Monday, May 30, 2005


Segunda, 30 de maio, 2005

War and Peace - Now and then


É um desafio imaginar que um lugar etéreo como o Havaí possa ter sido o palco do começo 'oficial' da Segunda guerra mundial para os EUA.


USS Arizona Memorial

USS Missouri

Peace signing

"Instrument of surrender"

A sensação é ainda mais surreal quando se visita Pearl Harbor. Hoje em dia, a área é somente um museu ao céu aberto. As feridas estão fechadas. Você sente um forte sentimento de 'closure'. Ao lado do Memorial do USS Arizona, aonde 1.177 marinheiros morreram (mais da metade do total) está ancorado o USS Missouri, a 'Mighty Moe', o navio que simboliza a vitória americana. Foi ali que Shigemitsu e Umezu assinaram a rendição japonesa em 2 de Setembro de 1945, na baía de Tókio, com milhares de bombardeiros sobrevoando em alerta, prontos para acabar com o que havia sobrado do Japão caso alguma retaliação acontecesse. Começo e fim, derrota e vitória, esterilizada e catalogada, pronta para os livros de história. Tanto que a maioria dos turistas hoje em dia, não somente de Pearl Harbor como de todo Havaí, é japonesa.

Ground Zero

A sensação de visitar o ground zero em NY não poderia ser mais inversa. Aqui, a ferida não poderia estar mais aberta. Não somente na aparência do enorme buraco, com a lista dos mortos pendurada nas grades e a enorme cruz feita dos escombros, mas principalmente na mente do povo de NY. Um padre, à caminho de um encontro da sociedade dos moradores, me parou na rua e perguntou o que eu acho que deveria ser feito no local: um novo prédio ou um memorial. Eu respondi "um prédio", e ele respondeu: "Então você não teria problemas em trabalhar num cemitério?", e saiu andando.

Certo ou errado, para bem ou mal, a guerra contra o terror islâmico não está nem perto de ser esquecida. Na minha opinião, Bin Laden e seus comparsas cometeram um erro estratégico enorme, tão grande ou maior do que o erro japonês de 1941. Se tivessem atacado um alvo militar, até mesmo a Casa Branca, o povo americano (guiado pela implacável força do conformismo) esqueceria rápido. Quando eu passo pelo Pentágono, tudo parece de volta ao que era antes. Afinal, o Afeganistão e Iraque serviriam como símbolos, apesar dos pesares.

Mas esse ataque ao coração civil do país foi algo diferente. A mensagem para quem passa pelo ground zero é que se algo drástico não for feito, tudo cairá naquele buraco. Não é a luta por derrota ou vitória, e sim pela simples existência de qualquer americano.

It's 1942 in NY.

7 comments:

Claudio said...

Estou ansioso para ver uma administração Democrata. Algo me diz que, para desespero dos progressistas do mundo, pouca coisa irá mudar em relação à administração Bush. Basta lembrar daquele discurso do Clinton anunciando o ataque ao Iraque que mais parece ter sido proferido pelo Bush.

Solon said...

uma administração democrata, creio, não faria diferença nenhuma em relação ao Iraque. só vejo duas opções possíveis em relação ao país: uma é continuar as operação, dentro do possível, rezando para que a ordem seja restorada o mais rápido possível (ou seja, ficar como está); a outra é retirar as tropas e deixar o país à sua própria sorte (uma saída covarde que, duvido, qualquer administração vitoriosa nos EUA cogitaria).

a diferença de uma administração democrata, creio, estaria em questões sociais efetivamente nacionais. desde questões como previdência social, passando pela influência da religião na educação pública, até a nomeação de juízes e secretários como o John Bolton.

... said...

Gostei muito da idéia de buraco negro geopolítico.

Solon said...

putz. "as operação" foi de matar. leia-se "as operações", por favor.

Fernando said...

Não sei se concordo com a idéia de "conformismo" em relação à uma possível destruição da Casa Branca. O Pentâgono não tem de forma nenhuma o mesmo valor histórico e sentimental, mesmo sendo importante. Neste país teve muita gente que deixou de lado as diferenças políticas e se colocou do lado de Bush simplesmente pelo fato dele ser o presidente do país. Acho difícil de esquecerem um hipotético bombardeio à casa onde já moraram ele e tantos outros presidentes. Abraço.

david said...

Tudo indica que a Al Qaeda queria atacar a Casa Branca ou Capitólio. Para onde seguia aquele avião caído na Pensilvânia?

Bom texto, Paulo. Sharp as can be.

Leonardo said...

Já atacaram a Casa Branca uma vez. Tacaram fogo e só sobraram as paredes. Não houve conformismo.

O lado vencedor da guerra reconstruiu a casa e conquistou o mundo economicamente, culturalmente, militarmente.

O perdedor deu os primeiros passos em direção ao fim do seu império.

Se existe um precedente histórico, é favorável ao morador da Pennsylvania Ave.