Thursday, May 26, 2005


Quinta, 26 de maio, 2005

Novo concurso: Lei Marionete do ano

Quando pensei que não veria lei mais absurda do que aquela da proibição de cobrança nos estacionamentos no shopping, o politburo me lembra o quanto eu ainda preciso aprender.

Uma nova lei, de autoria do vereador Rubens Calvo e promulgada pelo prefeito de São Paulo José Serra (o que mostra como PSDB e PT são farinha do mesmo saco) determina que a espera em filas de bancos não pode ultrapassar 15 minutos.

Às vezes eu acho que alguém do The Onion infiltrou a Folha. Mas que nada, esses políticos brasileiros são completamente imunes à esse tipo de sátira. Talk about preemptive strike!

Mas de qualquer forma, instituo aqui o prêmio "Lei marionete". Vamos ver se até o fim do ano alguma outra rouba o título dessa lei dos 15 minutos.

Agora eu não duvido de mais nada.

12 comments:

Marcelo said...

Isso vai fazer com que sejam criados cargos pra monitorar fila de banco, esses cargos vão usar recursos materiais, depois os fiscais encarregados das multas vão oferecer aos bancos esquemas pra fazer elas sumirem, e mais um prospero esquema de corrupção subsidiada vai prosperar no Brasil

Paulo said...

Eu sei que eu sempre falo isso, mas eu fico com medo.
Cara, isso nem eh mais socialismo ou o que seja, eh loucura mesmo. Nem nanny state serve para descrever, a metafora da marionete eh a unica que chega perto.
Eu nao sei aonde isso vai acabar.

Claudio said...

Em qualquer lugar do mundo político quer é voto. Ele faz o que for preciso para obter a aprovação dos eleitores. Aqui no Brasil nossos politicos fazem essas leis absurdas porque é isso que seus eleitores esperam deles.

(Para o prêmio só valem leis sancionadas? Porque aquele projeto da "Poupança Solidária" era uma maravilha.)

Marcelo said...

Paulo,

Eu tenho um azar pra arrumar namoradas que estudam direito que eu vou te contar. Não tenho muito o que reclamar, exceto por um motivo:

Dentro da faculdade parece que ensinam que o indivíduo não sabe se cuidar, que precisa haver alguma coisa que cuide do indivíduo, e que essa coisa é o Estado.

Aqui, parte-se do principio que TODAS as empresas privadas são essencialmente ruins, que atividade empresarial é praticamente uma atividade predatória que objetiva unicamente o lucro pelo lucro, e que por causa disso, precisa haver intervenção de alguma entidade pra combater esses abusos.

Eu acho isso absurdo, mas não me impressiona mais. O que me chama a atenção é outra coisa: Com um povo burro, de natureza coletivista e com essa capacidade de abrir as pernas, chega a ser um milagre que um Hitler ou um Stalin não tenha aparecido no Brasil e lavado a terra com sangue. As condições para uma Ditadura dessas são tão aberrantes que eu só posso creditar a não aparição deste ditador a tradicional incompetência institucional que permeia a história brasileira. Tanto que o máximo que o país conseguiu foram duas ditaduras estilo banana's republic, uma com um keynesiano ultra-populista, e outra com os militares mais incompetentes da história.

marcelo said...

Claudio, tenho uma pra você:

Aquele ilustríssimo deputado, Nazareno Fonteles, foi CONTRA a CPI pra apurar as maracutais dos correios.

Não é lindo que o mesmo imbecil que quer meter a mão no seu bolso não aceite uma investigação de corrupção dentro da máquina pública?

Claudio said...

Marcelo, não sei porque mas eu não estou supreso com essa conduta do Nazareno :-)

O que você falou sobre a faculdade de Direito bate com o que ouço de alguns colegas da minha esposa que trabalha numa carreira pública vinculada ao Direito: os caras nutrem um ódio brutal pela iniciativa privada. Eles acham que é papel deles defender o povão das empresas. É surreal.

rafael caetano said...

Sim, é uma lei absurda, mas calma, Paulo, you´ve been too long in the States. Aí o pessoal leva muito a sério esse negócio de lei. Você deve estar esquecendo que no Bananão tem leis que "pegam" e leis que "não pegam". Essa aí não vai pegar. Dá muito trabalho.

Ah, Claudio, acho que lei não aprovada não deve contar. Senão é covardia.

Leonardo said...

Eu fiz dois semestres de filosofia antes de resolver mudar pro direito. Não há diferença entre as duas a respeito da propaganda contra a iniciativa privada, o que me leva a crer que não se trata de um fenômeno exclusivo das bancas de futuros advogados. :)

Já namorei uma engenheira química que dizia ter professores com as mesmas idéias. E conheço um economista formado na UERJ com a mesma linha de pensamento. O problema vem do ensino médio ou quem sabe até antes.

No direito se agrava, porque a disparidade de salários entre iniciativa privada e pública, no início da carreira, é fenomenal: a média recebe entre 600 e 1000 reais por mês, aqui no RJ, ao passo que um juiz estadual já sai ganhando 8 vezes mais. Federal, recebe 12 vezes o salário de um advogado iniciante.

Na verdade, nos cinco anos de faculdade não conheci uma pessoa que tivesse por objetivo advogar em escritório ou empresa privada. E quem não gostaria de começar a carreira ganhando 12 vezes mais do que o mercado paga?

A mentalidade brasileira não deixa perceberem que as distorções são provocadas pelos altos salários pagos pelo Estado. É mais fácil culpar a iniciativa privada de ganância, principalmente se você ouve que a culpa é dela desde criancinha.

Breno B. said...

A minha favorita, os empacotadores:

http://farmerinthecity.blogspot.com/2005/04/atletiba-t-sempre.html

Anonymous said...

Breno,
Essa tambem eh MUITO boa. Eh uma briga dura para decidir a melhor :-)

[ ]s

Fabricio Neves said...

MAIS UMA :

"Saúde

Os hospitais particulares do Rio estão em estado de alerta.

Tramita na Assembléia um projeto de Alberto Brizola (PTN) que obriga os hospitais particulares a reservarem 10% dos seus leitos para pacientes em estado grave que não encontrem vaga na rede pública. "

daqui: http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/ancelmo.asp

Claudio said...

Putz!!!!