Wednesday, December 28, 2005

Munich

Fui assistir Munich esperando um filme propaganda à favor dos palestinos. Afinal, depois de ler algumas reviews (essa do NYT é um ótimo exemplo) não tinha como esperar algo diferente.

Se o Spielberg realmente tinha esse objetivo eu não sei. Eu só sei que o resultado final não foi o que eu esperava.

A mensagem que eu vi no filme foi essencialmente que violência é algo terrivel. Que qualquer ser humano, por mais forte que sejam seus motivos, não lida bem com o ato de matar. E que a vingança, mesmo quando justificada, nem sempre tem o efeito desejado.

Não vou nem entrar no mérito se o filme apresenta evidências reais para tudo isso. O aviso no começo deixa bem claro que o mesmo não é um documentário. Se as pessoas não conseguem entender esse conceito, e acham que podem usar filmes de Hollywood para aprender história, não é culpa do Spielberg.

O importante é que, no geral, o filme é interessante. Valeu o preço do ingresso.

E no fim das contas, não vejo nada de errado com as premissas do filme. Não tenho a menor ilusão que qualquer conflito violento, seja ele em Israel, Iraque ou New York, não seja horrível. Também acho que, por mais justificada que seja, guerras nem sempre tem o resultado final desejado. Ironicamente, esse é um dos conceitos que a esquerda menos compreende. Mesmo depois do maior exemplo possível na segunda guerra, onde tivemos que escolher entre Stalin e Hitler.

E tem mais: Eu nem discordo que o terrorismo seja motivado por "injustiças". Obviamente, os palestinos acham uma injustiça Israel existir. Assim como os Bin Ladens da vida acham injusto que o mundo não seja um império islâmico.

Intencionalmente ou não, o Spielberg não tenta propor uma solução alternativa à violência. Aliás, nenhum pacifista propõe uma solução alternativa, a não ser os fringe loonies que acham que os 6 milhões de judeus não tem porque temer os 200 milhões de árabes que proclamam aos quatro ventos que a única resolução é a destruição de Israel.

Mas não é porque a violência é inevitável que temos que deixar de reconhecer seus horrores. E nesse aspecto, Munich foi muito bom.

13 comments:

Jorge Nobre said...

"Aliás, nenhum pacifista propõe uma solução alternativa, a não ser os fringe loonies que acham que os 6 milhões de judeus não tem porque temer os 200 milhões de árabes que proclamam aos quatro ventos que a única resolução é a destruição de Israel."

Interessante.

Sabe, eu deixei há poucos dias o seguinte comentário no Alto Volta:

O que eu não entendo: O que os Israelenses fizeram para os iranianos terem raiva deles? Posso até entender ("entender" é uma coisa, "concordar" é outra, eu sei que não tenho que explicar isso pra você mas, bem, sabe...) que os palestinos tenham raiva dos israelenses, mas... os iranianos? Por que? Israel alguma vez fez alguma coisa com os iranianos? (perdoe minha ignorância, considere que eu quero saber do que estou falando antes de falar...).

Eu acho que não há razão nenhuma para os iranianos terem raiva dos israelenses. E mesmo assim têm.

Inclusive, no velho testamento, se há um povo elogiado é o Persa. Acho que só há boas palavras para os Persas no velho testamento.


E tive essa resposta:

Esse elemento anti-Israel tem a ver com a realidade pré-Revolução. O xá era aliado estratégico de Israel. Para Khomeini e seus seguidores naquele período, a crítica severa ao sionismo expressava também uma rejeição ao regime de Pahlevi. Pós-revolução, a crítica assumiu outro papel: passou a meio de afirmação internacional do Irã renovado.

Acho que é isso, enfim...


Ora, porque é ódio a Israel é um "meio de afirmação internacional do Irã renovado"?

E a única resposta é: Por causa do islamismo. Por causa da religião de Alá. Porque milhões de muçulmanos odeiam a Israel e os iranianos (que não são árabes, para começar, o que de saída elimina quaisquer acusações de racismo antiarabe).

Porque afinal de contas os israelenses nunca fizeram mal algum aos iranianos.

Só há duas explicações para o ódio antiisraelense: Ou é totalmente gratuíto ou é a exploração demagogica ou sincera (o que é pior ainda) de um estupido preconceito religioso. Posso estar errado, but that's how I see.

Jorge Nobre said...

Droga!

Ora, porque é ódio a Israel é um "meio de afirmação internacional do Irã renovado"?

O que eu quis dizer foi: Ora, porque o ódio a Israel é um "meio de afirmação internacional do Irã renovado"?

Anonymous said...

Sabe de uma coisa?Eu acho que o presidente do Irã fica falando essas coisas sobre liquidar Israel,sobre o Holocausto ser uma mentira,sobre a liquidação de Israel ser um objetivo do Regime Iraniano e não apenas algo do governo dele para testar os limites do Ocidente.Como Hitler,talvez.Ele quer ter certeza de que pode varrer Israel do mapa sem prcisar se preocupar com o Ocidente.E fora alguns louquinhos da extrema-direita americana,ele não tem mesmo com que se preocupar.Triste mundo o nosso,triste mundo.

Fernando said...

Discordo, acho que o governo iraniano joga pra platéia local quando ataca os judeus. Não tenho dúvidas que eles sabem que Israel tem mais chances de varrer o Irã do mapa do que vice-versa. Não duvido tb que a animosidade seja verdadeira, mas tenho a impressão que o objetivo principal é fazer cortina de fumaça encima do que realmente interessa: até onde vai chegar a ambição nuclear iraniana.

Paulo, sendo filme de Spielberg, você realmente achava que ia ser puramente pró-Palestina? :) Bem, pelo que você falou vale a pena assistir pelo menos.

[]s

Anonymous said...

Depende.Sem o Ocidente,Israel não sobrevive 10 segundos no Oriente Médio.E mesmo em um mano a mano entre Irã e Israel,o Irã poderia causar danos terríveis a Israel.Se os maometanos conseguirem a neutralidade do Ocidente,Israel automaticamente se torna uma Polônia ou uma Tchecoslováquia.

Fernando said...

O mano a mano mortal é o que evita uma guerra nuclear entre Índia e Paquistão. Israel apesar das provocações dificilmente irá destruir Tehran sem um motivo de força maior (assim como não o fez com Bagdad em 1991). Se o Irã conseguir a bomba atômica, também evitará usá-la, a não ser que caia nas mãos de um Bin Laden da vida. O que eu quero dizer é que a retórica do Irã (que, convenhamos, está longe de conseguir neutralidade alguma do ocidente) se presta mais a sustentação do regime do que a qualquer outra coisa. Regime este que também está bem longe de virar a URSS que transformaria Israel em Polônia ou Tchecoslovaquia.

Anonymous said...

Honestamente,eu acho que se os muçulmanos demonstrarem suficiente força de vontade,o Ocidente dirá que não quer morrer por Jerusalém ou Tel-Aviv(como já disse que não queria morrer por Dantzig).Pode ser que seja jogo para o público interno,mas e se não for?Fanáticos religiosos não são muito previsíveis e,ao contrário do que pensa o Ocidente,não podem ser comprados.Acho que é hora de dizer aos israelenses que eles estão por sua própria conta e risco agora.Que Jeová resolva o problema deles!

Fernando said...

A linha entre que separa o mundo do desastre total é tênue certamente. Também não digo que não haja fanatismo suficiente nos governos islâmicos para tal tragédia. Mas dentro desse quadro, ainda suspeito que o perigo maior vem dos grupos terroristas isolados do que dos governos em si. E faz tempo que Israel diz o mesmo aos palestinos: que Allah resolva o problema de vocês! Ele ainda não deu as caras.

Bruno said...

Pelo contrário Jorge Nobre, durante a guerra Irã-Iraque, Israel destruiu uma usina nuclear iraquiana que estava em fase final de construção e era apontada pelo Irã como a maior ameaça de desestabilização militar entre os dois países conflitantes, pois supostamente teria condições de produzir uma arma atômica.

Hoje, o objetivo do Irã em atacar verbalmente Israel é esse mesmo que já foi apontado: garantir a existência do regime. Provavelmente o Irã já tem armas nucleares, mas vai usá-las mais como poder de barganha do que no sentido literal do termo. Acredito que o Irã já seja potência nuclear porque, geralmente quando a ONU chega pra tentar impedir algo, é porque a 'miércoles' já foi feita.

Quanto a India-Paquistão estou dividido, não creio que os indianos joguem fora o crescimento econômico com uma disputa nuclear por uma terra de ninguém. Mas o Paquistão não vai ficar quieto vendo o vizinho se tornar o cara mais rico da rua, e ainda por cima montado numa bomba atômica, então estou propenso a acreditar numa aproximação Índia-China.

O que leva a outro assunto interessantíssimo: cada vez que a China sobe um degrau com a faca na mão, os japoneses, lá no quarto, encostam mais e mais o bumbum na parede.

Quem vai segurar os 2 séculos de ódio entre os dois países, que pela 1ª vez na história são potências econômicas ao mesmo tempo? O comércio entre os dois? O apoio americano ao Japão? Ou uma bomba atômica construída pelos japoneses? Aposto na última opção, e que a paz seja garantida quando os dois verem que um pode detonar o outro com um botão.

Êta mundo doido, posso voltar pro século XX?

Anonymous said...

"O que os Israelenses fizeram para os iranianos terem raiva deles?"
Israel é um Estado fascista a serviço do Imperialismo Internacional.

Jorge Nobre said...

Hahaha!

Anônimo, eu quero saber porque os iranianos têm raiva de Israel e os gregos não.

Anonymous said...

Os gregos são capachos do Imperialismo Internacional,os iranianos não.O siranianos não odeiam só Israel,odeiam também a América,por exemplo.

Fernando said...

Eu ouvi falar que os etruscos também deitavam e rolavam no tapete do imperialismo selvagem. Anti-globalismo neles!!!