Friday, April 22, 2005



Sexta, 22 de abril, 2005

Progressistas, pero no mucho

Através da dica de um amigo (obrigado Marcelo), cheguei nesse grupo do Yahoo chamado "blogprog - Reuniao virtual de blogueiros e internautas progressistas."

E para minha surpresa, não é que os progressistas estão bravos comigo?

Com a palavra o Marcus, que por sinal eu tinha nos meus favoritos até pouco tempo atrás:

"O Paulo "FYI" não é um olavete clássico, pois aparentemente se porta dentro dos limites da civilidade. Seu blog tem assuntos interessantes e até já o linkei uma época, quando tínhamos constantes quebra-p...digo, debates nas caixas de comentários do LLL, do meu blog e do dele.

Comecei a ficar puto quando ele manifestou alguns sintomas olavistas, principalmente o de mentir descaradamente sobre fatos óbvios, tipo: negar que a tortura era algo institucionalizado dentro do exército americano, dizer que os presos de Guantánamo estão sendo tratados de acordo com as Convenções de Genebra, que o Design Inteligente não é uma doutrina religiosa, etc.

Tirei o link, assim como de todos os blogs de direita, inclusive do "Alto Volta", um cara que eu até defendi uma vez, e que depois me ofendeu gratuitamente na caixa de comentários do Pedro Doria. Apesar de tudo, eu achava o FYI apenas um bobo alegre deslumbrado com sua vidinha norte-americana, até que leio um post dele de poucos dias atrás. Textuais: "A prisão do argentino gerou os piores posts do ano até agora. Principalmente naqueles pompous and patronizing blogs de 'doutores' que adoram falar sobre tudo sem falar exatamente nada. Aqueles que já nascem unânimes".

Seu ataque covarde ao Idelber (sem link nem referência direta) é típico dos piores wunderbloggers -- aqueles que usam o apelido "Idelburro" e afirmaram que o Idelber ganhou sua cátedra num gesto politicamente correto da Universidade de Tulane, uma espécie de "cota para sul-americanos coitadinhos". Percebo uma profunda inveja nessas aspas, um despeito que não tem cura, pois nem dizer que ele é um "apenas um professor da fefeléchi" podem, na medida que o Idelber conseguiu seu título na "matriz intelectual" deles, na "terra prometida do saber e do trabalho". O fato do Idelber ter se tornado uma celebridade instantânea na blogolândia, enquanto eles só recebem comentários de sua panelinha direitista, deve fazer bastante mal à auto-estima deles.

Também existe muita inveja nos ataques torpes de alguns wunderbloggers à ótima iniciativa da Casa das Mil Portas, do Nemo Nox. Começo a concordar com o André, é perda de tempo polarizar com esse pessoal. São anões intelectuais e insetos morais."


Uau.

O mais interessante dessa história toda, é que o Marcus me acusa de um "ataque covarde" e escreveu essa diatribe numa comunidade que eu nunca saberia que existe, se não fosse a coincidência de ter um amigo entre os membros. Aliás, eu nem sabia que ele tinha essa ou qualquer tipo de grudge comigo.

E depois o "anão intelectual e inseto moral" sou eu!

Sem contar que nessas discussões citadas, não houve falta de respeito nenhuma da minha parte. O Marcus simplesmente abandonou a conversa assim que eu comecei a mostrar provas a favor dos meus argumentos. Ele nem sabia ,por exemplo, que havia mais de uma convenção de genebra. Tudo que eu fiz foi citar o artigo que explicava a legalidade por trás da proposta feita pelo Gonzales.

E falando sobre o tal "ataque" que irritou tanto assim o corajoso Marcus, não acredito que tenha sido covarde. Acho que era óbvio que eu estava falando do Idelber, tanto que se eu não quisesse deixar isso bem claro, não teria usado o 'Doutor'. Não é segredo nenhum que eu não gosto do blog dele e não concordo com suas opiniões. Já disse isso inúmeras vezes no LLL. Deixar de citar o nome ou colocar um link é algo muito comum entre blogs, e até mesmo no jornalismo em geral. O mesmo Alexandre fez isso outro dia. No big deal.

E para ser mais específico, decidi usar essa referência indireta inspirado em um comentário do próprio Idelber para esse post, em que ele diz:
"O que mais me impressionou no nível da discussão aqui no Biscoito foi que em nenhum ou quase nenhum momento ouviu-se aqui o argumento fraco e preguiçoso de que "queria ver se alguém chamasse alguém de branquelo de merda seria preso", esse clássico e odioso pseudo-argumento de comparar o que não pode ser comparado, abusando da nossa inteligência e dos nossos ouvidos sempre que uma vítima de racismo ousa gritar e ir atrás dos seus direitos. Exemplos dessa total falta de noção e de sensibilidade não aconteceram aqui nenhuma vez. Apareceram em outros blogs, em caixas de comentários ou em tristíssimos posts."

Enfim, pode ser que tenha sido escrito para mim, pode ser que não. Eu deixei claro no meu post que meu comentário era "uma observação subjetiva e naturalmente incomprovável". That's it.

Por último, só lembro ao Marcus, Idelber, Leila e o resto dos "progressistas" que me xingaram lá no grupinho o seguinte: Seria bom vocês manterem a discussão num nível mínimo de civilidade. Criticar o que eu escrevo é uma coisa. Querer inferir se eu sou bem sucedido ou mal sucedido, ou fazer comparações com esta ou aquela pessoa pelo número de leitores do meu blog não é somente ridículo, mas também perigoso. Lembrem-se que o blog para mim é um hobby, que dedico algumas poucas horas por semana. Se for para entrar no mundo real e comparar méritos, qualificações e conquistas pessoais, acho que a grande maioria vai ser dar mal.

Isso sem falar nos ataques à moral. Mas ai eu já desconsidero totalmente. Afinal, quem realmente acha ser possível julgar o quão moral alguém é ou deixa de ser lendo um blog não deve ter capacidade mental de entender o que é moralidade. Esse julgamento eu deixo aos meus amigos e minha familia.

8 comments:

Anonymous said...

Paulo, repara também no "aparentemente" em "aparentemente se porta dentro dos limites da civilidade.". Típico, típico.

Noto também que não foi um wunderblogger que fez os comentários sobre o tal de Idelber, mas um comentarista na caixa de comentários de um wunderblogger. Mas como espalham calúnias.

Abraços

Alexandre said...

Comentei como anônimo sem querer, credo.

Paulo said...

Alexandre,

Eh isso ai. De acordo com eles, sou um "anão intelectual e inseto moral" que "aparentemente se porta dentro dos limites da civilidade".

:-)

Nemerson Lavoura said...

Já que houve uma fatalidade com a caixa de comentários, torno a deixar registrado aqui o meu protesto contra os arautos do politicamente correto, que discriminaram os anões com a frase preconceituosa "São anões intelectuais e insetos morais."
Não há por aí nenhum delegado para entrar em campo e prender esse pessoal, não ?

Jether Jacomini Jr. said...

"O emprego do termo conservador enquanto oposto a progressista (e não a radical, por exemplo), foi originariamente um truque semântico da esquerda, compensado pelo giro oposto empregado pela direita (autodenominada, por exemplo, democrática em oposição a bolchevista, ou cristã em oposição à materialista). No Brasil, a acepção esquerdista dos dois termos tornou-se unânime e institucional, sem que uma única voz da direita procure bani-la ou neutralizá-la."

fjg said...
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fjg said...
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fjg said...

IN "Como vencer um debate sem precisar ter razão: (dialética erística)/ Arthur Schopenhauer; Introdução, Notas e Comentários Olavo de Carvalho; tradução de Daniela Caldas e Olavo de Carvalho. — Rio de Janeiro: Topbooks, 1997" pág. "222"