Friday, September 02, 2005

O Governo

Outra coisa interessante que podemos observar quando uma tragédia acontece é a idéia que as pessoas tem de governo.

Não estou falando de política econômica, social, nada disso. O que me impressiona é a fantasia que certas pessoas tem de que o governo é uma organização mágica, sobre-humana, que de alguma forma consegue controlar e até mesmo mudar a natureza humana.

Muita gente culpa o governo por motivos políticos, mas muitos outros realmente acreditam que tudo que está acontecendo poderia ter sido prevenido. Eles acham que a violência só surgiu porque o governo não colocou policiais suficientes, que a enchente só aconteceu porque o governo resolveu deixar as represas de lado, etc.

A mesmíssima coisa aconteceu depois de 9/11, e até mesmo no Iraque pós-guerra.

Acho que parte da origem desse tipo de ilusão vem da falta de compreensão sobre certos conceitos técnicos, como administração, economia, etc. Mas sobretudo, acho que esta é uma muleta psicológica.

Ninguém gosta de imaginar que uma cidade, tão civilizada, possa regredir ao caos por causa de uma enchente. Nem imaginar que sua casa, seu carro, e até mesmo sua vida, possam depender mais de uma seguradora, ou de um vizinho, do que do poderoso governo.

Esta não é necessariamente uma crítica à esquerda, apesar de ser muito mais fácil achar esse tipo de mentalidade na mesma. Eu ando ouvindo muitos conservadores fazendo mil planos mirabolantes por aqui, dizendo que se isso ou aquilo tivesse sido feito aqui e ali a tragédia não seria assim tão grande. Mais populista impossível.

O povo de New Orleans sabia do risco dessa catástrofe da mesma maneira que o governo sabia. Não era nenhum segredo do pentágono, mantido à sete chaves para evitar um escândalo de corrupção.

Não estou de maneira nenhuma dizendo que "a culpa" é da população e não do governo. O que eu quero dizer é que, da mesma maneira que o povo não via motivos urgentes o suficiente para mobilizar a cidade e exigir reforços nas represas, o governo também achava que existiam obras mais urgentes a serem feitas.

E tudo isso não é ruim por definição, ou exclusivo de New Orleans. Quando Los Angeles sofrer o terremoto devastador que todos sabem ser uma questão de tempo, a cidade vai ser destruida em grande parte. Será que se todos os prédios fossem reforçados mortes poderiam ser prevenidas? Provavelmente. Será que esses trilhões de dólares seriam melhor usados em outras coisas?

Por mais elitizado que seja, O Governo é parte do povo. As motivações, prioridades, erros e acertos, são diretamente ligadas aos governados.

Scapegoating não deixa de ser uma forma de covardia.

51 comments:

Leila said...

Aaaaaaaah... Os exercícios mentais que os republicanos têm de fazer para dormirem tranqüilos. "A responsabilidade é de todos". "Por que aqueles ignorantes escolheram ficar na cidade"? "O Governo foi eleito pelo povo, então, vamos ter que aceitar suas limitações".

Paulo, este governo especificamente cortou os fundos para o reforço dos levees, especificamente permitiu a construção em áreas antes protegidas nas wetlands. Este governo especificamente nomeou um banana do Texas para a FEMA que tem demonstrado incompetência na resposta à tragédia. Não culpe o povo por isso. Muito menos o de New Orleans, que estava exigindo apoio para o seu programa de Flood Control.

Paulo said...

Leila,
Primeiro, nao sou republicano. Segundo, se vc leu o texto, entendeu que eu nao estou dizendo que a culpa existe. Poderia dizer que a governadora de LA e o prefeito de NO (ambos Dems) foram incompetentes porque nao tomaram inumeras medidas. A governadora alias apareceu na segunda dizendo que estava tudo bem...

Mas nao vou entrar nesse tipo de joguinho. Eh uma bobagem, nao leva a lugar nenhum. Continue com sua visao maniqueista, achando que o Bush eh o demonio (ou chimp como vc chamou no seu ultimo post) que eu continuo com minha visao apolitica. Nao eh para dormir melhor nao, eh somente a unica opcao que eu acho fazer sentido.

[ ]s

Leila said...

Tá certo, Paulo, sua visão é apolítica.

Rafael Azevedo said...

A Leila tem alguma espécie de obsessão com o Bush. Freud explica.

Leila said...

Uh... Ele é apenas o presidente do país onde eu moro, e cuja administração é um equívoco do início ao fim. Pessoas com alguma sensibilidade costumam se indignar com o que realmente importa.

Eu acho engraçado como Paulo e Rafael se incomodam com o tom emocional do meu blog ou de meus comentários. Vocês podem continuar com suas análises "frias", "racionais", "apolíticas" e "isentas". Eu escolho o meu coração, minha intuição, e minha moral. Que geralmente me apontam o caminho certo. Mas, entre as minhas rants e outbursts, há sempre links para fontes confiáveis. É por isso que o Stuck in Sac ganha mais simpatizantes a cada dia.

Fernando said...

Paulo, como eu disse num comment do post abaixo, a culpa nunca e' 100% de alguem e nem 100% de ninguem. Mas, por mais apolitica que seja uma analise, o consenso tem sido que a resposta ao desastre tem sido extremamente inferior ao que deveria ter acontecido. O proprio Bush admitiu isso. A FEMA nao pode dizer que hindsight is 20/20, isso e' inaceitavel. Senao pra que ter FEMA? Bem, talvez o pessoal anti-governo que aprovou os cortes reveja esse conceito daqui pra frente.

[]s

Paulo said...

Leila,
Se vc acha que chamar alguem de "smirking chimp" vai ajudar alguem de alguma forma, good luck. Eu acho no minimo falta de respeito, e numa situacao dessas, uma bobagem enorme. Mas vc tem razao, tem muita gente que simpatiza com esse tipo de coisa. Enjoy.

Fernando,
Eu linkei um artigo que analizava erros operacionais, e sem duvida existem muitos. O prefeito errou quando nao comprou barcos para a policia, a governadora errou quando nao mandou a Guard (que eh comandada pelo governador) mais rapido, e varias instancias do governo federal erraram.

O ponto do post eh que essas coisas sao de se esperar. Nao estou dizendo que nao devem haver consequencias e quem sabe punicoes com o objetivo de melhora, mas no grand scheme of things, nada disso foi "o" culpado pelo desastre. Vc vive aqui, e deve saber por exemplo, que muitas pessoas simplesmente se recusam a abandonar essas cidades. Na TV, antes das levees estourarem, vc podia ver gente andando pelo downtown...

Enfim, esse era o espirito.

[ ]s

Jorge Nobre said...

De uma coisa você pode ter certeza, Leila.

O Smart Shade (em consideração a sua condição de dama me abstenho de usar o apelido carinhoso que tenho para ele) não vai nunca criticar o excesso de paixão em seus comentários ou posts.

E sabe porque?

É porque ele é tão contra a esquerda quanto contra a direita. É por isso.

Rafael Azevedo said...

O número de "simpatizantes" de algo raramente é, por si só, indicador de algo positivo. O nazismo, por exemplo, tinha muitos simpatizantes na Alemanha do início do século XX.

Leila said...

Smirking chimp é exatamente como ele se comportou no episódio até ontem: sorrindo, smirking and chuckling, durante os discursos e entrevistas que deu sobre um dos desastres naturais mais graves da história do país. Comportou-se como um idiota despreparado. Isso é notícia. E por que eu devo me comportar respeitosamente em relação a Bush, for chrissake.

Você pode não ser republicano, mas repete o coro dos talking points do governo e da Fox News invariavelmente, com uma diferençazinha mínima ou outra.

Leila said...

Rafael, se há algum(ns) blog(s) mais próximo(s) da ideologia que você menciona... Bom, isso todo mundo sabe.

Fernando said...

Mais uma vez, acho que se estao confundindo as diferentes questoes.

A FEMA nao esta' ai' pra dizer que ninguem e' culpado ou pra evitar o impossivel (i.e. furacao). Mas ela esta ai pra entrar em acao com rapidez e tentar ser o mais eficiente possivel. Quando isso nao acontece, isso nao e' meramente um erro operacional, e' algo muito mais grave. Da mesma forma, o governador(a) ou prefeito(a) pode pedir que a National Guard seja enviada, mas se ela nao aparece isso tb e' muito grave. A nao ser que vc ache o desabafo do prefeito de NO maniqueismo politico.

Logo enseguida vem os cortes ao budget da FEMA. Pode-se argumentar se isso teria influenciado mais ou menos diretamente a situacao ou nao. Mas o fato e' que os cortes foram feitos e a resposta tem sido inferior ao esperado como a propria Casa Branca admitiu.

Enfim, me parece que se esta usando a ideia de que qualquer critica e' finger-pointing, assim como qualquer discussao sobre o Iraq e' desmoralizar as tropas. Eu sempre encontrei por aqui a ideia de que o governo tem que ser responsavel pelo que faz, nao vejo como de repente pode se defender o contrario quando isto claramente contradiz o que esta acontecendo.

[]s

Leonardo said...

O problema de ser finger-pointing, Leila, é que você pode acordar com um dedo apontado na cara. Os diques não nasceram no governo Bush, portanto a manutenção deles deveria ter sido constante em governos anteriores também.

Até você me mostrar um estudo que prove que durante o governo democrata os diques eram impecáveis, e que New Orleans não corria riscos decorrentes de um furacão, vou preferir continuar acreditando na imprevisibilidade da natureza.

Paulo said...

Leila,
Deixa eu te fazer uma pergunta: Vc gostaria que alguem fosse la no seu blog e falasse que vc se comporta (ou se parece) como uma macaca? Vc acha que isso seria, de qualquer maneira, coisa de gente seria?

Se vc falasse brincando, como muita gente faz, tudo bem. Mas levar essas coisas a serio eh algo que eu nao entendo.

E eu nao repito o script da Fox News nao, apesar de que como vc repete tudo que a esquerda fala, acho estranho vc achar que isso seria um problema. Eu poderia ate citar todas as opinioes minhas que nao batem. Mas como vc tem o mesmo acesso que eu, e sinceramente nao me importo tanto assim com esse tipo de opiniao, vc pode conferir se quiser.

[ ]s

Leonardo said...

Balanço da imprensa brasileira pro episódio.

- Globo Online: imprensa americana não está mostrando a violência e o desespero generalizados em New Orleans. Vai ver eles estão assistindo o programa da Oprah.

- CBN: os diques não tiveram manutenção. O Cony até comparou com a 'manutenção impecável dos diques holandeses', só esqueceu de dizer quem não passou nenhum furacão por lá.

- CBN: um diplomata reclamou da 'violência do exército americano em impedir que dois brasileiros saíssem do estádio do New Orleans por conta própria.' Um diplomata que nunca ouviu falar em controle sanitário em calamidades públicas.

Estou contando os minutos pra alguém dizer que Bush não chorou o suficiente (esse animal frio!) ou chorou demais (esse hipócrita!). E vou contar os segundos pro movimento negro dizer que o governo americano abandonou a população negra da Louisiana a própria sorte, de propósito.

Paulo said...

Fernando,
Talvez eu nao esteja me explicando bem.

Eu nao vejo problema nenhum em discutir a performance do FEMA, e nem mesmo pesquisar se os eventuais problemas foram consequencia do corte de fundos. Mesma coisa com a demora da National Guard, policia, o que for.

O que eu nao concordo eh ficar promovendo esses problemas (que sao operacionais por natureza) como fontes da desgraca. A fonte, se eh que podemos chamar assim, eh a localizacao da cidade e os perigos intrinsicos de estar numa area daquelas. Vc mesmo falou no seu blog, e eu concordo.

Pode ver que quando a discussao eh sobre as represas, nao se fala que o problema era material velho ou falta de manutencao. O problema eh que a coisa foi construida na decada de 60 (depois de outro furacao por sinal) e aguentaria um furacao de magnitude 3 no maximo.

Querer manipular uma situacao dessas dizendo que a culpa eh do Bush, da guerra, do petroleo, etc, nao me entra na cabeca. Nao eh questao de dar um break pro governo, como se eu tivesse algo a ganhar com isso! Eh so uma questao de saber os limites da situacao e nao ficar politizando uma tragedia para ganho desse ou aquele.

Ninguem deveria querer ganhar nada com uma situacao dessas.

[ ]s

Leila said...

Caro Leonardo, os jornais americanos têm farto material mostrando que o Governo Clinton criou um plano de recuperação dos levees e preservação das áreas de mangue, mas o governo Bush sabotou essas iniciativas.

Paulo, eu não estou chamando o Bush de chimp no website da Casa Branca. Portanto a sua resposta não parece ter qualquer sentido. Se eu estivesse escrevendo para um jornal, claro que eu não usaria esses termos. Mas eu estou escrevendo num blog pessoal, meu Deus do céu. Parece-me que você fica mais ofendido do que o próprio Bush, que já deve estar cansado de saber que ele é tratado assim em metade dos blogs americanos.

Fernando said...

Mais fumaca. Imagino as barbaridades que a imprensa da Europa, da Asia ou da Conchinchina esteja falando. E dai?!? Um fato continua: o plano de evacuacao e de recovery tem sido muito inferior ao esperado. O 9/11 aconteceu durante esta administracao. Nao seria coerente esperar que a resposta a uma catastrofe tivesse melhorado? Principalmente para um evento que estava anunciado a varios dias? Bem, pelo menos foi o que eu ouvi um certo republicano dizer alguns minutos atras. Vai ver ele andou lendo os jornais brasileiros.

Fernando said...

Paulo, mas uma coisa e' a esquerda raivosa buscar qualquer desculpa para criticar Bush ou os EUA. Vejo gente dizendo por ai' que os EUA nao sao tao civilizados quanto parece. Pura besteira, concordo.

Por outro lado, se os cortes acontecem, se ha' construcoes autorizadas em areas de protecao nas wetlands, se o pessoal pede dinheiro para consertar os levees e estes acontecem; isso nao e' a mesma coisa. E dizer que nao ha' responsabilidade e' simplesmente passar o buck. Boa parte do National Guard que poderia estar ajudando esta' no Iraq. Isso e' simplesmente um fato, independentemente da posicao que se assuma sobre a guerra. Como eu disse antes, nao ha' nada de loonie nisso. Ou entao vamos parar de culpar (todas) as adimistracoes anteriores pelo 9/11, pela Coreia do Norte, etc...

Leila said...

Fernando, o seu segundo parágrafo está perfeito. Só me decepciona o seu uso da expressão "esquerda raivosa", conservadora demais para sair da sua boca. Mas uma coisa é verdade, não faltam motivos para se sentir raiva dessa administração Bush, e não precisa nem ser da esquerda pra isso.

Abraços (detesto esses colchetinhos que vocês usam!)

Fernando said...

Leila, assim como existe a direita raivosa, tb existe a esquerda raivosa. Como se define isso depende do ponto de vista de cada um. Para muitos, nao concordar 100% com tudo o que eles dizem ja' e' suficiente para chamar alguem de raivoso, como e' do feitio de boa parte da Casa Branca atual, que anda espumando pela boca faz tempo.

[]s

Paulo said...

Fernando,
Existem mais de 30mil tropas da National Guard na regiao de NO. O governo ja autorizou 10 bilhoes. Plano para a reforma das levees ja existe ha anos, como eu disse, elas sao da decada de 60 e sempre se soube a possibilidade de um furacao classe 5 atingir a regiao.

Esse tipo de discussao eh valido, mas eh super valorizado para ganho politico. Nenhuma medida de emergencia teria evitado o grosso da tragedia. Esperar que o governo consiga de alguma forma reagir a um desastre desse de maneira eficiente eh super estimar o governo, seja antes ou depois de 9/11.

Pelo menos essa eh a minha opiniao.

Leila, logico que eh seu blog pessoal, e aqui eh o meu e nem por isso eu te xingo, nao eh verdade? Nao tenho nada a defender o Bush, assim como nao tenho nada a defender qualquer politico que seja. Mas acho que nao ficar xingando os outros is just good manners. Se muitos fazem, muitos estao errados na minha opiniao.

[ ]s

smart shade of blue said...

Olá Paulo, olá demais.

Isto é estranho:

"O que eu quero dizer é que, da mesma maneira que o povo não via motivos urgentes o suficiente para mobilizar a cidade e exigir reforços nas represas, o governo também achava que existiam obras mais urgentes a serem feitas."

Paulo, você mesmo reconheceu que os diques foram feitos para resistir a um furacão grau 3. Ora, todos sabem que com ou sem efeito estufa, o Golfo de México está sujeito a gerar furacões mais violentos que isso.

Bem, o artigo da Strafor que pus lá no SSoB é tremendamente convincente em mostrar a enorme importância econômica do porto de New Orleans para os EUA já há pelo menos uns quase 200 anos (vamos falar de grana pra não ter que ficar discutindo essa, er, bobagem de vidas humanas, que gente tão emocional como a Leila gosta de discutir _ afinal sabemos como são "frios e racionais" os bebês chorões mimados que a criticam pela sua emotividade).

Peço, portanto, que alguém por favor explique qual o motivo que levou o governo Bush a achar "que existiam obras mais urgentes a serem feitas" _ com toda certeza, no Iraque, e sem licitação _ ao mesmo tempo em que deixava amadurecer dentro de casa uma catástrofe esperando para acontecer, envolvendo um dos pontos mais vulneráveis e importantes do país, e com a pedra cantada pelo menos desde o furacão Andrew.

Essa é a responsabilidade do governo Bush, Paulo. E se você me disser que era do Clinton também, eu concordo _ sorte dele ter governado em uma época de águas superficiais mais frias.

"Failing to plan is planning to fail".

abçs

smart shade of blue said...

E mais:

Nunca será demais bater na tecla: como é possível que após o 9/11 o governo não tenha planos de contingência para a evacuação das principais cidades do país (o que envolveria pelo menos as capitais e outras principais cidades) ? O caos em NO leva a crer que ou o governo Bush _ que criou o Department of Homeland Security _ ou não crê suficientemente no próprio scaremongering que pratica, ou é incompetente para pôr em prática esquemas que protejam a população.

O que está acontecendo neste momento na Louisiana mostra a eventuais terroristas apenas uma coisa, a ainda enorme vulneralibidade das grandes cidades americanas, quase quatro anos após o ataque às Torres Gêmeas.

Leila said...

Paulo, você já me chamou de infantil, maluca, ingênua, raivosa e outras coisas, aqui e no meu blog, portanto essa sua condescendência, querendo me dar pito sobre boas maneiras, realmente causa espécie. Mas tudo bem, porque eu acho bobagem ficar discutindo quem é mais bem educadinho que o outro, quando o que está em jogo é discutir as causas da tragédia, o que poderia ter sido feito, o que não foi, a postura do governo, da mídia, etc. Perder tempo com "qual blog brasileiro é mais legal que outro" nessa situação me parece de uma frivolidade total. Eu nunca fiz post para ensinar os outros blogueiros como devem fazer seus blogs, nunca fiz post para criticar outros blogueiros brasileiros, portanto tenho todo direito de reagir se alguém vem me impor o que é certo ou errado na hora de fazer o meu blog. Se você não gosta do meu blog, pára de ler, ué! Mas pelo visto você adora, volta e meia tá me lendo.

Leila said...

Smart, é exatamente esse o meu sentimento, também escrevi sobre isso hoje. Se houver um ataque terrorista de grandes proporções, o país não está preparado para esse tipo de emergência.

Ah, e o "fearmonger"-mor, Dick Cheney, está M.I.A., não se sabe se em férias ou doente.

Leila said...

Mais uma do smirking nobre presidente Bush:

"The good news is - and it's hard for some to see it now - that out of this chaos is going to come a fantastic Gulf Coast, like it was before. Out of the rubbles of Trent Lott's house - he's lost his entire house - there's going to be a fantastic house. And I'm looking forward to sitting on the porch. (Laughter.)"

Texto completo no site da CASA BRANCA:

http://www.whitehouse.gov/news/releases/2005/09/20050902-2.html

Fernando said...

Paulo, podemos dizer que ninguem tem culpa do furacao ter acontecido. Podemos concordar que saques, fome e mortes acontecerao em um evento como esse. Podemos ate evitar envolver a guerra no Iraq ou o global warming na discussao.

O que nao se pode fazer e' dizer que ninguem tem culpa de nada so' porque isso causara ganhos politicos a terceiros (eu certamente nao ganho nada com isso tudo).

Se eu faco uma besteira no meu trabalho, a responsabilidade e' minha; pq o governo tem que ser diferente? Principalmente quando vidas estao na linha?!? Quando vc le por ai que nao havia ninguem dando apoio aos refugiados no estadio de futebol de NO, isso e' muito mais do que um erro operacional. Quando se fala da ausencia completa de representantes da FEMA naquilo em que supostamente estariam especializados, isso me parece ser muito mais do que um sinal qualquer de "liberal bias" ou politicagem.

Finalmente, nao consigo deixar de ver uma certa contradicao em dizer que sempre se esperou um furacao Categoria 5 e absolver o governo de qualquer culpa, nao?

[]s

Leonardo said...

O problema não são as críticas, mas quem lucra com elas. O Michael Moore e o Greenpeace estão dando pulos de alegria, já que andavam meio esquecidos ultimamente.

(http://jbonline.terra.com.br/extra/2005/09/02/e02093047.html) e http://jbonline.terra.com.br/extra/2005/09/02/e02093180.html)

O que me incomoda são essas tentativas de ganhar alguma vantagem política com a tragédia alheia ou de simplesmente terem mais uma oportunidade de bater no inimigo preferido. Isso não é exclusividade da esquerda nem de ninguém, mas a verdade é que, quem tem mais a lucrar com uma falha do Bush são os que não gostam dele. Pena que isso envolva vidas humanas.

Fernando, não seria o caso de culpar os governos dos últimos 40 anos pela negligência com o dique, e não apenas o atual? Se há alguma falha no resgate ou na assistência após o furacão, aí sim dá pra se falar em má gestão do governo Bush.

E Leila, me diga qual país do mundo está preparado pra um furacão nível 5 seguido de um dique rompido, que eu vou me mudar pra lá. :)

smart shade of blue said...

er...

Um país onde dois aviões foram jogados contra dois dos mais altos prédios do mundo, na cidade mais famosa do mundo, e outro foi jogado contra o quartel-general do exército mais poderoso do mundo _ e que por isso poderia esperar, talvez, que algum maluco resolvesse dinamitar os diques que protegem uma populosa cidade situada abaixo do nível do mar ?

Leonardo said...

"Smart", que tal a Europa, que sofre com atentados terroristas há décadas e até hoje TAMBÉM não tem um plano de emergência?

Que tal o Rio de Janeiro, que é próximo a três usinas nucleares?

Já que você se acha tão esperto, me diga como evacuar 5 milhões de pessoas de uma zona destruída. E isso só na Louisiana.

Me diz aí, pelo jeito evacuar é a sua especialidade.

Paulo said...

Leila,
Pelo que eu lembre, nunca te xinguei. Disse que vc ja foi infantil e loony. Mas nao considero isso xingar. Se vc considera, entao sorry. Nao estou discutindo etiqueta ou quem eh melhor/pior, so dando minha opiniao sobre um assunto.

Smart,
Eu citei o caso de Los Angeles, mas posso citar varios outros aonde o perigo de alguma catastrofe eh alto, e mesmo assim nem todas medidas sao tomadas. New Orleans tinha uma estrutura razoavel, e as chances de um furacao nivel 5 nao sao tao altas assim (somente 2 passaram pelos EUA desde que os dados sao arquivados).

E mais, dizer que "nao havia plano" eh exagero. Veja la quanto tempo demoraram para evacuar uma cidade de 500 mil pessoas. Poderia ser melhor? You bet. Sera que essa melhora seria o suficiente para parar com todo esse zum zum zum sobre quem eh "o culpado"? I doubt it.

Fernando, como eu ja disse, nao estou dizendo que nao existem erros. O que eu estou dizendo eh que, o evento principal, e a enorme maioria das suas consequencias, eram inevitaveis. Eu fico repetindo isso, mas eh um exemplo altamente relevante. Los Angeles e San Francisco, duas cidades das mais liberais e que sofrem com terremotos constantemente sao muito mal preparadas para um terremoto forte. Vc pode dizer que eh culpa do governo, e que nada eh feito por causa disso ou aquilo, mas o fato eh que democratas e republicanos passam e nenhum ve a necessidade (ou oportunidade) de fazer algo.

[ ]s

smart shade of blue said...

Bom, a Europa eu não digo, mas alguns países europeus dados a aventuras militares desaconselháveis fariam bem em se preparar sim.

E o Rio de Janeiro também. Aliás, dizem que existe um plano de evacuação de Angra dos Reis _ só duvido que ele funcione.

De resto, você é quem devia aprender a evacuar pelo lado certo do seu tubo digestivo, camaradinha. E boa higiene bucal ! :)

Leonardo said...

"Smart", acho que você confunde o aparelho digestivo com o excretor. Nada que um livro de biologia da quinta série não resolva.

Mas vamos lá. O governo disse "you must leave New Orleans NOW" e eles não saíram. O governo mandou uma ajuda de emergência aos que ficaram, mas alguns marginais deram tiros de AK-47 nos helicópteros e nos barcos de resgate.

E ai, como resolver a situação? Pergunto à sapiência do blog, o Ismárti.

smart shade of blue said...

"TUBO DIGESTIVO
O tubo digestivo se estende da boca, que é a sua abertura inicial, ao ânus, que constitui a sua abertura terminal."

http://www.corpohumano.hpg.ig.com.br/digestao/apr_digestivo.html

Tem gente que nasceu pra apanhar.

Quanto ao resto...é apenas continuação da burrada do Leonardo. Tsc.

Rafael Azevedo said...

Não dá pra entender a Leila ficar tão incomodada quando usam o termo "esquerda raivosa". A cada comentário dela a descrição fica mais apropriada.

É fato que não houve uma reação ideal da parte do governo americano ao desastre; os EUA estão um tanto overstretched com a guerra do Iraque, não seria de se esperar outra coisa. Deram azar: um tremendo desastre natural desses, em meio a uma época atribulada como essa - não é um tipo de situação que se possa prever, por mais que a região esteja acostumada a furacões. Shit happened (essa foi simplesmente a segunda maior calamidade natural ocorrida nos Estados Unidos deste o grande terremoto de San Francisco no começo do século XX). O que é boçal é essa endemonização do Bush, como se ele - e somente ele (ou, no máximo, ele e a gangue de neocons que o cerca) - fosse o culpado por todos os males do mundo, a tal ponto que se atribua a culpa pelos danos causados por uma calamidade natural a ele! (Ainda não entendi como não encontraram um jeito de botar nele a culpa pelo tsunami na Ásia.) Colocar o ônus da culpa no presidente de um país depois de um episódio como esse, em circunstâncias como estas, é fruto ou de um profundo maniqueísmo político - daqueles que blindam a pessoa contra a razão - ou de uma visão ingenuamente simplista do sistema político, um pouco como a que o Paulo descreveu no post, com o presidente como uma espécie de monarca absolutista, ou antes, um deus onipotente e onisciente, capaz de, com algumas ordens, resolver todos os problemas e se preparar contra todos os inimigos.

Essa maneira com que a esquerda americana, pelo que tudo indica, vai usar se utilizar do desastre para atacar o Bush cheira tão mal quanto o episódio da Cindy Sheehan. E o mais paradoxal é que, como o Paulo também falou aí em cima, tanto a governadora de Louisiana quanto o prefeito de New Orleans eram democratas - ora, se a situação era assim tão grave e iminente, suponho que deveriam ter feito uma pressão maior no governo federal, o que não parece ter acontecido. Mas o fingerpointing, claro, é todo em cima de Bush, como sempre - com direito até a invectivas e esbravejos "exaltados" do prefeito em transmissão de rádio.

Leila said...

Santa hipocrisia, Rafael. Você, que defende a política do shoot-to-kill; que admitiu no Smart que não se incomodaria que a polícia matasse alguns menores de rua; que sonha em ver uma militante dos sem-teto torturada sexualmente por um tubo de PVC e ratos famintos, não tem moral para chamar qualquer pessoa de raivosa. Eu me considero uma pessoa de esquerda moderadíssima. Já você, sem dúvida, tá lá no outro extremo, raivosaço.

Leonardo said...

É Smart Ass, errei feio, muitos anos passados da quinta-série dão nisso. Mas não é nada grave, eu posso errar, não sou o especialista em escatologia aqui.

smart shade of blue said...

Leonardo,

Ué, quem veio com a evacuação na boca foi você, meu filho. Mas enfim: meta-se com gente do seu minúsculo tamanho.

Paulo,

Tinha feito um outro comentário aqui mas o Virtua não ajudou. Tento repeti-lo.

O problema é que você dá a impressão de deslocar a discussão para um ponto trivial. De fato, furacões e terremotos são desastres inevitáveis, pelo menos para nossa tecnologia atual. Estamos falando aqui de outra coisa: dada sua inevitabilidade, quão longe estamos dispostos a ir para garantir um mínimo de danos caso eles ocorram. Esta decisão deve decorrer de uma análise custo/benefício. E em uma análise custo benefício, entram como fatores tanto a probabilidade de ocorrência de um desastre quanto a magnitude de seus efeitos.

Por exemplo: a possibilidade de queda de um asteróide com mais de 1 Km de diâmetro sobre a Terra é real. Dado que por menor que ela seja, sua ocorrência acarretará a extinção da Humanidade, fazer alguma coisa para evitar esta ocorrência é racional _ o que se pode discutir é o volume de gastos anuais que devem ser feitos para que, quando o asteróide vier, já tenhamos a tecnologia e os instrumentos para desviar sua rota.

Da mesma forma, eventos catastróficos como terremotos e furacões devem ser objeto da mesma preocupação. As cidades japonesas, por exemplo, são muito menos vulneráveis a furacões, porque há muitos anos os padrões arquitetônicos, urbanísticos e de construção civil embutiram disposições para minorar os efeitos de abalos sísmicos sobre as estruturas construídas. Se Los Angeles ainda não revela tal grau de preparo, blame on it, porque é certo que o terremoto virá.

Similarmente, desde os anos 50, sete furacões abateram-se sobre a Lousiana. Se seus diques estavam preparados apenas para um furacão de nível 3, estava mais do que na hora de prepará-los para uma eventualidade como a que agora vimos, até porque a cidade cresceu e o prêmio pela sua salvação aumentou, dado o incremento da importância da região do Golfo do México devido ao petróleo e do que representa o porto de NO em termos do comércio internacional norte-americano.

E a medida que o tempo vai passando, o que vemos é que os planos existiam, apenas não foram executados. E a culpa disso não é das pessoas que estamos vendo na TV, desesperadas, reduzidas, repentinamente, à condição pouco invejável de refugiados de um país do terceiro mundo.

abçs

smart shade of blue said...

Hã, só mais uma coisa.

É lógico que no meu comentário anterior me refiro ao objeto do seu post, que é, pelo que entendi, uma crítica ao paternalismo das pessoas, em atribuirem a culpa do que ocorre ao governo.

Meu argumento é que em uma primeira aproximação, a culpa é realmente do governo. Evidentemente que com isso podemos distribuí-la entre várias administrações, até o ponto em que poderemos poupar, eventualmente, aquela que porventura tenha realizados gastos realmente eficazes para prevenir a catástrofe.

É lógico, porém, que há questões intervenientes. Falarei de duas delas.

Uma é o custo de oportunidade: uma administração pode perfeitamente ponderar que embora o risco em NO exista, um investimento em outro lugar traria mais benefício do que em NO. No caso do governo atual, a cúpula presidencial achou que seria melhor gastar o dinheiro do contribuinte norte-americano no Iraque, que é parte da "guerra ao terror". Grosso modo, o terror ceifou duas mil vidas nas Torres Gêmeas até agora. Mais de dez mil morreram em NO, isto para não falar do gasto financeiro, que corre o risco de ser maior em NO do que em toda a operação iraquiana até agora. Bem, as cartas estão na mesa.

O outro fator é a captura do Estado por interesses específicos no desdobramento de suas políticas. Este fator está interrelacionado com o anterior: quem fizer uma estimativa de quem ganharia mais fazendo o que (quero dizer, a) destruição e reconstrução do Iraque versus b) obras civis de recuperação de diques em NO) perceberá facilmente o "qui bono" da história.

abçs

Paulo said...

Smart,
Concordo com sua analise no geral, mas nao com algumas premissas e conclusoes.

Primeiro, a chance de um furacao de categoria 4 ou 5 atingir NO nao era tao alta. somente 2 Cat5 atingiram os EUA desde o comeco das estatisticas. O sistema de represas atual foi construido depois de um Cat3 atingiu a regiao, e "funcionou" por quase 45 anos. Esta eh basicamente a diferenca entre Los Angeles/SF e o Japao. A frequencia de terremotos grandes no Japao eh maior o suficiente para "motivar" reformas mais caras e eficientes. No fim das contas pode ser que LA se arrependa, but hey, they THINK they are OK now, e nesse tipo de situacao isso eh justamente o que faz a diferenca.

Segundo, dizer que o governo atual (em todas instancias) nao analizou uma eventual reforma eh incorreto. A maior prova disso eh a existencia desses planos que rolam por ai. E dizer que o motivo pelo qual nao foram implementados foi a guerra do Iraque eh no minimo simplista. Sao milhares de projetos que passam por todas instancias do governo, e vc deve saber que o fluxo de interesses eh bem complexo.

Por ultimo, deixa eu explicar novamente o que eu quis dizer quanto de quem eh a culpa. Por aqui a influencia do interesse do povo em decisoes do governo eh enorme. Posso estar enganado, mas eh algo muito maior do que no Brasil, por exemplo. Se o apelo popular por uma reforma das represas existisse, algo mais teria sido feito. Veja o caso da imigracao. Esse governo Bush corre que nem coelho desse problema. Mas a pressao popular esta chegando a niveis muito altos, algo vai ter que ser feito. Ja o Social Security, que TEM um problema indiscutivel, foi simplesmente deixado de lado porque nao existe motivacao popular suficiente.

O povo de NO estava satisfeito com o sistema, e a motivacao do governo (em todas instancias) para mudar algo nao era alta. Querer atribuir um poder magico agora, que a decisao se mostrou errada, eh ingenuo e futil na minha opiniao. Logico que vc nao vai chegar para alguem que perdeu tudo e dizer "a culpa eh sua". "A culpa" nesse sentido, nao existe na minha opiniao. Foi um desastre natural, imprevisivel, e que pegou uma fraqueza especifica de uma cidade. Aqui em DC existem inumeras fraquezas parecidas, poderia te citar varias. Existem, por exemplo, linhas de petroleo que correm ao ceu aberto bem perto da minha casa, se alguem decidisse explodir aquilo seria uma tristeza.

[ ]s

Cláudio said...

Paulo, abre o jogo pra gente: tá levando quanto do Bushinho pra fazer a nossa cabeça? Desembucha!

O fato é que os recursos são escassos e são alocados por políticos. Isso não pode dar certo.

smart shade of blue said...

Paulo,

Em 2001 a FEMA já havia catalogado a possibilidade de um furacão em NO como um dos três maiores desastres que poderiam ocorrer nos EUA.

A questão do NO, portanto, já estava na agenda pública. Foi varrida para debaixo do tapete.

Se o risco que NO corria fosse experimentado por Orange County ou Chevy Chase, você acha, cá entre nós, que os recursos teriam sido contingenciados da forma que foram ?

abçs

Fernando said...

"Se há alguma falha no resgate ou na assistência após o furacão, aí sim dá pra se falar em má gestão do governo Bush."

Pois é, houveram graves falhas. Se não fosse o caso, o próprio governo não teria admitido isso. Então, já dá pra falar mal. A crítica às falhas por quem está envolvido na contenção de desastres inclusive é alta o suficiente para abafar os talking points de um governo que está mais acostumado à campanhas de PR do que à atuar quando preciso.

"me diga como evacuar 5 milhões de pessoas de uma zona destruída"

Pois é, não é fácil. Apesar disso tem muita gente por aí falando a enorme besteira de que "eles ficaram lá porque quiseram". Qualquer um que mora ou já morou nos EUA sabe como é difícil se locomover sem carro por aqui. Em cidades grandes, há muita gente que não tem automovel por diversas razões. Incluindo idosos, turistas e a população de baixa renda. Ainda não vi isso explicitamente dito aqui, mas existe por aí o ranço reacionário que covardemente assume que a parcela pobre da população foi idiota de ter ficado na cidade. Ou seja, os problemas são aceitáveis; mas a falta de um plano de evacuação (ou pelo menos de asistência) pós-desastre não o é.

Outros strikes: sob o pretexto de enxugar a máquina, verbas foram cortadas. Outras prioridades foram dadas à outros setores que consomem uma monstruosa parte dos recursos financeiros (Iraq, principalmente). Alarmes significativos foram dados em exercícios da NOAA, em matérias científicas e em jornais e revistas. Não no século passado, mas NESTA administração. Ou seja, dizer que este governo não tem culpa de nada quando ativamente tomou posições contra a prevenção de um desastre como esse não é dar azar, é ser irresponsavel. Da mesma forma, inocentar o governo federal porque sabe-se lá como teria uma administração de outra época respondido à um desastre que não aconteceu naquele período é pura e simplesmente um exercício de demagogia.

Cláudio said...

A questão toda é que tudo sempre é um exercício de demagogia, hipocrisia ou politicagem. Eu arriscaria dizer que o Sec. XXI será o século da demagogia e hipocrisia, lotado de monday morning quarterbacks. Será o ponto alto da poltização de tudo. Nada mais importará, apenas vitórias políticas. Se fez tá errado, se não fez, tá errado também.

Cláudio said...

Adendo: neste Séc. de demagogia e hipocrisia, qualquer governo que procure satisfazer a opinião pública ficará imobilizado tal e qual o nosso governo que espera o noticiário do dia para tomar alguma ação.

Fernando said...

"A questão toda é que tudo sempre é um exercício de demagogia, hipocrisia ou politicagem"

Quando eu pago por um serviço, espero que seja bem feito. Quando eu pago para que alguém proteja minha família, espero ser protegido. Se eu aceitar algo menos do que isso, a culpa é do outro lado, sim, mas o otário sou eu.

"qualquer governo que procure satisfazer a opinião pública ficará imobilizado"

Então, vamos mudar o sistema de eleições. Ganha quem tiver o índice mais alto de rejeição. A não ser que outras formas de "governo" estejam sendo sugeridas.

Cláudio said...

Sim, basicamente todo "cidadão" é um otário. Vá estudar a natureza dos impostos e aprenda a diferenciá-lo de taxa.

O último nem merece um comentário.

Fernando said...

Tem alguns que são mais otários do que os outros.

Cláudio said...

Concordo, os que não conhecem os aspectos legais que afetam sua vida principalmente. Esses são de doer.

rafael azevedo said...

Sua moderação transborda, a olhos vistos, de cada um dos seus comentários, Leiloca. Assim como sua enorme burrice, e completa incapacidade de compreender a palavra escrita.