Wednesday, June 22, 2005

Backed up

Fiquei esses dias sem tempo para postar e é como se uma pilha de assuntos tivesse entalado na minha garganta. Como ainda vou ficar sem tempo até a próxima semana, aqui vão umas 'rapidinhas':

- Globalization: It's Not Just Wages. Artigo sobre como a globalização proporciona a melhor busca de oportunidades, o que nem sempre significa mão de obra barata.

- Não tenho a menor idéia do que o tal Cesar Maia fez ou deixou de fazer pelo Rio de Janeiro, mas esse editorial dele está muito bom. Segundo ele, os quatro maiores problemas ("cavaleiros do apocalipse") do Brasil são:
1) Insegurança jurídica: precatórios vencidos de valor próximo a R$ 100 bilhões; Créditos tributários ignorados pelo governo estimado em mais de R$ 50 bilhões; Justiça Alternativa praticada por centenas de juízes em todos os lugares; Insegurança crescente quanto ao direito de propriedade (MST).
2) Insegurança política: Perda de poder das agências reguladoras; tentativa de amordaçar o Ministério Público e de limitar a imprensa com a criação de conselhos; infiltração na máquina profissional do Estado de agentes políticos; a tentativa de intervir na Federação por decreto; a ascendente sinalização da política externa quanto aos modelos que inspiram o atual governo e a desmoralização do Legislativo.
3) Insegurança econômica: Errático movimento da taxa de câmbio; Previdência estatal; carga tributária.
4) Insegurança administrativa: Inapetência do presidente para o ato de governar; Orgia de conselhos, grupos e instâncias coletivas de todos os tipos, que arrastam questões emergentes para um prazo indeterminado; Inexistência de controles jurídico e financeiro internos.

- The Ethical Brain. Uma review desse livro que parece ser bem interessante. Será que é possivel aumentar a inteligência geneticamente? Será que essa indústria acabará com o conceito de competição atual? O primeiro capítulo está disponível aqui.

- Por último, a lei que proíbe o uso de animais em apresentações de circo. Acho que esse tipo de lei é um presságio de uma discussão maior: O que é um animal? Continua a ser somente um "resource" (e nesse caso sem direito algum)? Ou será que chegamos num ponto aonde o uso dos animais é desnecessário, e por consequência somente um abuso? Acho que estamos no meio do caminho. Muitos ficam chocados quando ouvem sobre como os animais são tratados, mas ao mesmo tempo ainda acham que comemos carne por necessidade. Tratamos nossos cachorros como membros da família, mas não damos a mínima se coelhos ou porcos são desnecessariamente mutilados e torturados em todo tipo de experimento sem o menor controle.

Enfim, vai chegar uma hora em que essa hipocrisia vai ter que ser pelo menos discutida abertamente.

13 comments:

Cláudio said...

"...mas não damos a mínima se coelhos ou porcos são desnecessariamente mutilados e torturados em todo tipo de experimento sem o menor controle"

Nós quem?

"Me inclua fora dessa" :-)

O problema é que experimentos não possuem taxa de acerto garantidos. O ideal seria que os cientistas fossem dotados de ética que os impediria de impor sofriemnto desnecessário aos bichos. Mas se hoje em dia os cientistas não estão ligando nem para os seres humanos, o que esperar deles em relação aos bichos?

Isso me fez pensar em uma coisa: vejam em que ponto poderemos chegar no futuro: os animais poderão ter mais direitos que um feto!

Cláudio said...

Quanto ao César Maia, bem... Digamos que ele é um político. Ele pode saber o que deveria ser feito mas faz o que lhe dá dividendos políticos.

Paulo said...

Claudio,

Acho que meu ponto eh um pouco mais macro. Se animais tem direito a nao ser tratados de certa forma, eh porque sao considerados nao-objetos.

E se nao sao objetos, ou propriedade, sao exatamente o que? 1/3 de um humano? (a la escravidao?)

E assumindo esse status de nao-objeto, qual a diferenca se o experimento cientifico eh bem sucedido ou nao? Sera que temos o direito de ficar jogando uma substancia X no olho de um coelho se for para provar que tal componente eh nocivo?

E ai vc tem todas as unintended consequences desse tipo de definicao. Sera que caça pode ser permitida? Se nao, como controlar a populacao animal?

E por ai vai.

[ ]s

Fernando said...

Paulo, e se eu achar o abuso à animais horrível mas gostar de comer carne por achá-la saborosa, pode?

Por outro lado, essa visão à-la-PETA é novidade (a não ser que eu tenha entendido errado ou vc esteja nos testando). Quem disse que os cientistas não possuem estritas regras de ética em relação à pesquisa com animais? De que cientistas estamos falando? De cientistas malvados de desenho animado?

Qualquer pessoa que viva num país industrializado do século XXI já se beneficiou de algum produto testado em animais, seja este uma vacina contra doença ou um perfume. Me lembra a posição de certos hippies sobre a energia nuclear: são contra mas reclamam da dependência americana de petróleo estrangeiro. Não é meio "have your cake and eat it too"?

[]s

PS = Este blog não mudou de dono não, certo? :)

Paulo said...

Fernando,

hehe, nao estou testando, e nem mesmo defendo ou sigo o que o Peta diz. (apesar de entender o porque deles fazerem o que fazem).

O que eu acho eh que as leis atuais sobre animais sao totalmente inconsistentes. Eh algo parecido com aquela discussao do aborto, sobre o que eh um feto, quais direitos eles tem, etc.

Nao defendo a proibicao de consumo de animais, nem a proibicao de experimentos. Acho que com o passar do tempo as coisas vao se ajeitar naturalmente. So acho que o governo ou tem que ficar de fora ou tem que informar direito. Aqui nos EUA pelo menos na ultima piramide alimentar eles mudaram algumas coisas importantes... Pelo que ja ouvi sobre as pesquisas com animais, muitos absurdos ainda acontecem. Por exemplo, essa historia de testar produtos em coelhos. Nunca foi provado que isso ajuda em nada, e continuam fazendo. E na maioria das vezes eh o governo que paga a conta...

Ah, e o dono nao mudou nao. Eu sei que esse tipo de pensamento eh mais comum na esquerda, mas eu nao ligo. Eu defendo o que acho certo, se cai de um lado ou do outro eh somente consequencia.

[ ]s

Claudio said...

"Eu defendo o que acho certo, se cai de um lado ou do outro eh somente consequencia."

Agora você deixou muita gente confusa com esse negócio de pensar como um indivíduo... :-)

Andrei Formiga said...


Agora você deixou muita gente confusa com esse negócio de pensar como um indivíduo... :-)


Tanto da esquerda quanto da direita :)

Sobre direitos dos animais, li hoje um dos artigos de Richard Dawkins no livro "O Capelão do Diabo" (The Devil's Chaplain) que discute sobre os direitos dos macacos superiores e a linha que divide os humanos dos animais. Dawkins defende que, segundo o ponto de vista evolutivo, traçar essa linha é impossível, porque ela não existe. Embora costumemos pensar nas espécies como classes discretas, na verdade elas formam um contínuo, então é tão difícil definir evolutivamente o que é um humano quanto é definir em que ponto um feto está vivo.

Fernando said...

Bem, se uma organização que acha que todo mundo deveria ser vegetariano e apoia o ALF é um sinal de invidualismo, teremos que rever o seu conceito sobre indíviduo, Claudio (já que reveste o teu conceito sobre César Maia). Talvez o direito dos animais não seja o assunto mais debatido, mas é costume dos chamados "individualistas" de dizerem uma coisa do lado econômico e colocarem um matiz intransigente calcado no conservadorismo religioso. Por esse lado certamente faz sentido. Também sigo sem entender de que cientistas do estado que testam coelhos estamos falando. Será que a indústria privada farmacêutica não testa animais?

[]s

Paulo said...

Andrei,

Concordo contigo. Pessoalmente acho esse assunto muito complexo.

Fernando,

Talvez porque esteja tarde, mas nao entendi o que vc falou do Peta e individualismo. Ainda mais porque eu disse que nao simpatizo com os metodos ou todas as ideias do Peta. Tambem nao sei o que isso tem a ver com religiao. Pelo que eu lembre (posso estar errado) a religiao defende justamente a materialidade dos animais.

O que eu acho eh que o Estado devia no minimo ficar fora desse problema. Nao devia apoiar consumo de carne, assim como nao deveria proibir consumo de carne. Pior, o governo nao deveria fazer isso:
http://www.stopanimaltests.com/us-gov.asp

E eu nao disse que a iniciativa privada eh inocente. A maior diferenca eh que se eu quiser eu nao compro produtos da Revlon, Pfizer, ou quem quer que seja.

Mas com o dinheiro do governo nao tenho essa opcao, nao eh mesmo?

[ ]s

Cláudio said...

Fernando

1) Leia o que está escrito e não o que você consegue adaptar aos seus templates. Um indivíduo que pensa independentemente pode apoiar várias coisas que politicasmente possam parecer contraditórias. Eu apóio totalmente a proibição que a Igreja faz da camisinha, mas eu discordo. Por isso não sou católico. Por outro lado eu concordo com outros assuntos como a visão da vida existir no momento da concepção. Por isso você estranhou a compreensão do Paulo em relação À PETA (organismo que eu considero pernicioso pela abordagem radical de alguns de seus membros). Para você, ou o Paulo "pensa" como manda a cartilha da direita ou ele está fora de esquadro.

2) Eu SEMPE, mesmo nas listas de discussão das quais participei, esculachei o César Maia. Logo, não revi conceito nenhum sobre ele. Você acha isso porque pensa "Cláudio é de direita, logo apoia o PFL". Cláudio é o Cláudio e só.

3) Quanto aos cientistas, outra confusão sua: ninguém falou em cientista estatal. Parece que qualquer crítica que saia da boca de um liberal é, por default, dirigida ao Estado.

Fernando said...

Cláudio:

1) Calma, calma. Como ficou evidente em outros posts, vc carece de bom humor e compreensão em vários comments. Posso ter brincado com a história do PETA, mas certamente não tenho nada contra vegetarianos ou quem se recusa a usar produtos testados em animais. Apesar do que pode ter sugerido meu comment anterior, eu não "penso" o que ninguém acha nem tento enquadrar ninguém em direita ou esquerda. Acho que o Paulo entendeu isso, apesar de não ser tão claro pra vc. Eu não gosto da posição autoritária do PETA (que eu certamente nem assumi nem disse que vc apoiava, Paulo, mesmo sendo tarde) e tb apoio os direitos dos animais, mas sem achar que todo cientista é anti-ético e desumano. Isso não me faz um esquerdista modelo faz? Talvez é pq tb não me considere nem de direita nem de esquerda.

2) Novamente, eu nunca disse que ninguém era de direita aqui, até mesmo pq César Maia não é um político muito esquerdista que digamos. Mas se vc critica o César Maia em outros comments, posso assumir que vc não gosta dele, certo? Chamá-lo de pragmático como todos os políticos é uma aliviada e tanto, não? Novamente, vc pode ser quem quiser ser. Não tenha crises de identidade por suas opiniões ou meus comments.

3) Novamente, como o Paulo mesmo te contradiz acima, o problema parece ser a pesquisa financiada pelo governo. Até podem boicotar os produtos da Pfizer, etc, mas isso não impede que usem animais. O que adianta falarmos em direitos se a empresa privada continua testando animais? Não é mais coerente passar regras éticas que se apliquem à todo mundo?

4) "Eu apóio totalmente a proibição que a Igreja faz da camisinha, mas eu discordo." O que vc quer que eu leia disso? Francamente, não entendi. Vc apóia algo que não concorda? Onde foi parar o individualismo de acreditar no que é certo, independente de onde se encaixe? Prefiro o "individualismo" honesto pregado por grupos como o Von Mises Institute (http://www.mises.org/story/1736). Pelo menos isso é mais coerente.

[]s

Cláudio said...

Eu apóio que a Igreja Católica estabeleça as regras que ela quiser, mas eu me dou o direito de discordar delas e portanto não aderir àquela religião. Mais explicadinho que isso eu sou incapaz de fazer.

Lucia Malla said...

Tanto empresas privadas quanto mantidas pelo governo (entenda-se no geral a academia) estao subjugadas as mesmas leis de etica na pesquisa com uso de animais e/ou humanos - lembrem-se que os testes clinicos para drogas em humanos sao a ultima fase para q ela finalmente alcance o mercado. As atenuacoes da lei principal podem variar de instituicao para instituicao, mas existe um compendio geral aprovado por um Conselho. Qualquer modificacao desse protocolo rigido (que deve ser estabelecido previamente a pesquisa ser realizada), passa por um rigoroso processo de investigacao da Comissao de Etica, que dah a palavra final. Se a Comissao falar: vc nao pode usar esse animal, o cientista tem q se virar e arrumar outro jeito de fazer seu experimento. Em geral, as Comissoes de Etica sao bem duras - palavra de quem jah dependeu delas pra uma tese.