Saturday, August 12, 2006

Uma agenda para crescer 9% ao ano

Muito interessante essa reportagem da Exame sobre esse estudo da McKinsey "Uma agenda para crescer 9% ao ano".

Não esperava diferenças de produtividade tão grandes. Mas no fim das contas, faz sentido. Principalmente quando se analisa os incentivos que existem num lugar e no outro. O sistema brasileiro é uma versão mal implementada do welfare europeu, aonde as 'recompensas' não existem mas a falta de incentivo para produção é brutal.

A informalidade é um reflexo desse sistema. Ela funciona como um 'workaround' da falta de dinâmica do mercado de trabalho, mas tem um custo indireto enorme: recompensa trabalhadores que ganham dinheiro suficiente para subexistência mas não o suficiente para chamar atenção das autoridades.

Mas apesar de ser um problema tão sério, ela é também o mais facil de se corrigir. Uma reforma completa das leis trabalhistas seria mais do que suficiente. Aqui nos EUA as empresas podem contratar e despedir quando bem entendem, com algumas exceções. E o sistema funciona.

Vale lembrar também que mesmo dentro de governos existem níveis diferentes de performance. Por coincidência, essa semana o MR publicou dois otimos posts sobre isso (Tyler e Alex). Desconfio que uma reforma trabalhista faria empregos públicos mais atraentes (pois seriam os únicos 'seguros') o que poderia contribuir para o aumento da qualidade de mão de obra no governo e consequentemente melhorar a eficiência do mesmo.

Um ponto não citado na reportagem (talvez seja parte do estudo) são os impostos absurdos sobre importados. Eu não sei dizer quais são as porcentagens oficiais, mas baseado em dados empíricos dá para ver que o nível é altíssimo.

Porquê um tênis fabricado no Vietnã custa 100 dólares nos EUA e 600 reais no Brasil?

Porquê um mesmo livro que custa 32 dólares nos EUA custa 150 reais no Brasil?

Qual é a lógica por trás disso? Quem é que se beneficia com esses impostos?

Isso precisa acabar.

35 comments:

Cláudio said...

Em relação ao custo dos produtos, quando comparados com os mesmos produtos nos EUA, não sei se os impostos são realmente os vilões. Veja bem: o imposto pode até colaborar mas a disposição dos consumidores de comprá-los é que definirá a disponibilidade do produto. Se um tênis chegasse aqui por R$600 e ninguém comprasse, ou o importador pararia de importar ou reduziria sua margem de lucro. O que ocorre, ao meu, ver é o que Giannetti expôs no seu livro "O valor do amanhã".

Embaixo deste angu tem mais caroço.

hermenauta said...

Porque você procurou no lugar errado:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/home/basket/basket.asp?nitem=756481&sid=187219244881414211884139&k5=1AB5BC9F&uid=

Paulo said...

Claudio,
Nao sei nao. Os EUA tem muito mais ricos que o Brasil. Como eh que obtem um lucro maior vendendo um produto mais barato do que no Brasil? Deveria ser justamente o contrario.

Smart, 91,96 continua caro. E obviamente eu so dei um exemplo. Procurando outros livros na Cultura e Amazon vc acha diferencas maiores (Paguei $18.89 no
America: The Last Best Hope , e na Cultura esta por 93,27)

[]s

Cláudio said...

Eu sei Paulo. Mas a questão não é ser rico ou ser pobre. É de atribuição de valor. Por exemplo, um celular Motorola V3 no Brasil custa uma fortuna e você vê pessoas de classe bem baixa se envolvendo em parcelamentos longuíssimos para tê-lo. O mesmo vale para roupas de grife, etc. Uma conhecida minha pagou - pasme! - R$700 num relógio da Diesel. Ela não é ricaça nem nada.

As vendedoras das lojas quando dizem o preço de um produto já acrescentam "mas nós parcelamos em X vezes" como se isso diminuísse o preço do produto. Já nã pensamos mais "será que isso vale X reais?" mas sim "será que consigo pagar?". Se a resposta desta pergunta for sim, o produto será vendido.

hermenauta said...

Paulo,

Pela cotação de hoje, o livro, na Amazon, sairia por R$ 69,12, enquanto na Cultura sairia por R$ 91,96 _ o que dá R$ 22,84 de diferença.

É uma senhora margem, mas convenhamos, um livro desses não é do tipo que sai como água. Além disso, a Cultura entrega o livro em até 1 dia útil em São Paulo, o que significa que ela não está arbitrando, tem o livro em estoque _ então é preciso computar o custo de estocagem, o capital de giro paralisado, o risco do livro encalhar (certamente não se trata de venda em consignação), a diferença de escala da Amazon para a Cultura, etc.

Você disse que deu "um exemplo". Mas ora bolas, a Cultura é uma das maiores livrarias virtuais do país. O consumidor que não conferir lá certamente é uma besta. Aliás, capitalismo é isso aí, o consumidor tem que correr atrás do melhor preço _ é o "animal spirits" do lado da demanda em funcionamento.

Mas não é isso o essencial. O que eu não concordo mesmo é com sua tese principal. O Brasil é um país onde A MAIORIA da PEA já está na informalidade. Falar em redução de custos trabalhistas em um panorama desses, com o câmbio onde está, para falar em competitividade, não faz muito sentido.

A China está nos colocando no corner. Alguma outra boa idéia ?

Paulo said...

Claudio,
Eu nao sou economista, nao posso colocar uma equacao que prove que estou certo ou errado. Mas duvido que os precos sejam mais altos porque existe uma cultura brasileira de pagar mais por produtos de valor menor. Eu ate imagino que, num pais mais pobre, produtos de marca tenham um valor social maior e isso tenha um certo peso. Mas que isso seja suficiente para que a Nike coloque um markup de 172% me parece absurdo.

Smart,
Ok, eu te dei outro exemplo de um livro de 19 dolares (aprox. 42 reais) que eh vendido por 94. Sao 52 reais de diferenca, mais do dobro. O fato do livro nao sair como agua nao pode ser motivo para o aumento do preco nessa escala, ou pode? Eu aposto (e talvez alguem que trabalhe na area confirme) que uma porcentagem grande dessa diferenca eh de impostos, taxas de importacao, etc. Sera que isso eh certo? Sera que o governo brasileiro deve desincentivar o consumo de livros, sejam quais for?

Sobre a informalidade, o que precisa ser feito eh a reforma das leis trabalhistas. Carteira assinada, fundo de garantia, etc, etc. Tudo isso eh bonito no papel, mas nao funciona. Deixa eu te dar um exemplo:
Minha mulher eh consultora com uma empresa de saude aqui. Ela nao eh nem considerada empregada da empresa, ela ganha por hora. Ela paga os impostos, ela decide quando tira ferias.

Parece horrivel nao? Nao, eh otimo. Se nao fosse por esse tipo de emprego, ela nao estaria trabalhando porque temos crianca pequena e um emprego full time nao daria certo.

Ja imaginou a flexibilidade que isso da ao mercado de trabalho? Ja imaginou como as duas partes saem lucrando?

Eu mesmo comecei por aqui como consultor, e quando achei uma empresa que gostava bastante (e que gostava suficiente do meu trabalho) me tornei funcionario permamente (que por aqui tem algumas poucas diferencas, mas tem).

Multiplique isso por milhoes. A informalidade eh diretamente causada pela dificuldade de contratar e despedir, isso eh fato. Nao eh com qualquer outro tipo de medida que isso pode ser mudado em grande escala.

[]s

Roger Moreira said...

Exemplo interessante:

Um DVD na sua versão importada é vendido por R$ 123,00. Comprei o mesmo DVD, ou seja, com o mesmo conteúdo, só que na versão "Zona Franca de Manaus" por R$ 36,00.

É mole ou quer mais?

hermenauta said...

Paulo,

A Lei 10.753/03, que institui a Política Nacional do Livro, isentou o livro do imposto de importação. E a Lei 11.033/04 desonerou os livros importados da incidência de PIS/COFINS. (puxa, todas do governo Lula, aquele operário ignorante, hein ? Quem diria).

Talvez em muitos casos o que explica a coisa é a ganância de alguns livreiros.

Além disso, acho que você está por fora dos mecanismos do mercado de trabalho brasileiro. Já ouviu falar em terceirização ?

Paulo said...

Smart,
Esse seu jeitinho as vezes eh duro de aguentar neh?

Se vc sabia sobre a isencao de impostos eh so falar. Eh algo que eu disse que nao sabia oras. E melhor assim.

E sobre contratar no Brasil, a extensao de terceirizacao eh limitadissima. Tanto eh que no ranking da doing business esse eh um dos piores fatores do Brasil (http://www.doingbusiness.org/ExploreEconomies/Default.aspx?economyid=28)

E novamente, os livros foram 1 exemplo. Um tempo atras eu comparei os precos dos computadores, e nesse mesmo o Roger deu o exemplo do DVD e eu dei o do tenis. Sera que tudo isso eh obra de empresarios gananciosos que (inexplicavelmente na minha opiniao) preferem vender o produto para um numero menor de pessoas no Brasil?

[]s

Cláudio said...

Hmm... Lamento estragar o sarcasmo, mas livros são isentos de impostos de importação praticamente desde sempre. Assim como são isentos se PIS e COFINS desde a criação destas contribuições.

Trecho da nossa Carta:

"Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre:

...

d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão."

Techo de uma das leis citadas:

Lei 10753/03

"Art. 4o É permitida a entrada no País de livros em língua estrangeira ou portuguesa, imunes de impostos nos termos do art. 150, inciso VI, alínea d, da Constituição, e, nos termos do regulamento, de tarifas alfandegárias prévias, sem prejuízo dos controles aduaneiros e de suas taxas"

Resumindo, o cara fez uma lei que diz que ele aceita o que está na Constituição :-)

Quem quiser acompanhar a íntegra da palhaçada governamental:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11033.htm

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm

Roger Moreira said...

O exemplo que eu dei é duplamente valioso na comparação com o mesmo produto produzido nos EUA. Afinal, o DVD produzido em Manaus, além de não pagar o imposto de importação pago pelo seu similar americano, ainda recebe os benefícios tributários da zona franca. Ou seja, também sai mais barato que o seu similar que fosse produzido em São Paulo por exemplo. Considerando que eu já excluí o custo de transporte nos valores que passei, essa diferença de R$ 123,00 para R$ 36,00, ainda é bem alta... É tão mais caro assim produzir nos EUA? Ou será que o DVD de Manaus sai mais barato que o similar americano ou paulistano por causa dos benefícios fiscais? Quem souber me conte.

hermenauta said...

Paulo,

Ué, que história é essa de "jeitinho" ? Por acaso você é um exemplo de correção política ? Veja os títulos de alguns de seus posts prévios: "Mais um exemplo do lixo"; "malucos e terroristas"...não que eu defenda automaticamente o que você está criticando ali, mas veja bem. Se você acha que "it´s time to level de playing field", tudo bem, mas não vá me apontando este seu dedo, porque você não joga o jogo desse jeito que pensa jogar.

Eu não diria o que disse do jeito que disse se não soubesse que você é um dos caras que gosta de ignorar que um sistema político não é constituído por uma pessoa só. Você há de reconhecer esta frase:

"(...)Mas como o Brasil também é governado também por um populista (ainda pior do que Kirchner, pois o Lula tem uma visão de mundo com a profundidade de um pires) e agora inventou de virar o lider dos pobres no mundo. Não dá para esperar muita coisa."

Não é estranho que o cara que tem uma visão de mundo da profundidade de um pires tenha tido a idéia de desfazer um imbroglio que um intelectual do porte de FHC não desfez ?

Quanto ao tema concreto, já já volto a ele.

Claudio,

Você não estragou nada. O fato de uma coisa estar na Constituição, como sabe qualquer bacharel em direito reprovado no exame da Ordem, não quer dizer necessariamente que vigore automaticamente _ muitas disposições precisam de lei que as regulamente. Ou, por outro lado, leis que vão contra proibições constitucionais, se aprovadas por um legislativo incauto, VALEM _ e tem que ser desfeitas por controle de constitucionalidade.

O governo Lula teve o mérito de erradicar (neste particular) um probleminha que FHC passou 8 anos sem se dispor a resolver (e o STF, uns quinze anos). Eu não sou lulista, mas devemos reconhecer isto, ué.

Certo ?

Roger Moreira said...

Acabei de ver, meu dvd custa U$ 18,99 (R$ 41,00 - certo?) na Amazon. Se importar chega aqui por R$ 123,00 e quando produzido na zona franca sai por R$ 36,00. Interessante.

Cláudio said...

Pois é. O que nem qualquer bacharel de direito sabe é que certos artigos (simplificando, aqueles que não possuem a declaração "nos termos da lei") não precisam de regulamentação, principalmente aqueles que lidam com imunidade. Reiterando: Lula jogou pra torcida, fazendo uma lei que já valia.

Cláudio said...

O preço que o lojista pede pelo DVD não é função do custo que o DVD tem. Podemos até dizer que o custo guia o preço porque ninguém é maluco de vender algo pelo preço de custo ou por menos.

Um ótimo livro que fala muito sobre formação de preços com uma linguagem informal é "The undercover economist".

Paulo said...

Smart,
O problema do seu jeitinho nao eh ser politicamente incorreto. Vc mesmo provou que isso eu tambem nao sou. O negocio eh que vc assume que qualquer post meu eh uma tentativa de provar que eu estou certo e vc errado. E nao eh isso. Eh so ver quantas vezes eu disse que nao sabia disso ou nao sabia daquilo. Quando alguem chega para discutir com essa atitude qualquer conversa, por mais interessante que seja, vira picuinha.

[]s

Marcelo said...

Curioso mesmo... Esta página do Senado
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=48467
traz a íntegra da tramitação do projeto de lei. Como é possível observar, a matéria tramita desde 2001, e o projeto é de autoria do Senador José Sarney. Qual seria o mérito do Governo Lula, então? Parece se tratar de mera circunstância temporal - estava no governo à época de sua edição...

Marcelo said...

Complementando: sugiro ainda verificar a Lei n. 8.032, de 12 de abril de 1990, em especial o art. 2, II, a).

Roger Moreira said...

Cláudio, o que eu achei interessante é que justamente o mesmo lojista que vende o importado por R$ 123,00, está vendendo o similar nacional por R$ 39,90 (eu havia confundido o preço, mas isso não altera o exemplo). E nos EUA se compra por R$ 41,00.

Tá na cara que o preço do importado foi em muito majorado e que não foi pelo custo de produção. Interessante também o fato do produto feito nos EUA e aquele que é feito na zona franca com isenções tributárias terem preços aproximados.

Que isso? O fetiche pelo importado triplicou o preço? Tem alguém tolo o bastante para comprar o mais caro só porque é importado? Mistério..... ;-)

Cláudio said...

Roger, tem gente tola o bastante para compra roupa que já vem rasgada da loja... E por uma fortuna :-)

hermenauta said...

Claudio,

Na verdade, há um problema no Art. 150 da Constituição, que pertence à Seção que fala do "poder de tributar". O Artigo fala o tempo todo em "tributos", até chegar ao inciso VI, que fala em "imposto". Foi essa a brecha que permitiu a cobrança de PIS/COFINS de livros.

E a cobrança de PIS/COFINS de livros foi transformada em isenção (alíquota zero) pela Lei 11.033, originada da conversão da Medida Provisória 206 do Poder Executivo, enviada ao Congresso pelo Lula (certo, Marcelo ?).

Marcelo,

Como disse acima, a Lei que isenta livros de PIS/COFINS originou-se de uma MP publicada pelo governo Lula. Além disso, a tramitação de leis pelo Congresso tem seus mistérios. Como sabemos, mensalões e outros esquemas têm o poder de obstar ou facilitar a tramitação de projetos de lei nas duas casas. Há projetos que não são do interesse do Executivo que estão engavetados no Congresso há anos. E essa não é uma prática nativa do governo Lula (que a abraçou de bom grado, é verdade).

Paulo,

É gozado, porque eu raramente vi um blogueiro tão aferrado àquilo que está dizendo quanto você. Acredito que você sinceramente se vê desta forma, mas a verdade é que a maioria dos seus posts não procura estabelecer um debate, mas simplesmente afirmar uma verdade. Na minha opinião isso não chega a ser um defeito, mas estranho que você depois venha com esse papo de "eu estou dizendo que não sei". Deixe passar umas semanas, volte a esse post, leia-o e reflita se ele é um "programa de pesquisa" ou uma tomada de posição...

Roger Moreira said...

Olha Cláudio, eu concordo com você que tem bobo pra tudo. Mas já que ninguém entrou no mérito do problema eu vou dizer o que eu acho absurdo no sistema tributário brasileiro: efeito cascata e tributação por dentro. Ou seja, cobrar tributo incluindo tributos na base de cálculo.

Nas importações, por exemplo, além das tarifas e taxas alfandegárias você paga imposto de importação, imposto sobre produto industrializado, ICMS, PIS e Cofins. (esqueci algum?)

A base de cálculo do imposto de importação = custo da mercadoria + frete + gastos associados ao transporte + seguro. (ora é absurdo cobrar imposto sobre frete e seguro!!! a base de cálculo deveria ser somente a mercadoria).

Já o IPI é calculado sobre o custo da mercadoria + frete + gastos associados + seguro + imposto de importação + ICMS + PIS + Cofins + IPI (sim, absurdamente o IPI tem por base de cálculo todos os outros tributos e o próprio IPI!!!)

Todos esses custos e impostos acima ainda refletem no PIS e Cofins e o ICMS que é cobrado sobre o preço final de venda também é cálculado sobre tudo isso aí e sobre o próprio ICMS.

IMPOSTO DE IMPOSTO!!!!! Assim, quando se fala numa alíquota de 15% a alíquota real vira 30% ou sei lá quantos por cento. As fórmulas da fazenda pra calcular essa loucura toda são de dar dor de cabeça em prêmio nobel de matemática.

Anonymous said...

Saindo da discussao tributaria e indo para a Economia...

1- Os impostos de importacao sao altos mesmo no Brasil. A escolha do exemplo do livro foi infeliz. Seria melhor ter considerado o preco de computadores, por exemplo.
2- O fato dos produtos industrializados serem mais baratos nos paises desenvolvidos decorre (em parte) do efeito Balassa-Samuelson (vejam na wikipedia a explicacao). O mesmo efeito faz com que os servicos (non-tradeables) tendam a ser mais baratos nos paises menos desenvolvidos.

Leo.

Paulo said...

Smart,
Como disse la no seu blog, meus posts nunca tem um objetivo unico. Escrevo para expor minhas opinioes, para conhecer outros ponto de vista, e as vezes so escrevo por escrever.

Veja que outras pessoas como o Claudio discordaram de pelo menos partes do meu post, mas de uma forma muito menos 'dialetica', digamos.

Eh isso que eu acho chato demais. Essa sua pose (e sinceramente a maioria da esquerda eh assim, e uma parte da direita tambem) de que qualquer discussao eh uma briga mortal, aonde o 'outro lado' eh literalmente seu inimigo.

[]s

Paulo said...

Leo,
Interessante esse Balassa-Samuelson effect. Eu conhecia a teoria da Dutch disease.

Agora, lendo o texto da Wikipedia nao ficou claro que esse efeito fosse capaz de explicar diferencas tao enormes, como a do Nike. Eles tem uma entrada para "The protectionism explanation" (Lipsey and Swedenborg) e essa me parece mais plausivel.

Outra coisa que talvez influencia tudo isso, alem dos impostos, pode ser as dificuldades "nao oficiais" de se importar no Brasil. Ja ouvi muitas reclamacoes do porto de Santos por exemplo, onde parece que nada funciona sem propina. As importadoras provavelmente repassam tudo isso para o consumidor, nao eh?

[]s

Anonymous said...

Paulo,

Protecao e custo de transporte tb explicam pq os tradeables nao seguem a lei do preco unico.
Quanto a corrupcao+ineficiencia dos portos, eu jah ouvi historias terriveis vindas de pessoas fisicias. Mas imagino que os importadores profissionais jah cultivaram seus despachantes ou corruptos de estimacao que facilitam as coisas.

Leo

Hermenauta said...

O Brasil teve uma redução bastante significativa da tarifa média nas últimas décadas. Parece que a tarifa média cresceu de novo de 97 pra cá, mas muito pouco. Mas o dado bruto não explica muita coisa. Baixas tarifas aplicadas a bens de luxo não ajudariam em nada na discussão em tela; por outro lado, as tarifas sobre bens de capital foram bastante reduzidas ou zeradas nos últimos anos.

A consultoria da McKinsey é bastante dispensável. A "agenda para o crescimento" que foi tocada pelo Marcos Lisboa quando ele foi Secretário de Política Econômica no início do atual governo (por sua vez nada mais era do que a "agenda perdida" que o pessoal do IETS fez em 2002). É o papo das reformas microeconômicas, o qual eu aliás compro.

Vejo duas tragédias particularmente graves no horizonte. Uma é a administração do câmbio vs juros. Outra é o aumento dos gastos incompressíveis que o Lula patrocinou neste último ano, principalmente na folha de pagamento do setor público. Ainda bem que é ele mesmo que vai ter que dar um jeito de pagar a conta.

Igor Taam said...

Estou chegando tarde, mas concordo com a afirmativa do Cláudio, a expectativa do brasileiro é muito menos racional em termos financeiros, praticamente não se pode diagnosticar incentivos da mesma forma que em países anglo-saxões. Às vezes, o poder de compra diminui, mas o consumo continua aumentando. O exemplo de comprar parcelado ao invés de pensar se aquilo vale o que cobram é outro vício tipicamente brasileiro. Acho que simplesmente não dá para entender muito.

Paulo said...

Alguem ai compra pela Amazon? Imagino qual a diferenca de preco.

Smart, os gastos publicos tambem foram citados no estudo da McKinsey. Nao sei porque da sua bronca. Consultorias sao isso ai, analisam a situacao e dao ideias para uma solucao, mesmo que recicladas. Logico que isso nao significa nada se nao for implementado.

Mas continuo achando que problemas como o da informalidade tem um impacto muito maior do que vc acha. Depois veja aquele estudo do Doing Business, eles mostram aonde e porque o Brasil tem tantos problemas nessa area.

[]s

hermenauta said...

Paulo,

Eu costumo comprar pela Amazon. Dependendo do livro, às vezes é mais barato comprar na Cultura (on line) ou mesmo em outras livrarias. Já comprei muitos livros de economia na livraria (de tijolos) da GV do Rio bem mais barato do que na Amazon.

Eu não estou dizendo que a informalidade não é um problema. É claro que é, e é um esqueleto que estamos criando para o futuro, em termos de Previdência _ ou então teremos um sério problema de "velhinhos de rua". O que eu tenho lá minhas dúvidas é sobre a eficácia do remédio prescrito (reforma das leis trabalhistas).

Meu problema com a McKinsey é que foi ela quem fez o estudo para a Globo dizendo que o mercado brasileiro de TV por assinatura ia ser dez vezes maior do que o que acabou sendo, e no processo, quase faliu a dita cuja. Isso é que me dá vontade de ver a metodologia do negócio. Aliás, o que seria mais interessante do que uma comparação entre a produtividade do trabalhador brasileiro e americano seria a mesma comparação entre o trabalhador brasileiro e o chinês (câmbio distorcido excluído).

Anonymous said...

Hermenauta,

Qual o interesse de saber comparar a produtividade de chineses/americanos/brasileiros? Desde Ricardo essa questao nao eh a pergunta relevante.

(A proposito, tb acho o estudo da McKinsey bem vagabundo. Apenas bom senso e sem sofisticacao economica nenhuma. Qq um poderia ter feito. A Agenda Perdida eh bem melhor.)

leo

hermenauta said...

Leo,

Por que quem está crescendo a 9% ao ano ou mais não são os EUA, mas sim a China...

Talvez isto fosse interessante para chamar a atenção para quais outros fatores (ou elementos de política pública) podem contribuir, talvez até com mais intensidade, para um crescimento de 9% aa.

Paulo said...

Leo,
O economista aqui eh vc, e talvez a comparacao de produtividade por si so nao leve a nada, mas nao eh verdade que essa comparacao pode mostrar motivos por tras da diferenca de produtividade?

Smart,
Nao sei se comparar com a China seria realmente valido. Afinal, o nivel de atraso deles era (e em muitos casos ainda eh) muito maior do que o brasileiro, isso sem falar nas diferencas politicas que sao enormes (leis trabalhistas por exemplo). Se a intencao eh comparar com paises em situacao parecida, quem sabe o Mexico seria uma escolha melhor?

[]s

Anonymous said...

O fato da produtividade dos brazucas crescer menos que a dos chineses nao eh motivo de preocupacao nenhum. Ganhos de produtividade sao bons e pronto. Nao quer dizer (quase) nada se forem menores do que os dos chineses. (Tem os efeitos nos termos de troca, mas nao devem ser tao fortes assim).

Eh mole a China crescer 9% a.a. Lah vai a receita de Leo COnsulting.
1- Entregue o pais para o Mao e os seus (na falta dele vc pode substituir pelo serve o Rui Costa).
2- Aguarde 30 anos
3- Aguarde mais um pouquinho.
4- Reduza a quantitade de besteira que vc faz na economia.

Voilá. Teu pais ainda serah um horrror, mas vai crescer passar a crescer bem rapidinho.

Leo

Hermenauta said...

Leo,

Tua "receita chinesa" é de fazer corar um consultor de pedra da McKinsey. :)