Tuesday, October 25, 2005

Sobre o referendo

Borbulham as explicações que o pessoal do "sim" está dando para a vitória do "não":

- Referendos não funcionam.
- A campanha do não tinha mais dinheiro.
- Os marketeiros do sim eram inexperientes.
- O povo malvado se vingou do pobrezinho do Lula.
- O povo malvado, é também completamente estúpido.

E por ai vai. Alguns outros então, conseguem criar teorias inacreditáveis. A minha preferida: o backlash das cruzes de isopor.

Obviamente, esses fatores secundários tiveram alguma influência. Isso acontece em qualquer voto popular. Quem votou no Lula votou contra seus concorrentes, votou contra o status quo, apostou na imagem do PT, na esperança de que algo mágico aconteceria, etc.

Isso não muda o fato de que, ultimamente, todos entendiam o que estava sendo decidido.

Nada de diferente agora. O fato é que a maioria popular decidiu que não quer a proibição do comércio de armas. Querer dizer que as pessoas, por mais ignorantes que sejam, não entenderam um conceito tão claro e simples, ou dizer que deixaram motivos secundários encobrir a importância da questão em sí é ridículo.

O resultado que essa consulta tem que ter (ou deveria ter) é indiscutível. O resto é papo de sore loser.

11 comments:

Cláudio said...

Falou e disse!

Cláudio said...

Uma das piores coisas que eu ouvi, quando o resultado já era a vitória, ainda que não oficial, do NÃO foi da boca da Sra. Lúcia Hipólito. Ela sugeriu que o governo, para burlar a derrota nas urnas, em vez de proibir o comércio de armas, o tornasse proibitivo através dos impostos.

Igor Taam said...

Boa! Outra coisa que eu ouvi muito é que o Não foi o voto do ricos e o sim foi apoiado pelos pobres. Pelo número expressivo de votos do "Não", é bom verificar que o Brasil está de vento em popa, cheio de ricos votando.

Solon said...

Cláudio: na verdade, o governo já faz isso. Inclusive, uma das coisas que o pessoal do "sim" dizia (e segundo alguns analistas, devia ter dito antes) era que o suposto direito à legítima defesa de que abririam mão ao votar no "sim", na verdade estava ao alcance de uma parcela ínfima e abastada da população. Comprar uma arma é caro, registrá-la e tirar porte são ainda mais caros.

Eu, sinceramente, tenho sérias dúvidas quanto ao grau de esclarecimento da população. É minha impressão de que, acima de tudo, o eleitorado disse que se recusa a abrir mão de um direito que considera legítimo. Foi um voto ideológico, sem dúvida.

Mas o problema é que não era para ser um voto ideológico, só o foi porque as campanhas (incapazes de encarar isso como algo que não disputa política) assim o pintaram. Sinceramente, de ambos os lados, o que eu mais vi foi ignorância sobre o que realmente dizia a lei, a quem ela afetava ou a quem não afetava.

Continuo convicto de que referendo, em uma democracia representativa como a nossa, é dinheiro jogado fora, e falta de colhões por parte de nosso Legislativo. E que o povo é, sim, ignorante (e continuará sendo se ficar se fiando em campanhas mentirosas como fizeram as duas frentes parlamentárias neste referendo).

Cláudio said...

Solon, de fato. Parece que para registrar uma arma gasta-se atualmente algo em torno de R$1000. Não sei extamente quanto custa uma arma mas a idéia era taxar este produto de forma exorbitante.

Roger said...

Esse referendo foi uma das coisas mais vergonhosas que tive o desprazer de presenciar neste país.

Um joguinho de cartas marcadas onde o povo, qual palhaço, foi chamado a decidir sobre questão inócua. Quiseram dar um ar de legítimidade democrática ao Estatuto do Desarmamento que, de um jeito ou de outro, e como até o nome deixa claro, vai desarmar todo mundo.

Segundo o Estatuto, que está repleto de restrições de todo tipo, o cidadão comum tem que provar "necessidade" para que lhe seja permitido comprar ou portar arma. Ora, que diabos é necessidade?! Tenho que - provar - que vivo em constante risco de vida e ameaça de morte? Isso é patético!

Quem não provar necessidade não pode comprar arma, quem já tem precisa renovar o registro ou porte a cada três anos e se não provar a necessidade terá a arma confiscada.

Com base neste critério, me informaram que praticamente todos os registros já vem sendo negados desde o ano passado e a tendencia explícita é negar todos administrativamente. Ou seja, a administração, que é quem vai decidir o que é necessidade, vai desarmar todo mundo de qualquer jeito.

Aí vem eles, embalados pelas pesquisas feitas, onde todo mundo se declarava em princípio contra as armas, propor um referendo sobre questão inócua. Sim, inócua, pois, independente do resultado, você não pode ter arma pelo simples desejo de tê-la, e já foram criados os mecanismos pra desarmar todo mundo mesmo sem a proibição do comércio.

A única coisa que eles não esperavam foi a vitória do NÃO. E por 2/3 dos votos! Agora o povo poderá ver claramente como foi enganado, que seu voto não valeu de quase nada, que sua vontade verdadeira de garantir o direito de qualquer cidadão de bem ter uma arma por simples decisão pessoal, não será respeitado.

Como tenho dito, o povo ficou com nariz de palhaço, mas pelo menos arrancou a roupa do rei.

Se nós, brasileiros, tívessemos vergonha na cara - o que não temos -, iríamos às ruas pedir a revogação do Estatuto, desse estelionato político-eleitoral.

Roger said...

Não sei exatamente quanto custa ter uma arma, me informaram que pode chegar a R$ 3.000,00, dependendo da licença e tipo. Mas, sei que você poderia comprar um 38 por R$ 300,00 ou até menos, se o custo da licença, impostos, etc. JÁ NÃO FOSSE PROIBITIVO.

Engraçado é que eles mesmos tornaram a compra de armas proibitiva para os pobres, via impostos, licenças, etc, e depois usam isso de argumento para proibir "os ricos". Dizem que é injusta a injustiça que eles criaram...

Roger said...

Caramba, agora que ví o que o Idelber disse. Depois dessa faço questão de copiar e colar na caixa de comentários dele os mesmos comentários que fiz aqui.

Nemerson Lavoura said...

Excelente post. O "papo de sore loser" resumiu muito bem as barbaridades que estamos ouvindo por aí.

Anonymous said...

Paulo,

Welcome to Seattle!
No segundo andar do Bellevue Square vc acha uma sorveteria chamada Mora. A coisa mais proxima de um sorvete de coco Brasileiro que vc pode achar.
Ja na 4th (Bellevue downtown)tem um restaurante chamado Chantanee que serve a melhor comida Tailandesa da redondeza. Tenho certeza que eles devem servir algum prato vegetariano.
Whole Foods para comida organica vc ja deve conhecer....
Ah, tem uma lojinha que vende produtos da Terra Brasilis la em Seattle, perto da UW, e na frente fica um restaurante Brasileiro que, se nao me engano, so abre a noite.
Real Estate parece que vai subir (mais ainda) de precos em Redmond, um pouco mais pro norte (mas nao va para Redmond Ridge, o congestionamento eh de lascar...).Pelo menos eh no que aposto. Se puder nao va para Sammamish, Lynnwood, Bothel...Ja Issaquah....sei la. Muitas casas, um enorme crescimento por um tempo, mas depois a Microsoft decidiu nao mudar mais pra la, entonces...

Well,Good Luck Over Here, pra vc e sua esposa!

Paulo said...

Po Anonymous, valeu. Nao quer dizer quem eh vc nao?

[]s