Sunday, December 18, 2005

O valor da inteligência, trabalho e perfeição

Inteligência

Talvez eu tenha dado a impressão errada com meu último post.

O ponto não foi que eu desprezo a inteligência. Pelo contrário, acho um fator muito importante. O que eu quis dizer é que não é o único fator determinante do sucesso de alguém.

Dito isso, não vou negar que pessoas inteligentes tem a possibilidade única de exceder os feitos de uma pessoa menos inteligente. E por inteligência, quero dizer qualquer qualidade natural que uma pessoa tenha. Por mais que eu me esforce, nunca serei um físico nuclear, ou um mestre de matemática. Nunca serei também um ótimo jogador de futebol, ou um grande cantor, pintor ou poeta. Parte do processo é justamente identificar suas qualidades e usá-las da melhor forma possível.

O Alex escreveu que "Ter QI alto só vale de alguma coisa se for pra te fazer trabalhar menos"..."se eu me esforçasse pra tirar 10, imagina quantas horas eu iria perder de ócio, lazer e punhetas em geral".

Eu discordo totalmente.

O esforço vale tanto para uma pessoa de QI alto quanto vale para um de QI baixo. Nada de grande valor é produzido sem grande empenho. Einstein provavelmente poderia ter sido um grande professor de segundo grau, com muito mais tempo livre e menos preocupações. Aposto que todas as horas que ele passou produzindo sua teoria da relatividade não vieram sem dificuldade.

Trabalho e perfeição

Eu acredito que o ser humano foi feito para construir. Das ferramentas de pedra até a mais avançada tecnologia, buscamos sempre maneiras diferentes de modificar nosso mundo. Buscamos construir o que achamos ser necessário, não somente para proporcionar nosso lazer mas para viabilizar o que achamos ser um mundo melhor, incluindo a possibilidade de lazer. Se nosso objetivo fosse somente o ócio, ainda estaríamos vivendo nas cavernas, isolados e subexistentes.

Não estou dizendo que todos devem se matar de trabalhar e não ter diversão nenhuma. Muito menos que só podemos ser felizes se formos perfeitos. A vida é uma seqüência de escolhas, cada uma com uma troca associada. Quem têm a oportunidade e não reserva tempo suficiente para lazer acaba sofrendo as conseqüências em todas áreas da vida, incluindo trabalho.

Eu já tive meus periodos de desocupação e não era mais feliz. E pelo que eu já observei na minha vida, a enorme maioria das pessoas não é mais feliz porque tem mais tempo livre. As pessoas mais felizes são aquelas que tem um objetivo de vida.

E o ponto não é somente ganhar dinheiro. Dinheiro é uma ferramenta. A coisa mais comum do mundo é conhecer herdeiros de fortunas que são completamente infelizes. A Ayn Rand disse tudo que precisa ser dito sobre isso: "no man may be smaller than his money".

17 comments:

Cláudio said...

Assino embaixo, Paulo: objetivo, propósito, meta. Sem isso, não passamos de macacos que falam. :-)

FYI, não vi nenhum indício no seu post anterior onde você tenha desmerecido a inteligência.

Anonymous said...

ele nao desmereceu a inteligencia. nem eu. o paulo só valorizou o esforço. alex castro

Cláudio said...

Pois é, foi o que eu entendi também. Não vi o porquê desse "post disclaimer".

Anonymous said...

Paulo,isso pode fazer sentido para Einstein,para um pintor,um comerciante,um inventor,um professor,etc.Mas não é a realidade da maior parte das pessoas.Propósito,meta?Bobagem,a maior parte das pessoas está escrevendo na areia(e vai ser assim para sempre).Metas para um sorveteiro(o único motivo pelo qual existem sorveteiros é porque não podemos colocar um motor no carrinho de sorvete e um sistema eletrônico para vender o sorvete).Metas para um bancário?Bobagem.Se 99% do "trabalho humano" desaparecesse,a Humanidade não estaria pior do que está agora.

Cláudio said...

Anônimo, creio que você está comentendo o equívoco de definir a pessoa (e seus objetivos na vida) pelo que ela faz para ganhar dinheiro. Outra coisa: nem todos os objetivos precisam ser grandiosos. Tem um programa na Globonews (Via Brasil) que mostra a quantidade de gente pelo Brasil afora com objetivos irrelevantes do ponto de vista produtivo ou em relação ao impacto que causam na humanidade. Mas nota-se que são pessoas vivas no sentido mais amplo do termo. São artesãos, inventores, maestros, músicos, escultores, etc. Para a humanidade a vida deles não têm realmente muito sentido, mas para suas comunidades e para as pessoas afetadas pelo seu trabalho, com certeza tem.

Tem uma frase que eu vi num filme que eu achei maneira: "this is just my job, not what I am".

Anonymous said...

Ei,longe de mim negar a importância dos trabalhadores anônimos,Cláudio.Aliás,certamente,os livros de História não vão falar de mim.Só que Paulo sofismou:Einstein e a Relatividade não têm nada com a vida normal.Será que Einstein usaria seu tempo livre para trabalhar gratuitamente como caixa de padaria do mesmo modo como ele trabalhou para elaborar a Teoria da Relatividade?Não.O que estou querendo dizer é que o trabalho é uma necessidade,uma atividade que usamos para atingir nossos objetivos.Se esses objetivos são enriquecer e ficar no mais completo ócio ou acabar com a pobreza e conseguir a Paz Mundial ou ganhar o Prêmio Nobel,a decisão é do freguês.O trabalho não tem valor moral em si(embora o modo como encaramos o inevitável possa ser valorosa ou não).

Paulo said...

Anonimo,

Nao acho que sofismei nao. Existem muitas, muitas pessoas que afetam nossa vida e que sao desconhecidas. Dei o exemplo do Einstein so pelo efeito do nome, mas o conceito se aplica diariamente. O medico da sua familia, o cara que inventou o software de blogs, ou mesmo o cara da manutencao que mantem sua energia funcionando.

Acho que objetivos nao precisam ser 'grandes'. Meus objetivos de vida para o Bill Gates provavelmente sao pequenos, e para meu bisavo provavelmente pareceriam grandes. O negocio eh tracar seu plano, achar uma maneira de usar a sua vida para algo que vc considere de valor.

[]s

Anonymous said...

ja tem resposta no LLL. alex castro

TENHO PASSAPORTE E VOCE said...

CHUPA GAMBÁ, É TRI MUNDIALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

Cláudio said...

Anônimo, eu não disse que você considera desimportante os trabalhadorees anônimos. Eu apenas quis desvincular o trabalho do objetivo de vida da pessoa que o realiza. Alguns felizardos conseguem ganhar dinheiro - e muito - com aquilo que consideram seu objetivo, o que é uma benção. Outros conseguem dividr seu tempo entre o trabalho e as atividades que o realizam. Já outros passarão pela vida sem nunca encontrar um vestígio de realização sequer.

Igor Taam said...

Belo artigo!

destruidor said...

Muito bom.

Anonymous said...

Paulo,

Vc que gosta de Sci-Fi, ja leste algo do Barjavel? "A Noite dos Tempos", acho que o titulo em Ingles eh "The Ice People" eh interessante.

Anonymous said...

Paulo,o problema é dizer que "o ser humano foi feito para construir".O ser humano foi programado para desejar atender seus objetivos e é aí que entra o trabalho ou,usando a suas palavras,o construir.O Einstein não trabalhou na Relatividade porque o "homem foi feito para construir".Ele se esforçou tanto porque queria entender melhor o Universo,ou queria ficar famoso ou queria mostrar que era um gênio,etc.O trabalho é uma necessidade na exata medida em que nos aproxima dos nosso objetivos(mesmo que seja apenas não morrer de fome).
Cláudio,eu acho que a abrangência do post de Paulo é muito menor do que o senhor imagina.Acho que se aplica só à vida material,à vida profissional.Ser voluntário em um abrigo de idosos,brincar de cavalinho com os filhos ou ser pianista amador são outra história.

h said...

I must congratulate with you fyi because of this wonderful blog! It's really full of informations! Maybe you could be interested in having a look to my internet site that includes informations about scommesse ... if you are interested in scommesse it's the right place for you!

Fernando said...

Interessante. Mas se o ócio fosse o único objetivo, não seria mais correto dizer que já teriamos sido extintos? De uma certa forma, o tempo das cavernas era muito mais liberal do que hoje em dia.

[]s

Fernando said...

PS = Eu nunca descobri o que queria fazer com a vida, e acho que nunca fui mais feliz.