Saturday, May 14, 2005


Sábado, 14 de maio, 2005

Longevidade dos Blogs

Depois desses dias longe da Net, resolvi rever meus bookmarks e dar uma limpada geral. Fiquei espantado com a quantidade de blogs que não me interessam mais, e tentei racionalizar a origem do problema. Acabei chegando a três fatores que eu considero essenciais à longevidade de um blog. Eles são:

- O fator cabresto:
Rush Limbaugh é um cara interessante. Ele é o icone atual dos Republicanos, e muitos creditam a atual dominância politica dos conservadores em Washington a ele.

Sem dúvida ele é inteligente, e o programa de rádio dele é bem feito. Mas eu não consigo ouví-lo por mais de 10 minutos sem mudar de estação. O problema é que não importa qual for o problema, os Republicanos estão sempre certos para o Rush. Sempre! Claro que por tabela, os democratas estão sempre errados.

Esse tipo de comportamento é muito comum pela blogsphera. Parece que o conforto proporcionado por uma ideologia, ou partido, ou grupinho de amigos, é muito mais poderoso que a curiosidade de se discutir e descobrir fatos, ou mesmo tentar elaborar soluções aos problemas que aparecem pela frente.

Eu simplesmente não entendo como uma pessoa pode ser tão ingênua ao ponto de achar que alguém, ou algum grupo, esteja sempre certo. Não é nem uma questão de ceticismo (que em exagero também é completamente inútil) mas sim de bom senso.

*obs: Eu citei o Rush so para mostrar que essa característica não é exclusiva da direita ou esquerda. Citar algum Bush-hater seria fácil demais.

- O fator educação:
Certas pessoas acham que a anonimidade da internet é um passaporte para que se deixe toda e qualquer convenção social de lado. Não que eu seja um puritano ou que me ofenda facilmente. Mas quando alguém te diz que "tomar no cu é o melhor argumento do mundo", algo está errado.

Eu acho isso nonsense. Eu tento escrever online exatamente como se estivesse falando no telefone com alguém, ou no bar com amigos. Certas pessoas, muitas vezes interessantes e inteligentes, parecem mais interessadas em chocar e provar que podem ser artificialmente diferentes, inventado personalidades que funcionam no máximo como um entretenimento temporário.

- O fator ego:
Muitas pessoas se iludem com o significado e importância dos blogs.

Eu sempre achei que o appeal dos blogs era justamente o fato de 'pessoas comuns' poderem escrever sobre tudo e todos. O 'poder' era justamente o individualismo e falta de corporativismo que acaba limitando quem escreve profissionalmente.

Quando blogueiro comeca a falar em "função social do blog", ou "o poder de mudança do blog" o negócio está preto.

O fato de que 150 pessoas passaram os olhos sobre o que você escreveu não te torna um expert.

Mas é só algum blog chegar num certo nível de popularidade que a ego trip toma conta. Escrevem posts como se estivessem palestrando, ou propondo uma lei ao congresso. Pior, comecam a escrever o que acham que os outros querem ler e não o que acham interessante.

Lógico que alguns desses blogueiros devem ser assim no mundo real também. Gente que parece interessante, mas no fim das contas não é. Nesse caso, eu não teria o menor interesse de conversar com esses, assim como não consigo mais ler seus blogs.

4 comments:

Claudio said...

Taí Paulo, um post que eu gostaria de ter escrito. Primeiro, eu também não entendo alguém "pode ser tão ingênuo ao ponto de achar que alguém, ou algum grupo, esteja sempre certo." Dois ótimos trechos do Olavo (estou correndo riscos ao citá-lo) que falam sobre o fanático:

"O fanático não precisa ser irritadiço, nervoso ou hidrófobo. Apenas, ele está tão afinado com a ideologia coletiva que ela basta como canal para a expressão de seus sentimentos, vivências e aspirações, sem nada sobrar daquele hiato, daquele abismo que o homem diferenciado vê abrir-se, com freqüência, entre seu mundo interior e o universo em torno. Ele pensa e sente com o partido, ama e odeia com o partido, quer com o partido e age com o partido. Tudo o que no seu ser escape dessa bitola é desimportante ou doente."

"O que o fanático nega aos demais seres humanos é o direito de definir-se nos seus próprios termos, de explicar-se segundo suas próprias categorias. Só valem os termos dele, as categorias do pensamento partidário. Para ele, em suma, você não existe como indivíduo real e independente. Só existe como tipo: ‘amigo’ ou ‘inimigo’. Uma vez definido como ‘inimigo’, você se torna, para todos os fins, idêntico e indiscernível de todos os demais ‘inimigos’, por mais estranhos e repelentes que você próprio os julgue."


A útlima parte do seu post eu subescrevo totalmente.

Mi said...

Ainda bem que tem gente que pensa como eu. Tem muita gente por ai tentando se validar atraves dos blogs, ou convencer as outras pessoas (ou a si mesmo) que eh um ativista, gente seria que fala de coisas serias.....Pfffff!

Carlos Eduardo said...

Você está coberto de razão. Ponto a ponto, brevemente:
1. Acho que a "rapaziada" blogueira sofre de direitismo.
2. Há gente grosseira nos dois lados da cerca ideológica.
3. Superestima-se a importância dos blogs porque, aí nos States, eles são considerados uma força contra os embustes liberais (no sentido que se dá aí).

Paulo said...

Carlos
Acho que os blogs tendem a contrapor o modelo dominante da imprensa. Tanto nos EUA como no Brasil, os de mais destaque sao mais para direita justamente por falta de espaco em outros meios.

Mas acho que existe uma confusao entre blogs e sites profissionais que originaram como blogs. Eu nao considero o site do Andrew Sullivan por exemplo como um blog. Eh um site de comentarios, com uma equipe que ganhar para isso e tem uma certa estrutura por tras. O Drugde fazia a mesma coisa antes dos blogs, so nao tinha o nome.

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