Friday, November 10, 2006

Why?

Xbox 360 chega em 1º de dezembro ao Brasil, por R$ 2.999,00

Custo nos EUA:
Console: $399
Kameo: Elements of Power: $49.99
Perfect Dark: $49.99
Project Gotham Racing 3: $49.99
Remote Control: $29.99

Total: US$ 578.96 = RS$ 1273.71

Antes de eu colocar a culpa em lugares indevidos, pergunto aos que sabem mais: De onde vem esses RS$1,726.278? Impostos? Outros custos de importação?(quais?) Margem de lucro? (Porquê a MS cobraria mais num país que tem poder econômico menor?)

28 comments:

Solon said...

se for na Inglaterra, o preço já sobe para £433,96 ou R$1769,34. acredito que os grandes fatores são os gastos com a importação e os impostos - que no caso do Brasil são extremamente altos.

só a TEC (Tarifa Externa Comum) para eletrônicos vindos de países do primeiro mundo está em torno de 80%, pelo que li por aí. o IPI também não deve ser pouca coisa.

como se trata de uma empresa com sede no Brasil, importando seu próprio produto em quantidades razoáveis, e em se tratando do Bananão, imagino que haja um sem número de peculiaridades na aplicação desses impostos. mas, certamente, são a principal razão para os preços absurdos.

pelo menos os jogos vão custar preços compatíveis com o que custam os de PC, atualmente, ao contrário do que acontecia com o XBox original e o PS2.

Cláudio said...

Pra mim, o preço final com o qual um produto CHEGA ao mercado depende unica e exclusivamente da disposição dos clientes de pagar por eles ;-).

Se após aplicar todos os impostos o importador chegasse à conclusão de que não seria interessante importá-lo (pois não geraria rceita suficiente) o que aconteceria é que não teríamos Xbox vendido aqui no Bananão.

O grande lance é que no Brasil os bens supérfluos têm demanda inelástica: as pessoas querem por que querem (leia o "Valor do Amanhã" do Giannetti) e fazem de tudo para obtê-los. Sabiamente nossos empresários do varejo já perceberam esse aspecto faz tempo e praticamente todas as lojas se converteram em financeiras. Assim, o Xbox que custa 2999 pode ser comprado em suaves prestações. Resposta muito comum quando se pergunta o preço de um produto numa loja: "Custa X reais, mas parcelamos em Y vezes".

Hermenauta said...

Provavelmente, por conta dos impostos. Mas taxar bens supérfluos não é exatamente uma coisa ruim. Melhora-se o balanço de pagamentos, diminui-se a pressão sobre o dólar e consequentemente sobre a inflação e pode-se aliviar na política monetária (tem alguns probleminhas aí no meio, mas no essencial é isso).

O que acho barra pesada e meio irracional não é o imposto sobre consoles de jogos, mas sim sobre notebooks, que são ferramentas de produtividade.

Solon said...

Cláudio: esse fenômeno não acontece só no Brasil. muito pelo contrário, aqui faz muito pouco tempo que as lojas começaram a confiar suficientemente em seus clientes para vender produtos como televisões de plasma de 10 mil reais em 12 ou mais prestações. quando eu estive nos EUA (em 2001), me lembro de ter ficado impressionado como qualquer loja vendia equipamentos eletrônicos caríssimos em financiamentos de até dois anos.

de qualquer modo, não acho que o raciocínio se aplique a videogames porque o preço deles é estabelecido pela fábrica. e eles os vendem mais barato do que o preço de fabricação (enquanto um XBox Core custa US$ 299, por exemplo, seu preço de custo é estimado em torno de US$ 500), com a expectativa de recuperar isso na forma de acessórios e jogos.

na época do lançamento do XBox 360, inclusive, dada a demanda muitíssimo maior do que a oferta que havia então, me lembro de ter lido vários economistas perguntando por que o mundo dos consoles trabalha com preços tabelados, ao invés de flutuar com o mercado como qualquer outra coisa e aproveitar para ganhar muito dinheiro com essa primeira leva de clientes. parece que, finalmente, a Sony ouviu e vai lançar o Playstation 3 no Japão com um "preço aberto" a ser decidido pelas lojas.

Bruno said...

No camelódromo do centro do Rio deve custar uns 1000 reais ou menos, com 3 meses de garantia do dono do stand (la garantía soy yo) e desbloqueado pra tocar DVDs de qualquer área. Cada jogo, uns 10 reais.

Rodrigo said...

Faz como eu... esquece essa nova geração, pegue um Dreamcast e aproveite os clássicos a preço baixíssimo! (quer que eu diga uns cantos ótimos para baixar jogos piratas?)

Paulo said...

Claudio,
Sera? Aumentar o preco baseado num fator cultural? Nao sei nao.

Solon,
Alguma diferenca sempre existe. O que me assusta eh o tamanho (mais que 100%) e ainda mais num pais aonde a MS tem como meta aumentar a base de clientes (nao acho que vao tentar recuperar os prejuizo com o console so aqui!).

Smart,
Ah! Entao vc acha certo meter um impostinho de 100% porque eh um "produto supérfluo"? That's a good way to kill your economy. Sabia que aqui nos EUA a industria de videogame girou $10.5B em 2005?

Paulo said...

btw, the movie industry were below $9 billion in 2005. Vc tambem acha que temos que botar um impostinho de 100% em cima de qualquer filme americano?

Destruidor said...

Mas!? Você ainda está aí?

Ahhh, Paulo, vá dormir!

http://www.alexa.com/data/details/traffic_details?url=http%3A%2F%2Ffyiblog.blogspot.com%2F

Solon said...

paulo: achei um link com números um pouco mais específicos. o console sofre uma taxação de 50% de IPI e mais 30% de imposto de importação. some a isso os custos da empresa para a importação e os impostos na hora da venda (ICMS, Cofins e PIS), e me parece explicada quase toda a diferença de preço.

e outra parte da diferença, creio, vem das características do mercado brasileiro. embora sejamos o 15° mercado mundial nesse segmento, os impostos que o Smart acha tão benéficos fazem com que uma pesquisa encomendada pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, ano passado, aponte que 90% dos jogos vendidos no país (a grande fonte de dinheiro das empresas de videogame) são piratas.

os analistas da Microsoft devem saber, também, que vai continuar existindo um mercado para o contrabando, onde seu console vai custar muito mais barato do que na versão oficial. de modo que, com um mínimo de bom senso, chega-se à conclusão de que seu único diferencial será vender garantia e assistência técnica aos produtos. de modo que, como acontece com os jogos, imagino que o console tenha uma "margem de prejuízo" menor aqui do que em países como EUA.

Cláudio said...

Paulo, definitivamente: preço é a informação que o consumidor passa sobre o valor que ele atribui a um produto. CUSTO, sim, é outra coisa. Um empresário pode fazer as contas e chegar à conclusão de que para importar um determinado produto ele gastaria 1000 reais por unidade (impostos inclusos). Se ele souber que a clientela dele está disposta a pagar 4000 pelo produto ele fará a importação. Se ele achar que os clientes não pagarão mais que 1050 reais, ele pode desistir do negócio por não achar interessante. Tendemos a achar que o preço é estipulado depois de calculados os custos, mas o empresário tem que saber qual o preço que a pessoas estarão dispostas a pagar para, após calcular os custos do produto, saber se o empreendimento é viável.

Se o Brasil fosse um paraíso fiscal e o Xbox fosse importado com custo zero mas os empresários soubessem que as pessoas estariam dispostas a pagar os mesmos 2999 reais, ainda assim provavelmente eles iniciariam as vendas neste patamar, reduzindo os preço depois para atrair consumidores mais muquiranas.

A diposição de pagar um determinado valor por um produto depende, entre coisas, da cultura sim. Por exemplo, de que adianta importar tacos de golfe a preços absurdos se o brasileiro não atribui ao esporte o mesmo valor que o americano?

Formação de preços é uma das partes mais interessates da economia, pois além de lidar com os aspectos comuns desta área, tem que ver além e analisar o comportamento do consumidor.

O livro "Undercover economist" aborda em alguns trechos a formação de preços, usando coffee shops como exemplo. Muito legal.

Solon, a diferença entre lá e aqui é que lá é como o parcelamento se dá. Aqui no Brasil a grande sacada das lojas de varejo foi de se travestirem em financeiras (algumas como o Ponto Frio abriram o jogo e começaram a emprestar dinheiro mesmo!): no preço à vista do produto já estão embutidos os encargos financeiros do parcelamento. Comprar produto à vista hoje no Brasil sem um belíssimo desconto (que nem todas as lojas dão) é pagar juros por nada. Interessante é a distorção que esse fenômeno gera no mercado, correndo risco de colocar lojas pequenas em situação delicada se o dono não souber identificar o valor real que seus clientes querem pagar por um produto. Uma loja pequena (sem a estrutura financeira do Ponto Frio) pode ser levada a achar que os clietes estão realmente dispostos a pagar 2999 por um Xbox. Se ele não tiver como fazer um parcelamento em 12x "sem juros", como a maioria das grandes faz, não venderá uma unidade sequer. Isso porque o sistema hoje adiciona uma outra informação ao sistema de preços. Se originalmente a informação carregada no preço era "eu acho que isso vale X", no Brasil a mensagem ganha o adendo "se for parcelado em N vezes sem acréscimo".

O imposto sobre bens suntúários (supérfluos) é uma tolice que já foi tentada nos EUA e causou desemprego nas áreas relacionadas. O que aconteceu foi que os políticos imaginaram "Hey! Que tal taxarmos esses ricos feladaputas? A população vai apoiar, para não falar da imprensa!"

E criaram impostos sobre iates e coisas do tipo. Acontece que bens spérfluos são... supérfluos e têm (em condições normais) uma demanda extremamente elástica. Com a taxação dos iates, os ricos feladaputa passaram a colocar seu dindim em outros lugares e a indústria voltada para bens suntuários ficou na merda, causando desemprego generalizado. Os sindicatos (afinal não foi tãaao bom para os pobres assim) começaram a reagir e parece que a lei teve vários artigos revogados.

Como eu digo, a teoria esquerdista vai funcionar no dia que rico comer dinheiro. Aí sim teremos que punir aqueles que acumulam capital.

Paulo said...

Destruidor,
PST meu filho

Solon,
Valeu pelos links. A coisa eh realmente absurda.

Claudio,
Eu entendo que o preco seja determinado dessa maneira, o que eu nao entendo eh que num pais como o Brasil ainda exista uma parcela suficiente de pessoas que aceitem pagar 3mil reais num xbox. Po, aqui estao dizendo que a Sony pode afundar por querer cobrar 500!

Pode ser que, como o Solon falou, a ameaca do mercado negro seja tao forte que no fim das contas valhe mais a pena vender pouquissimas unidades num preco alto porque a maioria da populacao que vai comprar vai ser pirata (mais um bonus da teoria do "valor dos impostos").

Uma das vantagens de se ter um paraguai no quintal, neh? :-/

Solon said...

CLAUDIO: concordo com tudo, mas insisto que não é o caso do XBox, porque o preço do bicho é estabelecido pela própria Microsoft e não pelas lojas.

outro dado interessante: no México e na vizinha Colômbia (ambos com acordos de livre comércio com os EUA), este mesmo "bundle" do XBox 360 custa em torno de US$ 500. de maneira que ou o Brasil tem algum mercado muito peculiar para que a Microsoft tenha resolvido mudar de estratégia de venda apenas aqui, ou então este é realmente o menor preço que a empresa consegue vender o bicho.

Cláudio said...

O MSRP (Manufacturer's Suggested Retail Price) é imposto pelo fabricante? Acho que ele não tem poderes para isso, não sei. Pode ser mais uma ferramenta para ajudar o retailer a vender o produto tipo "Olha, já fizemos todas as pesquisas e os consumidores estarão dispostos a pagar X por este produto."

Paulo, se o Brasil fizesse sentido não seria o que é ;-)

Veja isso: para comprar uma torradeira, um salário mínimo não basta.

http://www.americanas.com.br/prod/114656/eacom?i=1

Como pode uma torradeira custar 460 reais???? Paguei 29 dólares numa similar (4 fatias, bagel, descongelamento, etc)

Andr? Kenji said...

Paulo, ao menos em São Paulo ninguém fala em Paraguai há dez anos, com Strandcenter e Santa Efigênia da vida...

Uma das razões pela qual o X-Box deve custar tão caro é que consoles costumam ser vendidos a preços menores que do custo de fabricação para que se lucre com a venda de jogos.

Talvez a Microsoft tenha medo de lançar o console pelo preço americano e perder dinheiro com os piratas...

Aliás, no México, com a queda de impostos e do compromisso dos fabricantes com preços menores a pirataria foi controlada..

Hermenauta said...

Prezados,

Nem tudo que faz sentido no Brasil faz sentido nos EUA e vice-versa. Um imposto sobre o consumo suntuário nos EUA só pode mesmo ter caráter redistributivo/populista, já que os bens são em grande parte fabricados lá mesmo. Mas eles não têm o problema de balança de pagamentos que nós temos (ou pelo menos tínhamos), por motivos óbvios. Aqui, deixar a burguesia se esbaldar com bens de luxo a preços camaradas é maluquice, porque isso detona as divisas com os resultados conhecidos. O Brasil é um país que ainda está no catch-up e tem que imitar _ de forma inteligente, é claro _ o que os EUA e a maioria das nações hoje desenvolvidas faziam quando estavam no mesmo estágio que nós. Lembrai-vos de Friedrich, o List.

Ou seja, faz todo o sentido para um país ainda relativamente vulnerável em sua balança de pagamentos agir dessa forma.

Já do ponto de vista da política industrial...eu sei muito bem, Paulo, que o mercado de jogos é bastante significativo...mas nós não produzimos jogos para esses consoles, e a Nintendo, a Sony ou a Microsoft, não vão, é óbvio, contratar software houses brasileiras só porque estão vendendo no Brasil.

Por outro lado estamos relativamente bem no ramo de jogos para celulares, o C.E.S.A.R. do Recife já está até virando referência no setor _ e é uma estratégia de entrada muito mais inteligente, porque é muito mais fácil conseguir um contrato com uma operadora móvel no Brasil do que com os fabricantes de consoles para jogos.

Solon said...

CLAUDIO: o fabricante tem todo o poder do mundo para isso. a Microsoft vai lá e diz "o XBox 360 será vendido a US$ 399". o que tu acha que acontece se alguma loja resolve vender por um preço maior que isso, ainda mais se todas as outras lojas venderem por preços menor?

o preço de consoles é fixo, e estabelecido pelo fabricante - acho que é assim desde os tempos do NES. como eu já disse antes, isso costuma deixar vários economistas curiosos sobre o por que de as empresas não deixarem o preço flutuar para lucrarem, eles, o que os primeiros compradores vão ganhar no eBay. pode apelar ao Google, que deves encontrar vários comentários quanto a isso.

KENJI: como eu comentei um pouco acima, em nenhum lugar do mundo a Microsoft (ou a Sony ou a Nintendo) resolveu abrir mão da filosofia de ter prejuízo na venda do console - cujo custo de produção atual é de US$ 500, se não me engano. duvido que eles pensem que logo no Brasil, onde há tanto contrabando e pirataria, é que eles conseguiriam aproveitar para tirar essa diferença.

vou fazer as contas pra vocês: na Colômbia e no México, este mesmo bundle que vai ser vendido aqui custa pouco mais de US$ 500. são países que têm acordos de livre comércio e várias facilidades logísticas em relação aos EUA, então vamos imaginar um preço de US$ 550 aqui para o Brasil (que ainda está abaixo do preço que custaria "montar" o pacote nos EUA).

sobre este valor, primeiro temos a incidência do imposto de importação (30%), passando o preço do bicho para US$ 715. importado o console, passamos à taxação do IPI e seus modestos 50% (sim, imposto sobre imposto, isso aqui é o Brasil, afinal de contas): US$ 1072,5.

com o dólar a R$ 2,15, só com isso o dito cujo já estaria batendo na casa de R$ 2300. agora somem a isso mais dois fatores:

1. impostos para a venda (ICMS, Cofins e PIS);
2. flutuação do real perante o dólar (eles vão vender o produto em real, então é preciso se proteger diante de uma eventual desvalorização do dito cujo);

alguém ainda acha estranho que o preço para o Brasil seja de R$ 2999?

Paulo said...

Smart,
Essas teorias protecionistas ja se provaram furadas tantas e tantas vezes que eu fico espentado que ainda tenha gente que as defenda. I mean, sera que vc ja se esqueceu da protecao de mercado da decada de 80? Sera que teriamos mais empresas de software hoje em dia se aquela baboseira nao tivesse sido feita? Who knows. Eu so sei que ajudar aquilo nao ajudou, em absolutamente nada.

O que vc acha que vai acontecer com esse dinheio que seria gasto em Xboxes? Ser investido em fabricas e estradas? Obviamente nao. Sera gasto em outros produtos de lazer. E sera que a industria de lazer brasileira tem capacidade de concorrer com a MS, por exemplo? Novamente, isso ja oi provado que nao funciona. Os usuarios vao comprar pirata e pronto. Ou entao vao continuar comprando modelos antigos (o que nao ajuda de forma alguma de acordo com essa sua teoria de "manter inflacao baixa e controlar balanca de pagamentos).

E as consequencias vao ainda mais longe: Vc acha que a MS nao investiria de alguma forma no Brasil se o Xbox fizesse sucesso? Nao teriamos um centro de distribuicao? Central de suporte?

Solon said...

"Aqui, deixar a burguesia se esbaldar com bens de luxo a preços camaradas é maluquice, porque isso detona as divisas com os resultados conhecidos."

camaradas? R$ 1200 (~US$ 500) por um videogame em um país onde o salário mínimo é de R$ 300 e a renda per capita em 2001 foi de menos de R$ 7 mil por ano, não me parece "camarada".

agora, se a preocupação é com aqueles 2% ou 3% da população que pode pagar R$ 2 mil ou mais por um videogame sem se preocupar, bom, aí tem uma má notícia: eles também podem ir comprá-lo nos EUA e trazer pra cá sem estourar a cota de US$ 500, ou podem fazer o mais fácil que é comprá-lo contrabandeado em um camelô ou "loja especializada" (que é o que absolutamente todo mundo que eu conheço faz).

tenho a impressão de que contrabando e economia informal não são, exatamente, o tipo de coisa que estas políticas buscam proteger. e também gostaria de ver uma explicação de por que países como México, Colômbia e Chile podem vender o mesmo videogame por uma média de US$ 500 sem que isso acabe com sua economia, mas o Brasil precise vendê-lo por quase três vezes esse preço.

Hermenauta said...

Paulo,

Tanto estas teorias protecionistas NÃO estão furadas que os próprios países desenvolvidos lançam mão delas, e, por falar nisso, todos os asiáticos também lançaram, para desenvolver-se. Ou você não acompanha a história econômica da Ásia?

A questão da reserva de mercado para informática no Brasil é que ela foi bastante burra. Foi um caso de política industrial explorada por rent-seekers disfarçados de empresários. Por exemplo, foi uma política que não previa nenhum horizonte temporal para sua expiração baseada em desempenho, como é comum hoje em dia.

Por sinal, eu não falei em reserva de mercado aqui. No caso específico dos videogames esse imposto só teria alguma justificativa do ponto de vista da política comercial, nunca da política industrial.

No mais, o imposto sobre os produtos suntuários importados teria, é claro, o efeito de deflacionar o consumo para outras coisas. Mesmo que houvesse um certo nível de contrabando, certamente a perda de divisas não seria equivalente, e parte desse consumo iria para outros produtos, mesmo que suntuários, mas menos intensivos em divisas.

Estou falando em tese _ hoje a situação das divisas é confortável, mas nada garante que esse panorama benévolo dure para sempre. Superavits de balança comercial, aliás, podem deteriorar-se bem rapidamente.

Para finalizar _ escandalosos mesmos são os impostos sobre alguns itens alimentares e serviços como o de telefonia, por exemplo. Videogames...façam-me o favor, né?

Paulo said...

Smart,
Como vc deve saber, essa "politica de exportacao" so funcionou (e por tempo limitado) nos Asian tigers porque as economias locais eram pequenas e isoladas. E mais, era uma politica de protecionismo geral e brutal. Um preco altissimo a ser pago, e que foi usado numa situacao completamente diferente da brasileira. E se mesmo assim eh essa politica de desenvolvimento que vc acha certa para o Brasil, eh bom ser claro que o problema nao se limita a consumo suntuário.

E a ultima coisa: sera que vc pode se decidir e reconhecer se algo eh certo ou errado? Vc vem com essa de que "falando em tese" ou que essas medidas poderiam quem sabe ter o efeito X num pais Y no seculo Z. Eu estou criticando esse imposto aqui e agora, total e completamente. Nao estamos subdesenvolvidos porque nao temos infraestrutura e sim porque nossas industrias ficam com as maos amarradas, assim como nosso comercio.

O fato de vc achar que essa discussao eh sem importancia porque estamos falando de videogames (como ja lembrei um mercado de 10 bilhoes de dolares) mostra como vc esta preso nessa visao mercantilista de como qualquer coisa que nao seja superavit significa o empobrecimento de um pais.

Cláudio said...

Sobre o impacto das barreiras na economia, inclusive afetando as exportações, vejam o Teorema de Lerner (1936!!!) que mostrou que impostos sobre importações equivalem a imposto sobre exportações.

A idéia basicamente é: qual o ponto de exportar produtos em troca de moeda estrangeira se você não pode usar essa moeda estrangeira para comprar bens nos exterior?

A origem das barreiras protecionistas nunca são o bem da nação mas apenas o interesse de grupos e nada mais.

Hermenauta said...

Paulo,

Essa política funcionou para a Alemanha e para a França no séc. XIX, e para o Japão e Coréia no séc. XX. Pequenas e isoladas, como assim?

Aliás, funcionou também no Brasil, durante algum tempo.

Ademais, eu não disse que a discussão é sem importância _ tanto assim que entrei nela. E se você olhar bem, o meu primeiro comentário já sanava a sua necessidade por ver as coisas "preto no branco":

"Mas taxar bens supérfluos não é exatamente uma coisa ruim. Melhora-se o balanço de pagamentos, diminui-se a pressão sobre o dólar e consequentemente sobre a inflação e pode-se aliviar na política monetária (tem alguns probleminhas aí no meio, mas no essencial é isso)."

Agora, suponhamos que o governo brasileiro, em um acesso de "racionalidade", zerasse todos os impostos sobre a importante indústria do videogame. Você se importaria em nos dizer de que forma isso beneficiaria a economia brasileira?

Paulo said...

Smart,
Economias isoladas no sentido da populacao nao ter alternativas para "furar" o protecionismo. E isso sem falar que, nos paises que o protecionismo "deu certo" nao existe como provar que o sucesso economico foi causado pelo mesmo. Japao, Coreia, etc, tinham muitas outras medidas e caracteristicas ajudando seu avanco (enfase em educacao por exemplo). Tanto que o protecionismo foi uma das causas da crise de 98 (muito antes no Japao) e depois de abandonado a economia desses paises melhorou.

Como uma diminuicao de impostos ajudaria o Brasil? Eu ja disse anteriormente, imagine que desse enorme mercado de 10 Bilhoes de dolares o Brasil conseguisse uma fatia consideravel. Vc nao consegue ver os investimentos que isso traria? Distribuicao, retail, marketing, suporte, etc. Eh quase que uma questao basica de economia, as ramificacoes sao incontaveis. E mais, se alguem paga 500 ao inves de 3000 num mesmo produto, os outros 2500 sao usados em outros produtos que geram empregos. Isso sem contar todos os negativos do mercado paralelo.

Na minha opiniao isso tudo eh bem obvio. Se a sua teoria de "conter a fuga de dolares" for realmente verdadeira, a unica solucao para o Brasil eh fechar o mercado para todo e qualquer mercadoria importada. Dizer que videogames nao contam porque sao "produtos de luxo" nao faz o menor sentido do ponto de vista economico.

Chantinon said...

Estou terminando de ler "o mundo é plano", livro que você (Paulo) já comentou... E cada dia vejo que a unica saída para o mundo é um misto de globalização 100% sem barreiras e algo do tipo slow food como meio social, uma visão auto-sustentável.

Outro fator vem a tona, burocracia. É tão complicado importar que até grandes empresas passam a burlar leis, coisas como trazer o equipamento pronto para o Brasil, "abrir" uma fabrica no interior da Bahia e "fabricar" o produto, assim se livram de impostos e ainda ganham outras isenções.

Quando você vai importar seguindo toda a legislação, o processo pode demorar de 45 a 60 dias. E mesmo com toda essa espera, ainda tem que rezar para nenhum fiscal reter a mercadoria, já que mesmo com tudo certo, ele tem direito de reter qualquer coisa por 30 dias, basta ele estar de mau humor.

Já passei 30 dias enfurnado no aeroporto tentando liberar mercadorias totalmente legais. Como o cliente final era uma empresa publica, eles não entraram com mandato de segurança (já que são amigos).

Qualquer empresário com bom senso usa margens elevadas em itens importados, porque em um único negócio ele pode quebrar sua empresa, graças a desordem do Brasil.

Hermenauta said...

Certo, certo, vamos tentar pelo método socrático:

"Eu ja disse anteriormente, imagine que desse enorme mercado de 10 Bilhoes de dolares o Brasil conseguisse uma fatia consideravel."

A indústria de videogames é uma indústria de rede, onde as barreiras à entrada são altas devido ao chicken-and-egg problem: se você cria um console (aham...nenhuma empresa brasileira tem expertise para isso hoje), para lançá-lo ao mercado (com publicidade e redes de distribuição que exigem very deep pockets) você tem que ter bons jogos, ou seja, um excelente time de game developers em fila atrás de você. Mas para ter bons developers você tem que ter um console com uma boa fatia de mercado, porque o investimento do game developer é "product specific" e se ele optar pela sua plataforma ele tem que ir nela até o fim, e que dinheiro ele vai ganhar se sua plataforma é desconhecida do público? Por isso, se você não é a Microsoft, que tem o peso da marca por trás é uma rede de distribuição já amortizada pelas economias de escopo com suas outras linhas de negócio, o que um entrante no mercado de videogame tem que fazer é ele mesmo bancar in-house uma linha de jogos, até que sua plataforma pegue no tranco e ele comece a atrair novos game developers para sua banda.

Tudo isso significa que a probabilidade de alguma empresa brasileira entrar nesse mercado, hoje, é zero. Null. Eventualmente, porém, um game developer que comece nos jogos para celulares pode até eventualmente entrar nesse mercado aí, porque a entrada via teles é mais fácil, a estrutura do mercado é diferente e existem muito mais operadoras móveis em todo o mundo do que proprietários de plataformas de game.

No mais, eu sou partidário ferrenho dos investimentos na educação, você sabe. Mas educação sozinha não faz verão. Taí a Argentina e o Chile que não me deixam mentir. Além do mais o Brasil sempre teve um perfil educacional péssimo mas cresceu a taxas asiáticas quando enveredou pela substituição de importações, modelo que entretanto se esgotou porque o Delfim errou na mão.

É claro que é burrice "fechar o mercado para toda mercadoria importada". Bens de capital não devem ser taxados, por exemplo.

Anonymous said...

Ilusão achar que pequena loja vai ter x-box 360 num primeiro momento, talvez, quem sabe, num segundo momento.

Daniel said...

Ok... todos nós já temos uma idéia do pq do preço tão alto.

O q me intriga é saber a razão q levou a Microsoft a vender o Xbox 360 no Brasil.