Saturday, October 15, 2005

O papel da imprensa

No meio da confusão no final do jogo Santos x Corinthians, um bando de repórters tentava desesperadamente furar o cerco de policiais e entrevistar o árbitro Cléber Wellington Abade (que estava quase sendo linchado pela torcida). Quando o coitado do Abade começou a gritar que esses jornalistas estavam prejudicando ainda mais o jogo, o comentarista da Jovem Pan soltou a pérola: "Ah, agora tudo é culpa da imprensa!"

Acordei hoje curioso para saber como foi a votação da constituição iraquiana, e achei as seguintes notícias: "Iraque registra confusão e mortes durante referendo" e "Iraqis Vote on Constitution". A primeira fala que a votação foi um caos. A segunda, que foi um dia muito mais tranquilo que o de costume, e com uma participação muito maior do que era esperado.

A era de news 24/7 gerou (ou acentuou) uma artificialidade e parcialidade que deixa os noticiários cada vez mais parecidos com shows de auditório. Adicione a isso um enorme complexo de "responsabilidade social", e você acaba com um essa imprensa que só noticia o que interessa, de maneira espalhafatosa, e ainda se acha coitadinha.

Devem existir estatutos, recomendações e juramentos que esses jornalistas prometeram seguir, mas a realidade é que ninguem segue regra nenhuma. Se eu fosse Rei por um dia, estabeleceria 3 princípios para qualquer jornalista: Objetividade, imparcialidade e responsabilidade. E mais, estabeleceria a distinção entre a carreira de jornalista e de editorialista. Um não poderia dar opinião subjetiva, e o outro não poderia querer relatar fatos. Cada um com seu curso superior, cada um com seus poderes e limites. Os jornais teriam que diferenciar claramente um do outro, e se responsabilizar por erros. Aliás, era assim que as coisas funcionavam há um tempo atrás.

Claro que tudo isso é somente um desabafo. Não existe solução para o problema. Qualquer tipo de controle só criaria mais problemas, já que qualquer governo usaria qualquer tipo de controle a seu próprio favor.

Quem sabe a internet, com seu poder de disseminação e descentralização, conseguirá ao menos diminuir um pouco o problema. Com mais fontes, e um poder de informação mais distribuido, talvez as chances de se conseguir um relato correto aumentem.

Ou talvez a diversidade de interesses, bias e backgrounds crie um caos maior ainda.

Who knows.

2 comments:

Solon said...

ias produzir um reino com o pior jornalismo do mundo.

Fernando said...

A blogosfera e' um antro de panelinhas. Acho que vai ser bem pior.

[]s