Saturday, July 02, 2005

Follow the Leprechaun

Nas duas últimas semanas, o Friedman escreveu artigos sobre a situação econômica da Europa. Semana passada ele falou sobre o famoso "milagre da Irlanda", e ontem sobre o dilema político entre o sucesso dos países que seguem um modelo "less protected but more innovative, high-employment" (Irlanda, Inglaterra e Leste Europeu) comparado com a crise dos que seguem o modelo "shorter-workweek-six-weeks'-vacation-never-fire-anyone-but-high-unemployment" (França, Alemanha, Bélgica).

Além de falar as coisas de sempre, ele cita uns dados interessantes sobre a Irlanda:
- Ela recebeu mais investimento americano em 2003 do que a China.
- 9 das 10 maiores companhias farmacêuticas tem fábricas por lá, assim como 16 das 20 maiores companhias de aparelhos médicos e 7 das 10 maiores empresas de software.
- O ministério da educação criou um programa para dobrar o número de Ph.D.'s em ciências e engenharia até 2010.
- A Dell é a maior exportadora 'irlandesa'.
- A Intel tem 4 fábricas, e emprega 4.700 pessoas.

O Friedman também cita entre os fatores que levaram ao sucesso irlandês o alto subsídio à educação: de graça até o 2.o grau, e com preços baixos nas universidades.

É interessante ver como esse sistema irlandês parece conseguir unir o melhor dos dois mundos: economia liberal (impostos baixos, pouca legislação trabalhista, alto investimento externo) e rede social extensa (educação e seguro saúde de graça).

Mas não podemos esquecer que a Irlanda tem somente 4 milhões de habitantes. Não sei se para um país com centenas de milhões de pessoas esse sistema seria viável.

5 comments:

Rafael Reinehr said...

Não quero ser alarmista, mas se continuar do jeito que tá, logo logo a profecia de Raul Seixas vai se realizar pelas bandas da Terra brasilis: "...o jeito é alugar o Brasil"

Convite: acabei de promover a demolição da antiga sede do Escrever Por Escrever, que agora respira novos ares no Armazém de Idéias Ideais (http://armazemdeideias.org)

Sua presença é extremamente bem-vinda.

Leonardo said...

Também não sei se daria certo num país como o Brasil. Mas antes de optar pelo modelo irlandês, inglês ou pelo francês, eu gostaria que o Brasil tivesse já um modelo, pois aqui não há nenhum.

Marcelo said...

Há sim Leonardo. Leia a constituição e veja o que as emendas fizeram e você vai ter uma noção bastante clara do modelo adotado.

Fernando Henrique said...

O problema não é a dimensão do país, mas sim a dimensão da vontade política.

Paulo said...

Fernando,

Nao sei nao. Eu ainda tenho uma teoria fajuta aqui na minha cabeca que a tendencia das democracias modernas eh serem mais bem sucedidas em paises pequenos, e por consequencia, funcionando 'bem' somente em paises federalistas...

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