Sunday, February 19, 2006

The left

Pessimista

Quando eu comentei sobre o pessimismo da esquerda, eu estava falando sobre isso: (só para assinantes)

"My go-to worldview is pessimism. I see a Time Square billboard that has its audience 'dancing in the aisles' and I can't help but think 'That is a fire hazrad'".
...
"When he (Bush) took the presedential oath, I cried. What was I so afraid of? I was weeping because I was terrified that the new president would wreck the economy and muck up my drinking water. Isn't that adorable? I lacked the pessimistic imagination to dread that tens of thousands of human beings would be spied on or maimed or tortured or killed or stranded or drowned, thanks to his incompetence".

Eu posso te garantir, she is loony and she is no happy camper.

NYT

Aliás, hoje fiz algo que não fazia há tempos: comprar o NYT de papel. Alguns editorias não estão mais abertos online, e eu estava matando tempo na Starbucks.

Primeiro de tudo, eu quase caí de costas com o preço: 5 dólares. Segundo, qualquer pessoa que tenha a cara de pau de dizer que o NYT não é completamente de esquerda simplesmente não lê o jornal.

Dos 12 editoriais que eu contei, 3 eram neutros e 9 eram politicamente ou ideologicamente de esquerda. Encontrei pérolas do tipo "Once, not that long ago, economics was the queen of the social sciences. Human beings were assumed to be profit-maximizing creatures, trending toward reasonableness. As societies grew richer and more modern, it was assumed, they would become more secular. As people became better educated, primitive passions like tribalism and nacionalism would fade away and global institutions would rise to their place." (Do editorial Questions of Culture).

Claro que o jornal tem o direito de escrever o que quiser, mas eles deviam pelo menos avisar qual o conteúdo. Aquilo ali não é news, é propaganda. Eu quase pedi meu dinheiro de volta.

Cheney

Mas de todos os exageros atuais da esquerda, o mais absurdo é o que vem acontecendo com o Cheney. Eu sei que o cara não é nem um pouco likeable, e na minha opinião hunting é mais backwards do querer arrastar sua mulher pelos cabelos e morar numa caverna.

Mas o que a mídia vem fazendo com esse acidente esdrúxulo é simplesmente ridiculo. Nenhuma lei foi quebrada, tudo que ele fez foi dentro do exigido no Texas. E atirar na cara de um amigo devia ser considerado um acidente infeliz, até provado o contrário.

Mesmo assim, já acusaram o cara de tudo: bêbado, maluco, assassino... Tinha gente abertamente torcendo para que o velhinho lá morresse, só para poderem comecar a falar de quais crimes ele poderia ser julgado. Até de impeachment já falaram!

E até agora qual o problema que acharam? Nada. Na verdade, a imprensa ficou bravinha porque ele não avisou os reporteres que ficam de plantão na Casa Branca (shocker), que a coletiva dele foi para somente um reporter da Fox, e que ele não pediu desculpas na entrevista (como se ele tivesse de alguma forma ofendido o público!). Eles tiveram a cara de pau de inferir que, porque ele não falou desculpas na TV, ele não teria pedido desculpas para o tal Harry.

Esse é provavelmente o exemplo mais obvio de futilidade ideológica que chegou a imprensa daqui. Eles se acham no direito de explorar um acidente só porque não são paparicados pelo governo atual.

Profissionalismo zero.

34 comments:

Cláudio said...

NYT 5 dólares onde vcoê está ou o mesmo preço vale para NYC?

Se for o mesmo preço, esquerdista pode ser pessimista mas tem grana para manter seus hábitos. É uma pena o jornal custar tão caro: os pobres nunca tomarão conhecimento das batalhas que o NYT trava por eles.

Jorge Nobre said...

Como sempre, o Negão disse bem: "Spoiled brat media"

Roger said...

Bom, o que eu penso da história do Cheney está no meu blog. Em linhas gerais concordo contigo.

Anonymous said...

"E atirar na cara de um amigo devia ser considerado um acidente infeliz, até provado o contrário."
O problema-como diz um texto no site do Lew Rockwell-é que Cheney foi negligente.Não acho que alguém que faz isso esteja em condições de ser vice presidente dos EUA(talvez do Brasil).Ou então temos que absolver os bêbados que causam acidentes de carro.Ao contrário do que pensam os liberals,armas não saem por aí matando pessoas por vontade própria."Guns don't kill people, people kill people".Isso vale para o Cheney também.
Gilberto F.

Paulo said...

Gilberto,
Quem disse que o Cheney foi negligente? Alguem em algum lugar tem alguma prova disso?

Aqui nos EUA todos sao inocentes ate que se prove o contrario. E pelo que eu saiba, a midia nao faz parte do judiciario. Pelo menos nao por enquanto...

[]s

Fernando said...

Além do mais, atirar em amigo é tradição aqui no Texas...

[]s

Anonymous said...

A mídia não faz parte do Judiciário,claro.Por quê? A quantos anos de prisão o NYT condenou Cheney? O Washington Post já expediu o mandato de prisão? Por outro lado, a Imprensa tem o direito de fazer o barulho que quiser e "julgar" à vontade o vice presidente.Ser inocente até prova em contrário vale na esfera do Judiciário e só.A opinião pública e a imprensa são livres para condená-lo desde o primeiro segundo do caso(imagino que a Primeira Emenda continue valendo na América).E o assunto é de interesse público,sim.Roger alega que só o que deveria chamar atenção em Cheney,um político,são suas idéias e iniciativas político-administrativas.Quer dizer que a análise da personalidade e da capacidade dos líderes políticos está agora proibida por decreto?Um cidadão americano não pode mais pensar que um sujeito incapaz de lidar com uma arma de caça não deve ser mantido perto dos códigos nucleares (via linha sucessória),do presidente e de todo o resto do complexo sistema de governo americano.
Quanto à negligência de Cheney,Paulo,é óbvio.Ele disparou a arma.Se ele tem uma boa explicação para isso(o vento desviou a bala,o tiro foi pela culatra),ele tem que citá-la.Se ele não a cita,ele mostra desprezo pela opinião pública que só pode retribuir com condenação.Ele quebrou as regras de segurança para se usar uma arma,foi irresponsável.A linha sucessória (ainda mais a vice presidência) não é para esse tipo de gente.
Gilberto F.

Cláudio said...

Paulo, tu tem uma paciência de Jó.

Cheney: Bush, duh, olha o que eu sei fazer! Duh.

Bush: Dick, não encoste nesses botões vermelhos!

Cheney: Duh, botões vermelhos, duh, que botões vermelhos? Esses aqui?

Bush: Dick, nã...

Roger said...

Gilberto,

Não sei a terminologia exata nos EUA, mas você já ouviu falar de crime contra a honra? Se você acusar alguém de cometer um crime, tem que provar sim senhor. Caso contrário comete um ilícito e as indenizações milionárias estão aí justamente pra cobrar a fatura.

Todos são inocentes até prova em contrário não é mera regra processual a ser observada pela Justiça, mas sim um mandamento erga hominis. Acusar sem provas é ilícito, passível de processo movido pelo ofendido.

De resto, vou tentar explicar de forma bem didática uma coisa que o homem mediano e os bocós da imprensa, parecem ignorar:

Vivemos num Estado Democrático de Direito. Como tal, este estado tem princípios tanto democráticos como de direito cuja observância é obrigatória sob pena de não passar de uma democracia de fachada.

Pois bem, dentre os vários princípios democráticos estão liberdade de expressão, privacidade e legalidade. Todos eles são fundamentais ao Estado Democrático de Direito, portanto imprescindíveis e equivalentes entre sí. Um princípio não se submete nada, só podendo ser limitado por outro princípio.

Pois bem, liberdade de expressão não é ilimitada. A partir do momento que a privacidade é invadida, ou uma lei é descumprida, essa liberdade de dizer o que quiser é crime.

Cheney e Whittington tiveram suas privacidades invadidas sem que as notícias vinculadas tivessem qualquer relevância para o público. Como eu disse em meu post, niguém tem nada a ver com eventos particulares na vida de um homem público. Pior, tem gente imputando crimes a ele sem provas.

O problema é que ele não tem interesse nenhum em comprar uma briga com o mundo, avaliando o custo/benefício é mais fácil dar logo uma satisfação pros imbecís e seguir em frente...

Sem falar que raciocínio lógico, cultura jurídica e filosofia do direito tem, infelizmente, deixado de ser um ponto forte na cabeça dos juízes do munod afora, que têm se tornado técnicos decoradores de leis que interpretam tudo ao seu bel prazer.

Paulo said...

Claudio,
Esqueci de te responder: moro em Seattle, nao sei se os 5 dolares sao por isso...

Gilberto,
O fato dele ter atingido o cara nao significa que ele foi negligente. Se o outro cara simplesmente levantou na hora que ele atirou, a culpa foi do cara. Por tudo que foi dito ate agora, inclusive pela vitima, a culpa nao foi do Cheney. Eh como qualquer outro acidente oras.

E como o Roger disse, a imprensa nao tem (ou nao deveria ter) um passe livre para condenar sem provas. O unico motivo para o Cheney nao processar eh que ele precisaria provar danos, e como VP isso seria dificil.

E mais, concordar que a imprensa julgue sem provas eh tao ruim quanto o fato em si. Eu entendo que os Republicanos fazem a mesma coisa, mas esse uso politico da midia deveria ser ao menos rejeitado pelos leitores.

Afinal, todos sabemos que o pessoal que nao gosta do Cheney nao esta bravo porque ele atirou no amigo, nao eh mesmo?

[]s

Anonymous said...

Cheney mostrou péssima capacidade de julgamento.E uma pessoa com má capacidade de julgamento não deveria estar na linha sucessória. Tentem atirar em alguém na América para ver o que acontece.Vocês vão ser inocentes até prova em contrário em uma bela cela.E dizer que ele foi negligente não é imputar nada,é só a expressão da mais simples verdade."The term 'accidental shooting' is a bad term. If a firearm is in your possession you are responsible for that firearm. When you shoot a gun you are responsible for your shot. A more appropriate term for 'accidental shooting' is negligence."-Greg Perry
Não acho que os Cheney haters tenham ficado tristinhos,não.Por acaso,os republicanos ficaram tristes quando Clinton inventou um novo jeito de fumar maconha(fumou,mas não tragou) ou quando estorou o milésimo escândalo de assédio sexual do Governo Clinton?Goste ou não,Paulo,os políticos são e devem ser julgados pela sua vida pessoal:desempenho profissinal,drogas,notas na escola,casos extramaritais,orientação sexual.O público tem o direito de ser informado.Como diria o velho Truman:"If you can't stand the heat,get out of the kitchen".Se levado a sério,esse apego farisaico a um suposto direito à privacidade e a uma suposta presunção de inocência minaria a Democracia e inviabilizaria o livre debate.Por essa lógica bizarra,Lima Barreto não teria escrito Triste Fim de Policarpo Quaresma,por exemplo.

Anonymous said...

Esqueci de colocar o nome.
Gilberto F.

Roger said...

Gilberto,

Você confunde alhos com bugalhos.

Você, indivíduo, tem o direito de fazer qualquer julgamento particular que queira na hora de votar, pode até escolher o presidente pela cor dos olhos, se assim preferir.

Os jornais também podem brincar à vontade com o fato, fazer charges, etc., pois, o animus jocandi exclui a ilicitude, isso mesmo se a piada for de mal gosto, pois entende-se que qualquer um sabe reconhecer uma piada, portanto só um completo imbecil a tomaria como expressão da verdade em estado puro. (no meu blog tem um post recente sobre animus jocandi, se quiser ler mais a respeito)

DEBATER também é um exercício limpo de liberdade de expressão, pois você apresenta as RAZÕES, FATOS E PROVAS que o levam a crer naquilo. Se você estiver errado, não tem problema, não há como imputar a você qualquer má-fé numa situação em que você fundamentou seu pensamento, Mesmo que sua idéia seja a mais estúpida possível, eu posso no máximo te chamar de idiota, mas não de mau intencionado.

Agora, o que vemos em relação à pessoas públicas, é pura e simples invasão de privacidade sim. Noticiam coisas que não tem qualquer interesse objetivo, a não ser para alimentar a curiosidade gratúita de fofoqueiros ou, pior, para fazer uso político como no caso de Cheney.

Aliás, explorar um acidente terrível, onde uma amigo atira no outro e este chega a correr risco de vida (teve ataque cardíaco), é uma invasão brutal de privacidade, um desrespeito profundo com o sentimento dos envolvidos, com a dor da família e, principalmente, desrespeito à vida da vítima.

Coloque-se no lugar deles pra tentar entender. Só assim você vai compreender o que é invasão de privacidade.

Tudo pra quê? Pra fazer uso político de um fato que não tem conotação política, que não deveria despertar esse interesse mórbido e louco nas pessoas.

O real sentido dos princípios democráticos foi totalmente perdido, ninguém sabe mais o que é liberdade de expressão, criaram a ditadura da imprensa. Todo mundo fala o quer, cometem crimes pela palavra e é normal. Não há qualquer repúdio a isso.

Quanto a negligência, é sim um termo técnicamente errado. Não gosto muito de ficar discutindo casos ocorridos em outros países, porque muitas vezes não conheço os termos técnicos adequados, o que me obriga a recorrer ou ao termo em português ou ao latim.

Isso se complica mais ainda quando falamos de países alglo-saxões que mesclaram o direito latino com suas tradições próprias. Por isso, prefiro sempre dialogar em termos ideais, em termos de princípios, pois estes são universais quando falamos de democracia, por exemplo.

Mas, va lá, correndo o risco de falar bobagens enormes em relação à lei do Texas (que desconheço totalmente), farei as seguintes colocações que - EU CONSIDERO - corretas em termos ideais, mesmo que não tenham sido adotadas pela legislação local:

Um crime pode ser doloso ou culposo, no primeiro houve a intenção, no segundo não. O crime culposo se dá por imperícia, imprudência ou NEGLIGÊNCIA.

Imperícia e fazer algo que você sabe que não tem capacidade pra fazer, imprudência é ter capacidade mas ir além do limite de segurança, negligência é ter capacidade mas fazer descuidadamente. Ao agir de qualquer dessas formas, mesmo não tendo a intenção de atirar, o sujeito assume uma responsabilidade objetiva por sua imprudência, imperícia ou negligência.

Agora, no caso Cheney simplesmente não se tem certeza do que ocorreu. Disseram que ele não tinha licensa, então pode ser imperícia, se for uma licensa que autoriza a usar arma de caça aferindo a capacidade ou naõ para fazê-lo. Pode ser imprudência se ele simplesmente exagerou na auto-confiança e desrespeitou regras de segurança. Pode ser negligência, se ele saiu dando tiros sem ver pra onde... (o que é mais difícil de acreditar).

E pode ser acidente sim, se o sujeito passou na frente da linha de tiro ou se a arma disparou sozinha.

Agora, os jornais já sabiam o que tinha ocorrido antes de fazerem esse fuzuê todo? Não. Fizeram todo tipo de acusação sem provas. Além da invasão de privacidade, ainda imputaram crime sem provas.

Espero que tenha entendido o que eu estou dizendo. E peço novamente desculpas pelo uso de termos em português e idéias mais próximas ao nosso direito, sem ter conhecimento específico da lei local. Mas, como eu disse, estou mais preocupado em provar um ponto em termos ideais e filosóficos, partindo dos princípios democráticos que são (ou deveriam ser) comuns a todos os países que se dizem democracias.

Roger said...

Ah, e desculpem os erros de digitação e português... escrevi licença com 's', credo!

Hom said...

Roger,

Tudo o que você disse é perfeito num mundo pré 11 de setembro.

Mas você não pode se esquecer de que essa administração, e principalmente esse vice-presidente, foi o principal fomentador da política de prisões sem provas.

Que dizer: por ser vice-presidente, ele não pode ser jugado por nada (se estava alccolizado, ou não; se tinha licença para caçar ou não; se evitou chamar o xerife, para esperar o efeito do alcool passar, ou não).

Ótimo que ele não possa ser julgado sem provas. Faz parte do Estado de Direito. É quase um sinônimo do é a Democracia e do que representa a América.

O problem é: ele não concorda com isso e se preocupou em cada dia de seu mandato de vice-presidente em abolir a presunção de inocência e a necessidades de evidência para punições. Ele pôs em prática a noção de que o Commander-in-Chief não precisa de permissão de ninguém para atuar, nem precisa se submeter a qualquer regra.

[]s

homero said...

Oops.

O comentário acima é meu.

Roger said...

Homero,

Você leu o post que eu fiz originalmente no meu blog? Eu tenho profundas discordâncias com as políticas de Bush/Cheney. Não acho que eles são os capetas e que estão sempre errados, mas discordo de uma série de coisas.

Agora, o que eu estou dizendo, é justamente que discordar deles não me dá o direito de jogar sujo. Não se pode permitir que nenhum dos lados subverta as regras, é isso que penso.

Paulo said...

Homero,
Poxa, vc acredita mesmo em tudo isso?
Eu ate discordo das prisoes dos chamdos enemy combatants, mas vc nao pode dizer que o principio de inocente ate provado o contrario foi esquecido. Nao foi. O problema eh que existem regras para civis e para combatentes de guerra. Em alguns casos aplica as convencoes de genebra (que nao sao iguais as leis americanas por sinal) e em outras nenhuma lei se aplica, e o pais que captura esses combatentes tem o direito de segurar eles ate o fim da guerra.

Logico que vc vai dizer que essa guerra nunca vai acabar, e que os EUA tinham que ser o exemplo, etc, etc. Como eu te disse, eu ate concordo em alguns desses pontos, mas o fato eh que a lei atual eh assim. Ou se faz outra convencao de genebra ou aceita-se que terroristas como tal merecem ser tratados dessa maneira.

Mas querer justificar o tratamento injusto da imprensa com esse paralelo eh absurdo. O Cheney procurou o xerife da cidade. No Texas, um acidente de caca sem mortos nao eh considerado um caso de policia. O Xerife disse que interrogaria o Cheney no dia seguinte. Se quisessem fazer teste de nivel alcoolico, teriam feito.

Logico que os poderosos tem influencia, blabalbla, mas dizer que ele fugiu nao eh verdade.

[]s

homero said...

Caros Roger e Paulo,

Vocês parecem ter esquecido de um dos mais preciosos conselhos do Steven Levitt em seu livro Freakonomics:

"nothing is more powerful than information, especially when its power is abused"

Por mais que vocês sejam simpáticos a essa administração (e com relação às idéias de Cortes de Impostos e Estado Mínimo não há ninguém mais simpático à ela que eu), não dá prá negar que é uma administração que abusa de seu poder o tempo todo, até mesmo em seus episódios mais comezinhos.

[]s

homero said...

Com relação aos enemy combatants, há um relato maravilhoso de uma jornalista alemã, cujo pai foi prisioneiro de guerra dos americanos na I guerra mundial, que mostra como os americanos tratavam os seus prisioneiros de guerra. A reportagem saiu no jornal conservador Die Welt e é uma pena que seja em alemão, mas é pra isso que existe tradutor automático, para quem se interessar. Aí vai:

http://www.welt.de/data/2004/05/18/279540.html

Eu estava na Alemanha durante toda a preparação para a guerra do Iraque e essa é a grande questão que se pôs na mídia européia na Época: "Como pode o farol da civilização, o país que deu a democracia e os direitos humanos para o mundo, utilizar a tortura e o abuso a prisioneiros como arma de guerra."

A questão portanto, não é se os prisioneiros de Guantânamo ou Abu Ghraib estão sendo bem tratados ou não. Mesmo os naturais aliados europeus dos Republicanos, como o Partido democrata cristão alemão (CDU) da chanceler Angela Merkel acreditam piamente que a tortura está sendo usada como estratégia de guerra pelos EUA.

O desafio não é convencer os extremistas de esquerda, e sim os aliados de direita que acham que o tratamento que os presos estão recebendo não apenas violam os regulamentos das diferentes convenções de Genebras, como a própria legislação americana.

O espanto da elite européia (e entre eles os conservadores) se deve a isso: "Como um país que se ergueu sob o império da lei abre mão dessa lógica tão facilmente."

[]s

Paulo said...

Homero,
Tres assuntos distintos: Pode-se achar o Bush e Cheney os piores politicos do mundo. Pode-se protestar, gritar, votar contra, enfim, usar todas as ferramentas democraticas que existem para se criticar politicos. Mas usar a imprensa, mais especificamente news reporting, como ferramenta politica eh errado na minha opiniao. Eh para isso que existem editoriais. Senao vc nunca sabera o que eh fato e o que eh opiniao.

Sobre tortura, nao se esqueca que eh um assunto polemico por aqui tambem. O McCain eh representante dos Republicanos que sao contra. Mas esse assunto eh separado do caso dos enemy combatants. E um exemplo da 1.a WW nao aplica, porque as convencoes de genebra aconteceram depois dela, correto?

O ponto volta a ser aquele que eu falei: Os paises que se reuniram para aceitar as convencoes de genebra decidiram que soldados fora de uniforme (i.e. terroristas) nao recebem os 'beneficios' de soldados normais. Sera isso certo? Nao sei. Mas que a lei eh essa isso nao ha duvida. Pelo menos por tudo que eu li.

[]s

Roger said...

Homero,

Como eu já disse, e qualquer um que já tenha discutido comigo sobre outros temas sabe, eu tenho grandes discordâncias em relação a vários pontos da administração Bush/Cheney. Não se trata, portanto, de ser simpático ou não a eles.

Eu tenho convicção que a imprensa (não digo nem apenas a americana, mas a mundial) perdeu o rumo sobre o que é liberdade de expressão. Pedem desculpas quando não tem que pedir (o caso das charges de Maomé), ultrapassam o limite da privacidade, acusam pessoas sem provas (quando o comportamento honesto é informar os fatos, opinar se quiser, mas sempre dando o benefício da dúvida e não transformando opinião em fato), e muitos outros problemas.

Aliás, eu não tenho dois pesos e duas medidas, tanto que sou contra as escutas telefônicas sem mandado judicial. Aquela argumentação de que esse seria um caso sui generis, pra mim não cola.

Também fui contra a invasão do Iraque, acredito que os iraquianos tem o direito de se matar e viver num lugar horrível sem que ninguém tente salvá-los de sua própria ignorância.

E por aí vai... Mas essas são outras discussões, muito complexas aliás, pra tentar discutir agora.

Mas acho que já deu pra você notar que se eu "defendi" Cheney do ataque da imprensa, não é por simpatia ou antipatia pessoal, é por uma questão de defender os princípios nos quais acredito, só isso.

Anonymous said...

Roger:não é uma questão legal.Ainda que atirar de propósito em gente em caçadas fosse legal no Texas,o caso seria grave.Ele foi negligente no uso de uma arma de fogo e mostrou completo desapreço pela vida humana.A arma era responsabilidade dele.Como é que uma arma dispara sozinha?E quanto ao sujeito ter podido ter se levantado na hora errada ou ter passado na linha de tiro:não se atira enquanto houver um mané na frente e só se dispara depois que o espaço estiver livre (para se meter na linha de tiro nessas condições só se for o Superman:mais rápido que uma bala)
Pois é,o amigo dele teve a vida arriscada.Justamente para evitar esse tipo de perigo para a Nação(e o interesse público fala mais alto),Cheney deveria renunciar.Não é uma questão legal:se Cheney fosse trekker ou jogador de RPG,ainda poderiam questionar se ele é apto a exercer suas funções.
Quanto a me colocar no lugar dele:não costumo tentar esconder meus erros atrás de princípios vagos.
Posso até estar errado,mas é isso que eu penso.
Gilberto F.

Roger said...

"não é uma questão legal"

"Ele foi negligente no uso de uma arma de fogo e mostrou completo desapreço pela vida humana."

"Como é que uma arma dispara sozinha?"

"Justamente para evitar esse tipo de perigo para a Nação(e o interesse público fala mais alto),Cheney deveria renunciar."

"não costumo tentar esconder meus erros atrás de princípios vagos."

Gilberto, depois dessas eu desisto. A primeira e a última então, são de doer. Você arrebentou com tudo, chamou Estado Democrático de Direito de princípios vagos e mandou a ordem legal pro lixo...

Só pode ser piada, depois tão exaustivas explicações acho que até o cidadão mediano pelo menos vislumbraria do que eu estou falando.

Alexandre said...

Não sei se a comparação é boa para Cheney, mas Napoleão fez a mesma coisa - acidente durante caçada - e arrancou o olho de Massena. Acidente em caçada é relativamente comum. Dizer que quem cometeu um acidente durante uma caçada não pode governar um país é um pouquinho de trop...

Anonymous said...

Roger:Os princípios vagos são os seus,não os do Estado de Direito.O direito a privacidade-do jeito invocado pelo senhor,a ponto de interferir com a liberdade de imprensa-simplesmente não existe nem na Constituição americana nem em nenhum lugar do Mundo Livre.Isso não é uma emenda;no máximo,é um decreto-lei para salvar a face de maus líderes.Não é uma questão legal porque o cerne da questão não é saber se Cheney cometeu um crime,mas se uma pessoa negligente pode ser vice presidente.Ao contrário do que o senhor pensa,armas não saem por aí atirando nas pessoas por conta própria(ou os ativistas pró- proibição de armas teriam um pouquinho de razão).
Alexandre:E como ficou a França depois das Guerras Napoleônicas?
Gilberto F.

Roger said...

Gilberto,

"Os princípios vagos são os seus,não os do Estado de Direito."

Não, meu caro, a única coisa vaga aqui é a sua visão e conhecimento sobre princípios democráticos.

Tanto a liberdade de expressão como o a privacidade são garantias fundamentais do indivíduo, princípios básicos da liberdade, democracia e estado de direito.

Na condição de princípios, são equivalentes entre si, não se submetendo nem sendo limitados por nada, exceto outro princípio. Assim, liberdade de expressão e privacidade limitam-se entre si.

Há que se notar, ainda, que essas idéias não vieram ao mundo através de nenhuma constituição - mas apenas foram adotadas por elas. - Sua origem está no trabalho filosófico-jurídico e na evolução histórica ocidental. Coisa que, em muito, antecede a Revolução Francesa ou a Constituição Americana.

"O direito a privacidade-do jeito invocado pelo senhor,a ponto de interferir com a liberdade de imprensa-simplesmente não existe nem na Constituição americana nem em nenhum lugar do Mundo Livre."

Novamente errado. Praticamente todos os países ocidentais têm em suas legislações normas de defesa da privacidade.

O Brasil, por exemplo, cujo direito segue a mesma tradição latina de Portugal, Espanha, França, Itália e outros, trouxe na constiuição:

TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais

CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

Já a constituição americana que, falemos a verdade, foi feita nas coxas para atender interesses imediatos e não se alonga em nenhum tema, cita a inviolabilidade das pessoas em sí mesmas, casas, documentos e ações. Ou seja, também ela fez uma defesa DA PRIVACIDADE, sendo que apenas motivos razoáveis e mandados judiciais permitiriam suprimir este direito.

Amendment IV
The right of the people to be secure in their persons, houses, papers, and effects, against unreasonable searches and seizures, shall not be violated, and no Warrants shall issue, but upon probable cause, supported by Oath or affirmation, and particularly describing the place to be searched, and the persons or things to be seized.

Agora, é importante notar que, inspirados nos ideais da revolução francesa e dizendo-se um estado democrático, os EUA não tem como fugir do reconhecimento da privacidade como garantia fundamental e equivalente às outras garantias individuais e da democracia.

Aliás, se valesse a pena e eu tivesse mais tempo, faria uma pesquisa detalhada na legislação americana só pra citar todas as leis, decisões judiciais, etc, sobre privacidade.

Direito, meu caro, é mais, muito mais do que decoreba de artigos. A lei escrita só existe em função de uma idéia que a antecede. Assim toda a criação de leis e sua interpretação estão submetidas aos princípios norteadores eleitos pela sociedade.

Por fim, e pelamordedeus, leia isto:

http://ramblues.blogspot.com/2006/02/uma-questo-de-princpios.html

homero said...

Roger,

Você pode até defender o direito do Cheney à privacidade, mas quem abomina esse direito é o próprio Cheney.

Bastar ver as votações dele como senador e a atuação dele como presidente para aumentar o direito do governo de se interferir na vida do cidadão comum.

Esqueça o que ele diz e veja a atuação dele.

[]s

Jorge Nobre said...

Uma coisa: ninguém nem pensa em analisar o histórico do Cheney? Será que este tipo de acidentes são comuns na vida dele? Vejam, se o Lula tivesse um acidente de transito, não seria exagerado presumir que ele dirigiria bêbado, não é? Mas no caso de um acidente envolvendo Dom Eugênio Salles seria exagerado, sim. (Estou desconfiado de certas identidades, mas eu não sou jornalista para acusar sem provas, e por isso me calo).

Anonymous said...

Roger,já tinha lido.Aliás,eu costumo ler o seu blog.
"Direito, meu caro, é mais, muito mais do que decoreba de artigos. A lei escrita só existe em função de uma idéia que a antecede."
Bobagem.A idéia só pode ser executada depois de fixada em palavras.A partir daí,como no Jogo do Bicho,vale o que está escrito.É permitido tudo aquilo que não é expressamente proibido.Dizer que Cheney foi imprudente não é expressamente proibido.Especular se ele está apto a exercer suas funções não é expressamente proibido.NENHUMA das leis específicas que protegem a privacidade foi desrespeitada.Não houve buscas ilegais,não houve violação à propriedade,confisco de documentos,nada.Tudo que está sendo feito é questionar como uma pessoa negligente pode exercer as funções de vice presidente.Não se pode seriamente invocar contra isso proteção da privacidade,apenas violação de algum estranho Culto à Personalidade.Cheney deve ter se tornado algum tipo de Grande Timoneiro infalível e acima da Lei e não fui avisado.NENHUMA lei realmente existente foi violada pela Imprensa.
Gilberto F.

Roger said...

Okay, Gilberto, eu já falei muito. De agora em diante ficaríamos repetitivos.

Talvez se o exemplo fosse outro, e não Cheney, a coisa ficasse mais nítida e de fácil digestão. Mas eu gosto mesmo é desses exemplos difíceis.

De resto, não tenho a pretensão de convencer ninguém. A mim bastam minhas próprias certezas.

E, como gostam de dizer por aqui:

[]s

Anonymous said...

Obrigado por tentar me explicar seu ponto de vista.Continuo discordando dele,mas concordo que, a partir desse ponto,seríamos repetitivos.Só não entendo o porquê de Cheney tornar o exemplo mais difícil.
Abraços

Roger said...

Porque além de Cheney despertar ódio nas pessoas, se você tomar por base o padrão já estabelecido pela imprensa o caso chega a ser leve. As pessoas já se acostumaram com essa forma de agir da imprensa, o senso comum não se choca mais. Situações limítrofes são sempre exemplos difíceis.

Não prometo nada, pois ando sem tempo e muito cansado, mas depois vou tentar escrever algo mais abrangente com exemplos diversos.

Abraços

Jorge Nobre said...

Estou com o Front Page, nesse caso: É mais seguro caçar com Dick Cheney que entrar num carro com Ted Kennedy.