tão pouco de índio"


Será que o cidadão ainda acha que "miscigenação é barbárie"? Afinal ele quer que os "brancos" (sera que existe alguém no Brasil 100% branco?) paguem para os 100% negros certo? E essa história de que ele queria ser parte índio? É porque eles são mais escurinhos? Quem é que explorava quem nessa relação???

Já imaginaram o piripaque que esse sujeito teria quando soubesse que negros africanos participavam ativamente no tráfico de escravos?

Quando eu era criança, naqueles remotos tempos aonde o politicamente incorreto ainda não era motivo de cadeia, brincavamos que os mais morenos da escola tinham um "pé na senzala". Quem diria, o tal "Seu Jorge" tem um pé na Casa Grande. E ficou bem mais bravo do que ficavam meus amigos moreninhos.

Mas claro que tudo isso é falta de compaixão minha. Como diziam meus amigos, sou somente um alemão branquelo. Será que estavam me chamando de nazista? Devia processar aqueles moleques. Ou então fazer um teste de DNA e mostrar que eu também sou um pouco africano!

É duro levar essa vida a sério.

4 comments:

Cláudio said...

Ah, Paulo, Paulo... Deixa esse Brasil de lado de vez rapaz. Isso aqui não tem jeito mais não, rapaz.

Marcos Matamoros said...

Como é que se tem orgulho de algo aleatório e fruto do ocaso? Eu não tenho orgulho nem vergonha de ser branco. Eu nasci branco e brasileiro. Vou dizer I'm white and I'm proud? Não vou. Vou dizer que tenho orgulho de ser brasileiro? Não vou. Mas ter orgulho de ser negro pode. E você lembrou o ponto crucial: os negros também escravizavam negros na África e participavam do tráfico. Como é que fica? O Seu Jorge tem orgulho desses negros ou acha que eles tinham alma branca?
Um abraço,
Marcos

PATRICIA M. said...

Paulo, muito legal seu post, havia lido a reportagem e fiquei embasbacada com o que disse esse musico imbecil. Alias, vou fazer questao de divulgar a noticia mais por aqui, porque tem um monte de americano que acha ele o maximo.

E concordo com o Claudio, esse pais nao tem jeito mais nao.

Marília said...

Num país onde muitos, negros e brancos, passam fome, perdemos tempo com estudos de onde veio o pai do Seu Jorge. Já que vivemos numa democracia, espero que todos tenham direitos iguais. Sou descendente de orientais e também quero a minha cota na universidade!