Monday, September 05, 2005

Direita, esquerda, e nunca para frente

Interessante como às vezes acabo levando pancadas de todos os lados.

Tive que ouvir nesses últimos dias dos progressistas que não me importo com as vítimas do Katrina, e que estou defendendo o governo (leia-se Bush). Mas também tive que ouvir de conservadores que estou caindo na armadilha democrata de admitir a incompetência do governo Bush, e que se fosse o Clinton a situação seria muito pior, que a Blanco é incompetente, que eu estou em cima do muro, etc.

Oras, eu devo escrever muito mal mesmo.

O governo atual é tão competente/incompetente quanto os anteriores, com diferenças mínimas. O FEMA é sempre criticado, no matter what (ouvi gente elogiando a reação ao 9/11 agora! Só quem viveu aquilo diariamente lembra como xingaram o FEMA naquela época). O congresso é praticamente 50/50, e no caso de NO, os governos locais eram democratas. Essa responsabilidade imaginária que os democratas atribuem ao Bush (e que os Republicanos atribuem à Blanco) é parte de um joguinho tão pobre, tão repetitivo, que eu não tenho paciência de jogar por 5 minutos.

Até mesmo o enviroment people eu ando ofendendo, só porque eu conclui (e até agora ninguém provou o contrário) que não existem provas que o global warming aumentou o número e a intensidade de furacões. What a thing to say! Eu sabia que você não era pró-environment porra nenhuma!

Lógico que não estou me fazendo de coitadinho. Eu tenho a opção de falar o que eu quero, e a reação dos outros não importa quase nada. O meu objetivo é receber feedback e quem sabe entender outros argumentos. Mas parece que isso não funciona muito bem quando o assunto é delicado como esse (com poucas exceções).

Falar que o povo tem culpa juntamento com o governo? Lembrar que muitas pessoas dificultam a evacuação da cidade? Discutir se o governo federal é realmente quem deveria fornecer seguro contra enchentes? Que desrespeito com os milhares de vítimas! Sera que você não vai falar mal do(a) Bush(Blanco) não??

É como quando alguém morre, e todos começam a falar bem da pessoa "por respeito". Claro que muitas vezes o fazem por interesse próprio, como os que estão elogiando o Rehnquist só para dificultar a aprovação do Roberts.

Eu posso errar e acertar nas minhas opiniões, mas tá ai uma coisa que eu não faço. Quando eu tenho algo a dizer, podem ter certeza que eu digo na cara. Não fico inventando subterfúgios complicados só para parecer politicamente correto ou para avançar uma causa.

Muitos dizem que tem mente aberta, e que estão sempre dispostos ao dialogo, mas no fim das contas só querem repetir sua receitinha de bolo e xingar quem quer que "jogue no outro time". Os posts poderiam ser copiados de um blog para outro, não existe diferença nenhuma.

Eu estou fora.

12 comments:

Cláudio said...

É Paulo, faz parte. Não deveria mas faz.

rafael azevedo said...

Perfeito.

Fernando said...

Me avise onde estão esses malvados que eu vou lá bater neles. []s

Raimundo Arão said...

"Oras, eu devo escrever muito mal mesmo." É o que às vezes penso com meus botões. Mas também me recuso a cair no didatismo. Se a pessoa não tem maturidade e bagagem para acompanhar um debate, não encha o saco. Ou então, como acontece na maioria das vezes -- porque quem é infantil geralmente ignora isso --, saio eu mesmo para não ter que ouvir besteira e desonestidade. E este foi o motivo, apesar de alguns comentários interessantes, de eu não ter metido o nariz nos últimos posts.

Paulo said...

Fernando,
Vc na maioria das vezes debate na boa. Acho que fica claro quem sempre cai nesse tipo de coisas que eu citei (nao estou falando so daqui, estou falando no geral).

E nao acho que sao pessoas ruins nao. Acho so que sao pessoas que se limitam muito, e no fim adicionam muito pouco.

[ ]s

smart shade of blue said...

Fiz os comentários pertinentes nos posts abaixo.

Se o jogo, novamente, é o de se fazer de incompreendido, se aqui também argumentos estão saindo de moda e passam a ser substituídos pelo ataque ad hominem, então infelizmente eu também estou fora.

abçs

Paulo said...

Smart,
Nao estou jogando jogo nenhum. Alias, that's the whole point.

Tudo que eu escrevi sobre o assunto foi baseado em fatos. Nao estava falando especificamente de vc, mas sim, nessa discussao do Katrina nao acho que vc adicionou muito. So o velho "Bush i the devil" song. Se essa eh a unica analise que vc esta interessado, siga os links do Marginal Revolution. Tem o 'lado de la' para rebater essas coisas, e como eu disse, a discussao eh infinita. Enjoy.

Mas nem por isso estou dizendo (como ja me foi dito por ai) que vc nao eh bem vindo. Em outras situacoes tivemos bons dialogos.

Se vc nao gostou da mensagem, too bad. Eu precisava dizer o que disse.

[ ]s

Fernando said...

Eu debato qualquer coisa. Mas não abuse das leis da probabilidade, por favor. :)

[]s

Paulo said...

Fernando,
Vc viu que no MR estavam discutindo a mesma coisa?

Solon said...

quanto ao FEMA: tens certeza de que as críticas de agora são comparáveis às do 9/11? eu não acompanhava tanto blogs à época, e minhas lembranças são apenas do que era veiculado na grande mídia.

minha impressão é de que há duas diferenças bem grandes. primeiro, o fato de que o desastre de NO foi causado por um evento natural, que se sabia iria acontecer, e contra o qual se poderia estar prevenido com muita antecedência.

é injusto, na minha opinião, querer comparar a reposta do FEMA neste caso (ainda mais em tempos de gastos fenomenais com o DHS), com o de um ataque inesperado e imprevisto a um ponto "agudo" de uma cidade.

além disso, o outrage me parece, sinceramente, bem mais espraiado que no 9/11. o levantamento de pessoas pedindo pela demissão de Michael Brown que o Andrew Sullivan está fazendo no seu blog parece-me impressionante. em suas palavras, "Again, this covers the spectrum from left to right, except for the most shameless of the Bush partisans."

eu, do conforto da minha cadeira em Porto Alegre, tenho a nítida impressão de que certas políticas federais que retiram as autoridades em nível estadual e municipal em caso de desastres foram extremamente desastrosas durante o período de salvamento.

coisas como o DHS proibir a entrada da Cruz Vermelha (e, imagino, de outras organizações humanitárias) em NO, para que esta não acabasse incentivando moradores a resistirem à evacuação ou atraindo pessoas de outras cidades, só pode ser classificado como estupidez.

como esta, há uma série de outras decisões que não me parecem dignas de uma agência de papel tão crucial como o FEMA. especialmente, repito, em se tratando de um desastre que já era esperado há, pelo menos, 60 anos.

e o fato de, como tu comenta em post acima, a evacuação ter tido mais sucesso do que qualquer um poderia esperar (em boa parte pelos erros aprendidos durante o fiasco do Ivan, certamente), existe ainda menos explicação para a maneira desastrada e despreparada com que lidaram com a situação.

o Chertoff dizendo que ficou surpreso, porque havia lido em um jornal que "New Orleans dodget the bullet", não pode ser um bom sinal, convenhamos.

Paulo said...

Solon,
Nao diria comparaveis, pois a situacao eh bem diferente, mas o FEMA foi muito criticado tambem naquela epoca. Alias, o povo aqui critica antes de qualquer coisa, eh dificil confiarem no governo at all.

O que eh bom, se feito de forma organizada. O que estao fazendo agora com o FEMA eh quase que um transe maluco. O que ajudaria despedir o diretor no meio de uma crise? Nada. Se bobear, prejudicaria.

E vc olha os criticismos e ve que tem muito bullshit no meio. Por exemplo, quando esse cara foi nomeado, o congresso tinha maioria democrata. Ele foi aceito por uma maioria esmagadora. Agora, depois da merda, todos vem dizer que a culpa eh do Bush porque ele eh pouco qualificado.

Enfim, nao sou contra medir a performance e punir quem quer que seja. Mas agora nesse momento, a situacao se politizou de tal maneira que eh impossivel fazer isso. Veja so quanta informacao eu postei (e quem sou eu) que desmente um monte de coisas noticiadas diariamente contra esse ou aquele...

[ ]s

Fernando said...

Raimundão, os eunucos sempre saem à noite, quando as coisas estão mais calmas.