Thursday, June 30, 2005

Reparando o irreparável

De todas as idéias "progressistas" que surgem aqui pelos EUA (e não são poucas) uma das mais absurdas é a da "Reparations to African Americans", isto é, reparação aos negros pelos abusos da época da escravidão.

A teoria é que a população negra atual ainda sofre com as conseqüências do passado de escravidão. As idéias sobre como poderia-se efetuar essa ajuda vão desde uma isenção de impostos até uma mensalidade a la social security.

Discutir se os negros de hoje em dia ainda sofrem com o passado escravo é um exercício de subjetividade. Todos concordam que tudo aquilo foi um absurdo, a situação foi legalmente corrigida, e os negros atualmente tem os mesmos direitos dos brancos. Se culturalmente essa bronca ainda não passou (o que é compreensível), não vai ser com dinheiro que a situação vai ser corrigida. Desigualdade econômica tem que ser combatida com acesso a educação e melhora da infraestrutura geral. E desavenças étnicas só passam com o tempo.

Mas o pior de tudo é que esse tipo de plano, além de perpetuar uma relação de desigualdade racial, é essencialmente injusto.

Como é que pode se exigir que todos os brancos paguem por um erro que foi cometido somente por um grupo comparativamente pequeno de antepassados? E os brancos que chegaram aqui depois do fim da escravidão? Será que eu tenho que pagar só porque minha pele é de uma cor X? Ou talvez por eu ter vindo do Brasil eu posso me considerar "hispânico" e não branco?

E mais, o que dizer aos imigrantes irlandeses que fugiram da opressão dos ingleses? Será que os imigrantes brancos ingleses tem que pagar uma indenização para eles também? E os asiáticos pagam? E os de raça misturada, tem desconto?

Quer dizer, é simplesmente impossível corrigir algo que aconteceu centenas de anos atrás e fazer com que somente os que lucraram com um abuso indenizem os descendentes daqueles que realmente sofreram.

A história é imutável, e o que devemos lutar é para que vergonhas como essa não se repitam. Tentar quantificar essa dívida moral e pagar discriminação com mais discriminação não é a saída.

8 comments:

Breno B. said...

Aqui no Paraná um grupo de homens foi devidamente remunerado por serem ex-presos políticos.

Um dos indenizados disse que o dinheiro não é importante, embora não tenha se negado a recebê-lo, e sim o reconhecimento do governo do estado por um erro cometido. O que esse mesmo homem hoje faz da vida?

É funcionário público do governo do estado.

david said...

Existem alguns defensores dessa idéia por estas bandas. É aquela: querem importar a solução... e acabam importando o problema!

Raimundo Arão said...

História véia. Que tal os egpicios pagarem pela escravidão dos judeus na época de Moisés?

Anonymous said...

Certamente

Malkhut said...

No Brasil já estamos pagando a conta pelo os portugueses fizeram antes de 1800... Os negros já tem acesso privilegiado nas universidades públicas, já são beneficiados com instituições afro-indígenas, onde branco não entra e pelo jeito que vai, logo logo vão ter acesso especial a filas de bancos, terão acesso especial a crédito, essas coisas que político gosta de fazer para ganhar votos.

Tive uma idéia: que tal mandar metade da fatura para os países africanos que também venderam negros aos ingleses, portugueses, espanhóis e franceses? A Grande Mãe África também tem uma enorme parte nessa conta.

Eiweiss said...

É interessante notar que os mesmos que defendem como absurdo a idenização aos negros pela escravidão, são calados pela onda politicamente correta, e não defendem que o Estado Alemão interrompa o pagamento que faz às vítimas do Holocausto e seus descendentes diretos.

O Paradoxal nisso é que a atual geração alemã, que não tem nada a ver com o nazismo, é aprimeira a não querer discutir a questão. Excesso de Politicamente correto dá nisso.

Leonardo said...

Discordo das ações afirmativas, por todas as razões que foram expostas e mais algumas, mas também não concordo com o argumento do Malkhut. Levando-se em conta que o Brasil é independente de Portugal desde 1822 e a escravidão só acabou em 1888, não se pode falar que estamos pagando pelo que os portugueses fizeram antes de 1800. Toda a economia brasileira do período tirou vantagem do trabalho escravo.

Paulo said...

Eiweiss,

Acho que o pagamento aos judeus que perderam terras e negocios durante o nazismo eh um caso bem diferente.

Afinal, vc sabe quem sao as familias e sabe o que eles tinham antes de serem expulsos ou mortos...

Mas como pagar aos descendentes dos escravos algo que eles nunca tiveram? E mais, quanto mais longe pior. Se os judeus esperarem mais 100 anos para tentar algum tipo de processo pode ter certeza que nao daria certo.

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