Thursday, July 28, 2005

CAFTA

O CAFTA (Central American Free Trade Agreement) foi aprovado ontem pelo congresso americano pela menor margem de votos possível: 217-215. Mês passado, o Senado tinha aprovado a medida também por uma diferença apertada: 54-45.

Dos 217 representantes que votaram sim, 202 são Republicanos e 15 Democratas. Dos 215 que votaram não, 187 são Democratas e 27 Republicanos (mais um independente). Vale lembrar que na votação do NAFTA, mais de 100 Democratas foram à favor, o que mostra como a rivalidade política domina os debates atuais em Washington.

Aumentaram o coro contra o tratado a insane left, os protecionistas e os sindicatos. Aliás, acho que os sindicatos dos países desenvolvidos são os maiores inimigos externos do terceiro mundo, ganhando de longe do lobby dos fazendeiros.

Tudo isso depois de um período aonde vários tratados como esse foram assinados (NAFTA, Austrália, Chile, Cingapura e outros) e a economia americana cresceu forte (entre 1993 e 2003 crescimento de 38% e quase 18 milhões de empregos criados).

Fica fácil entender porque as negociacões na WTO são tão difíceis. Mas, pelo menos agora existe uma chance.

9 comments:

Claudio said...

Paulo, nada a ver com o assunto, mas você tem algum feedback aí sobre o tal programa "No child left behind" (parece coisa do Michael Jackson)? Li um artigo que falava sobre os excelentes resultados obtidos principalmente entre os negros na faixa dos 9 anos. Mas como só vi um artigo, não dá para formar uma idéia concreta.

Paulo said...

Claudio,
Ouvi sobre isso ontem no radio (basicamente isso que vc falou sobre boas melhoras nos resultados), depois vou dar uma procurada...

Leonardo said...

Li uma vez que o CAFTA é a resposta americana ao boicote por omissão do governo brasileiro ao FTAA-ALCA.

Seria algo como fazer acordos em blocos distintos com as Americas do Norte e Central, ou isoladamente com cada país, deixando de lado a América do Sul até que o governo do Brasil mude de mãos (já que sozinho ele representa 80% do Mercosul).

Não sei se é uma análise correta, porque quase tudo aqui tem um viés anti-americano, mas se for, significa que o Brasil corre o sério risco de perder o bonde do acesso ao mercado americano. Mais uma vez...

Os maiores inimigos externos do 3° mundo são os sindicatos daí. Já o interno é o nosso próprio governo.

Leonardo said...

E sobre a nova chance na OMC, estudei com um ex-embaixador que garante que o objetivo da política externa do Brasil de hoje é emperrar mais uma vez a rodada Doha. Pura e simplesmente. Na visão do Brasil, rodadas multilaterais não levam a nada porque exigem unanimidade dos membros. O que interessa pro Itamaraty é usar o contencioso da OMC pra conseguir o que quer.

Jorge Nobre said...

O artigo que você leu é um do Thomas Sowell, Cláudio?

Cláudio said...

Não era não, Jorge. Eu catei o link mas não achei.

Claudio said...

Achei! Tá aqui:

http://www.economist.com/world/na/displayStory.cfm?story_id=4198655

Cisco said...

Nitpicking: o CAFTA é um acordo, não um tratado. E a diferença é importante porque foi o que permitiu que ele fosse aprovado. Se fosse um tratado, teria sido necessário maioria de 2/3.

E, hm, acho que os fazendeiros são piores.

Marcelo said...

Paulo,

A WTO não passa de um circo, uma gigante assembléia onde nada se decide, tudo se emperra. Livre-comércio não se faz assim.