Saturday, July 02, 2005

Pobre Brasil

Esse é o líder do partido mais poderoso do Brasil.

Essa é a nossa elite, nosso crème de la crème...

Titia Rand já dizia que "I don't like people who speak or think in terms of gaining anybody's confidence. If one's actions are honest, one does not need the predated confidance of others, only their rational perception. The person who craves a moral blank check of that kind, has dishonest intentions, whether he admits it to himself or not".

Mas ela partia do princípio de que existiriam pessoas racionais para decidir em quem confiar.

Às vezes eu me esqueço que o Brasil tem a liderança que merece.

19 comments:

Raimundo Arão said...

É, o povo e a classe média deste país não ajudam muito. Líderes, em geral, são extrato e conseqüência.

Nemerson Lavoura said...

Alguém já disse que a "elite" econômica brasileira é extremamente ignorante, no sentido formal do termo, isto é, é inculta e não tem uma boa base educacional. Quem sabe falar inglês já se acha "o intelectual", mesmo que tenha dificuldades em fazer as operações básicas da matemática e não tenha lido um só bom romance até o final. Eu antes achava que cobrar cultura de alguém era ser preconceituoso, mas a esta altura do campeonato, a ficha já caiu: a ignorância e a estupidez maciças do povo e da "elite" jamais deixarão o Brasil sair da merda !

Marcelo said...

Paulo,

O maior foco de ignorância no Brasil é paradoxalmente seu sistema educacional.

Em termos de definições, a coisa vai bem até a quinta série, quando começa uma dissociação total entre escola e realidade, e uma inundação de assuntos que serão de pouca ou nenhuma utilidade na vida real.

A faculdade é pior ainda. Ou são fábricas de diploma ou são escolas de adestramento, em que o infeliz do aluno é obrigado a ter formação de cientista e arrumar emprego de auxiliar do auxiliar quando sai do mercado porque não tem a menor ideia do que é mercado de trabalho. Ou então você sai um doutrinado achando que:

- As esquerdas são a salvação do mundo

ou

- A coisa só se resolve com investimento do Estado.

De uma forma ou de outra a iniciativa privada e a liberdade individual, valores indispensáveis a uma sociedade bem sucedida, simplesmente são desconhecidos ao que deveria ser a elite intelectual do Brasil. E assim você tem cretinos como essa corja do PT e do PSDB no poder.

Anonymous said...

Probleminha com o segundo link: "UOL - Área de acesso exclusivo para assinantes. Por favor, informe e-mail e senha para continuar:"

Dá pra explicar do que trata?

Fernando said...

Eu também era fiel adepto dessa frase. Até que o chefe de um amigo meu levou um tiro na cara, tendo o carro assaltado num sinal no Rio. Vi que era fácil sentar num barzinho e falar isso pra me achar inteligente. Mas bem difícil de dizer (ou até imaginar) que a mãe do cara, que era decente, tinha sua própria empresa e cuidava do seu nariz, merecia essa putaria que se chama de "Governo" no Brasil. Junto com milhares de outras pessoas. Hoje em dia, essa frase me dá tanto nojo quanto as pessoas que dizem que as vítimas do 9/11 mereceram morrer naquele dia.

[]s

Anonymous said...

Como os ventos do "mensalão" repercutiram nas expectativas dos endinheirados que apoiaram Lula em 2002

A elite golden Lula - 30 meses depois

[por Paulo Sampaio e Deborah Giannini]

"Sou Lula até a morte, doa a quem doer. Acredito na integridade desse semi-analfabeto que se tornou o político mais importante do país. O Brasil tem de se orgulhar desse torneiro-mecânico que perdeu o dedo trabalhando."

A declaração é de Cristina Bonventi, que se define como "a burguesa mais socialista do mundo" e votou pela primeira vez no PT em 2002. Naquela época, a socialite-socialista e mais sete personagens recém-convertidos deram depoimentos à Revista contando por que até a elite endinheirada, sempre refratária ao barbudo, tinha optado pelos brochinhos de estrela --de preferência, dourados, mais exclusivos.

Os "golden Lula" eram a ponta mais inusitada e simbólica da maré de adesões que colocou o Partido dos Trabalhadores no Planalto. Na semana passada, quando a maré era outra --de acusações--, eles foram procurados novamente para dizer o que pensam do governo 30 meses depois.

Como em todo o país, as opiniões se dividem. Uns se desiludiram, outros não quiseram comentar o assunto e uma ala mais esperançosa mantém o crédito dado há quase três anos. Encabeçada por Cristina Bonventi, essa facção da estrela dourada aposta na castigada tese de que "o problema da corrupção é histórico no país".

"O Lula não tem culpa se o Congresso Nacional está cheio de gente intrigueira e inescrupulosa, como esse Roberto Jefferson, que era da turma do Collor. Um homem sujo, imundo", diz Cristina, sem se lembrar de que o deputado do PTB foi aliado de primeira hora do governo --o presidente chegou a declarar que,para ele, era capaz de assinar cheque em branco.

Em sua apreciação do atual governo, Cristina acredita que "Jefferson fez fofocas que o presidente não teve tempo de apurar". "O Lula estava cuidando de divisas, viajando e representando o Brasil", acha.

Mais ponderado, o empresário José Victor Oliva diz manter a confiança em Lula, apesar de tudo.

"Mas não é fácil continuar acreditando, quando pessoas que acompanham o presidente da República estão em xeque. É ruim porque contamina, você perde o estímulo", diz o empresário.

Para Oliva, que conheceu o presidente em 1980, quando era dono do clube "privé" Gallery, as palavras "esperança" e "Lula" ainda são indissociáveis. Em 2002, o empresário dizia que havia votado no petista pensando no futuro dos dois filhos. "Meus argumentos são incontestáveis: quero um país melhor, e isso passa pela justiça social, pela inclusão", afirmava.

Sobre aquele primeiro encontro com Lula no Gallery, o empresário dizia: "Quando o conheci, ele ainda era metalúrgico. Tive grande simpatia pela pessoa, mas na época não votaria nele nem para síndico do meu prédio". Hoje, embora se sinta "deprimido" e "envergonhado", Oliva mantém a fé no presidente.

"É óbvio que essa bandalheira choca mais nesse governo do que no do Collor. Mas eu continuo a ter esperança no Lula por sua biografia e também por entender que ele pode muita coisa, mas não tudo", diz.

Dos oito "golden" entrevistados em 2002, dois não quiseram se manifestar sobre o assunto. O empresário Daniel Sahagoff, que na edição de 2002 foi capa da Revista com uma estrela na lapela e usava adesivo "Agora é Lula" no pára-choque do Mercedes-Benz, chegou a marcar a entrevista, mas desistiu em seguida com um suspiro. "Estou velho, meu filho, 67 anos, não tenho mais nada a dizer sobre política no Brasil", afirmou, irredutível.

A empresária Amélia Bueno, 64, que em princípio também concordou em conversar, ligou mais tarde para dizer que seu marido "achou melhor não falar de política".

Antes de depois Na época da primeira reportagem, a novidade era o discurso dos ricos contra a pobreza, do tipo "sempre houve pobre na rua, mas agora chegou a um ponto que incomoda, a gente vai comer, não consegue; embrulha o estômago ver tanta criança pedindo dinheiro".

Lula era o ideal de personagem para fazer a ponte entre o proletariado e a elite ameaçada. Com seu novo "layout by" Ricardo Almeida, o ex-torneiro-mecânico passara a freqüentar jantares de adesão na casa de empresários endinheirados e madames e, para eles, representava a promessa de recuperar "o direito de ser rico".

Naquela ocasião, a comerciante Maria Dolores Gonzalez, 60, ex-eleitora de Maluf, raciocinava: "O Lula veio de baixo, conhece as necessidades do povo brasileiro e, ao mesmo tempo, pode-se dizer que circula no poder há 20 anos. É o melhor mediador que a gente poderia ter nesse momento".

Três anos e muitas decepções depois, a mesma Maria Dolores lamenta: "Tenho muita pena de mim e de todos os brasileiros em geral. A gente acreditou e nada aconteceu. O PT não ajudou ninguém, nem o pobre, nem a classe média, nem o rico. Só sobrou banqueiro e político".

Desiludida, ela resume: "O Lula é um puro, um bobo, coitado. Perdeu a chance de entrar para a história como alguém que mudou o país".

Em sua análise da situação atual, os "golden" raramente atacam a idoneidade de Lula. Podem chamá-lo de bobo, mas não de ladrão. A maior parte prefere acreditar que ele foi mal assessorado --embora nem sempre estejam dispostos a perdoá-lo.

"Ele é um inocente culpado. Se você me diz que só fica no governo quem dança conforme a música, eu, como contribuinte, te digo que não estou interessada. Votei numa de ‘Vamos virar a mesa!’. Essa era a promessa", diz a comerciante Luísa Altílio, 53, para quem a inadimplência do rico, uma de suas maiores queixas à época da eleição, "piorou".

"Hoje a maior parte de quem é classe média-alta vive de cheque especial e cartão de crédito. Tenho um sobrinho que saiu do colégio particular e está ocupando a vaga na pública de alguém que precisa muito mais dela, mas meu cunhado não teve condições de continuar pagando", conta.

Ex-eleitora de Collor e Maluf, Luísa diz que resolveu "chutar o pau da barraca" em 2002, para ver se um governo de esquerda faria a tão esperada limpeza nos meios corruptos da política. "Todos nós colaboramos, queríamos ver o Brasil caminhar, mas o Lula se dispersou", analisa.

Luísa e boa parte dos "golden" foram influenciados por um grupo de pesos-pesados que se juntou em torno do petista. "Quem colocou o Lula na presidência foram os ricos, aquele grupo de empresários encabeçados pelo Ivo Rosset (dono da Valisère), pelo Eugênio Staub (dono da Gradiente). Pobre não elege pobre", acredita.

Petismo chique Anfitriã de jantares para 400 talheres durante a campanha, a psicanalista Eleonora Mendes Caldeira, 59, foi uma das principais alavancas entre os "golden". Petista histórica, mulher do megaempresário Ivo Rosset e colunável fotografada nos salões mais bem freqüentados da cidade, Eleonora empenhou sua imagem para atrair os endinheirados temerosos de votar em um governo "de esquerda". Seus salões continuam abertos para jantares em torno de uma eventual campanha do petista em 2006, diz.

"O Lula ainda encarna o ideal de político para fazer o que o Brasil precisa. Existe corrupção, mas o governo não abafa: admite e vai até as últimas conseqüências", acredita Eleonora. "Agora: ninguém pode exigir um milagre, temos um país democrático muito jovem. Isso não se constrói de um dia para o outro."

Eleonora e sua turma levaram alguns representantes da elite a achar até que "passou a ser chique votar em Lula" --como disse então Rosana Saad, 42, mulher de um dos donos da TV Bandeirantes e relações-públicas da emissora. Embora tenha escolhido José Serra, "porque achava que não podia eleger alguém que não falasse todos os ‘s’", Rosana logo depois se disse "convencida de que o Brasil precisa do Lula. Estou muito otimista".

O otimismo foi-se. "Não votei e, para dizer a verdade, não votaria nele em um segundo mandato", diz agora.

E os velhos argumentos de falta de preparo do candidato voltaram.

"Você nunca ouve dizer: ‘O presidente está lendo tal livro’. Ele deveria ter usado o cargo para melhorar. Ficou muito no plano popular, essa coisa do churrasco e futebol", afirma o oftalmologista Marcelo Cunha, 50. "Golden" até a raiz dos cabelos, ele se desentendeu com a mãe, "malufista roxa", para votar em Lula e diz que "esperava um presidente um pouco mais elaborado".

Ou mais traquejado. Na opinião do pecuarista Paulo Leonel, 41, que também "lulou" em 2002, faltou ao presidente da República um gesto mais condizente com a situação que o país enfrenta. "Uma pessoa que saiu de uma metalúrgica e chegou a presidente da República tinha que ter uma atitude de acordo. Deveria ter mandado todo mundo embora. Um cara que tem respaldo mundial não pode estar associado a uma palhaçada dessas", diz.

Mas nem tudo está perdido, acredita o pecuarista. Como Eleonora e Zé Victor, Leonel acha que o episódio da CPI do "mensalão" pode servir como lição de crescimento político para o Brasil.

"As pessoas tratam o assunto com pessimismo, mas quem era de confiança se mantém aí. Por que ninguém fala do (ministro da Fazenda Antônio) Palocci, do (ministro da Justiça) Márcio Thomaz Bastos, do (ministro da Agricultura) Roberto Rodrigues? Essa crise é uma excelente oportunidade para colocar os pingos nos ‘is’", acredita. Leonel está entre os "golden" moderados. Ele diz que "não é preciso jogar todo o caixote de laranjas fora". "Basta tirar as podres."

Resta saber se sobra o suficiente para um bom suco.

Paulo said...

Fernando,
Nao falei isso para tentar passar por inteligente ou por qualquer outro motivo alem de ser o que realmente pensei depois de ler essa materia do 'Lula luxo'.

Logico que nao eh culpa direta de cada cidadao brasileiro (ate porque muitos nao votaram nele) mas no geral o povo eh desinteressado e no fim das contas, os que estao no poder so estao la porque o resto permite.

Eu sou o ultimo a defender esse tipo de logica revolucionaria, ate porque acho que o Brasil nao precisa de revolucao nenhuma, mas tem que cair a ficha que o pais eh de todos.

[ ]s

Anonymous said...

Chewbacca strikes again :
http://arte.typepad.com/parte/2005/06/preconceito_lin_1.html

Raimundo Arão said...

90% do país aprovava o governo Lula logo quando tomou posse. Dizer que o povo não merece os líderes, ou que não é reflexo deles, é fazer o que há centenas de anos estamos fazendo. Merecemos nossa miséria, pois quem deu legitimidade foi o povo. Não tem nada a ver com 9/11, não passa nem perto.

Fernando said...

A frase é vazia, Raimundo, não adianta. Achar que o povo merece miséria ou que dizer o contrário significa inocentar a ignorância eleitoral que nos assola é tão simplista quanto os que acham o 9/11 "merecido" (por outras vias ideológicas). Até porque o simplismo intelectual não precisa ser coerente, muito pelo contrário.

Abraços.

Cláudio said...

Eu acho que a frase é um bom aforismo. Generaliza, claro, mas tem seu fundo de verdade. Num sistema onde há eleição me parece óbvio que a qualidade dos políticos será proporcional à qualidade dos eleitores.

Fernando said...

Realmente, a democracia não permite espaço pro egoísmo liberal da titia Rand. Mas pelo menos ela era contra o autoritarismo (inclusive o religioso).

Paulo said...

Fernando
A Democracia permite o liberalismo sim (egoistico ou nao). Quem as vezes nao permite sao as pessoas que usam a democracia. E nao seria essa mais uma prova que, a longo prazo, cada pais tem o governo que merece?

[ ]s

Fernando said...

"Quem as vezes nao permite sao as pessoas que usam a democracia", a democracia é chata mesmo, Paulo. As pessoas nem sempre votam em quem a gente quer e isso incomoda. Além do que é preciso assumir a responsabilidade pelos que votam mal. A não ser que vc ache que a culpa é sempre dos outros ou que o povo merece miséria mesmo. Eu não tenho tanto rencor para tal.

[]s

Raimundo Arão said...

Rancor? Até onde eu saiba, trata-se de uma coisa bem simples chamada nexo causal. Sobre sentimentos exaltaldos, bem, muitos dizem que tenho um saco de ouro. Não encontro ligação do que foi dito por aqui com afetações rasgadas, ódio ou rancor... Não identifico isso com aquilo. A não ser que você tenha determinado que a mera discordância objetiva de suas posições sejam rancores e "frases vazias". Sinceramente, acho que sua leitura está meio viciada.

Fernando said...

He, he, he. Escreveu bonito e continuou vazio, Raimundão. Parece político com o seu sem-nexo causal.

Paulo said...

Fernando,

Democracia nao eh chata, so eh mal compreendida. O chato eh quando a maioria vota num certo sujeito e depois acha que nao tem responsabilidade sobre as consequencias.

:-)
[ ]s

Fernando said...

Paulo, nisso eu concordo totalmente. Até pq ninguém vota em miséria, mesmo que seja consequência. :-)

[]s

Raimundo Arão said...

As you wish.