Tuesday, September 06, 2005

Katrina Freakonomics

Eu gostei muito do Freakonomics. Não é um livro extremamente inovador como eu esperava, mas é muito interessante. Acima de tudo, é um trabalho que consegue algo muito difícil: toca em assuntos delicados (como aborto e racismo) sem ser politicamente correto, e analisa dados com isenção e objetividade.

Fui dar uma olhada no blog do Levitt, procurando algum post sobre o Katrina. Achei alguns, mas nada extremamente interessante. O que é lógico, já que os dados sobre a situação continuam aparecendo. Querer tirar conclusões definitivas nessa altura do campeonato seria bobagem.

Mas acho que no futuro, esse deve ser um assunto perfeito para os estudos do Levitt. E se eu pudesse palpitar, esses seriam os tópicos que eu sugeriria:

- O que leva as pessoas a não deixar uma cidade em risco? Mesmo agora, quando a enorme maioria das pessoas já saiu de NO, 10 mil pessoas não querem sair de lá. Seriam somente motivos econômicos, ou algo mais?

- Porquê as mudanças de temperaturas atribuidas ao Global Warming não estão causando o efeito esperado em fenômenos como furacões?

- Será que a cobertura de um desastre natural varia dependendo de qual partido está no poder?

- E talvez a maior pergunta de todas (e provavelmente a primeira a ser completamente ignorada): Será que New Orleans deveria ser reconstruída no mesmo lugar?

24 comments:

Leila said...

Olha, não há dúvidas que a cobertura da mídia varia de acordo com o governo que está no poder. Não só nos EUA como em qualquer país do mundo. Em geral, a mídia é mais benevolente para com os governos que encampam os seus interesses empresariais (e o de seus anunciantes, principalmente). A questão é que as circunstâncias mudam, e um governo ou partido que pode inicialmente agradar à elite econômica, pode acabar decepcionando e vice-versa.

Mas realmente não entendo porque a direita americana chora tanto por causa da mídia; basta lembrar o massacre que Clinton sofreu na mídia por causa de uma indiscrição sexual que não era da conta de ninguém, além dele e da Hillary (quase levou impeachment), enquanto o governo Bush se mantinha bastante preservado, apesar do completo DESASTRE da guerra no Iraque, que ceifa vidas diariamente, gasta bilhões de dólares do contribuinte, e fornece um perfeito campo de treinamento e aliciação para os jihadistas, enquanto deixa mais vulnerável a segurança interna. Acho que a opinião pública, que já vinha acordando para isso, definitivamente se virou contra Bush agora devido às chocantes imagens de uma tragédia EM SOLO AMERICANO, que a população americana enxerga como responsabilidade do governo federal. Embora a mídia americana continue reproduzindo os talking points do governo, imagens falam muito mais alto. O socorro demorou demais, Bush ficou de férias tempo demais, sorriu e brincou demais numa hora em que a sobriedade era necessária. Não é a mídia que está destruindo esse governo. BushCo está afundando por sua própria arrogância, descaso e incompetência.

Bruno Chiarelli said...

"Em geral, a mídia é mais benevolente para com os governos que encampam os seus interesses empresariais (e o de seus anunciantes, principalmente)"

Informação leviana e sem provas, que indigna toda uma profissão. Isso vale como argumento agora?


"indiscrição sexual que não era da conta de ninguém"

Todo cargo público tem o que se chama munus publicum, a obrigação de se portar de forma condizente com o cargo que ocupa. Que eu saiba, enfiar charutos em estagiárias em plena Casa Branca AINDA não podem ser considerado função social. Um dia, quem sabe.


"enquanto o governo Bush se mantinha bastante preservado, apesar do completo DESASTRE da guerra no Iraque"

Não sei quanto aos seus, mas os jornais que leio bombardeiam Bush diariamente.


"de uma tragédia EM SOLO AMERICANO, que a população americana enxerga como responsabilidade do governo federal"

Acho que você criticou a resposta aos eventos, e não a tragédia em si, porque dizer que o que aconteceu foi responsabilidade do governo federal é dose. Só faltava Bush ser culpado pelo furacão e pela destruição do dique, quando nenhum - NENHUM - lider estadual fez qualquer pedido por reformas nas barragens. Nem discuto a pretensão de se fazer de porta-voz de um povo, ainda mais um povo estrangeiro, ao dizer que a população americana pensa assim ou assado, porque isso é bullshit. O que se deve discutir é que o governo federal não é onipresente e depende muito de reivindicações estaduais pra fazer o que deve ser feito.

Leila said...

Bruno,

1) Não sou eu que digo isso, os próprios empresários da mídia admitem. Vai ler os mission statements da Veja/Editora Abril, procure entrevistas com executivos das grandes redes de TV e jornais.

2) Não sou porta-voz de povo nenhum, basta ler as últimas pesquisas de opinião.

3) Enquanto você continua defendendo desesperadamente o governo federal de Bush, a própria administração já está reconhecendo publicamente suas falhas na preparação e resposta ao desastre do Katrina, bem como o Partido Republicano. Não seja mais realista que o rei. Wake up already.

Bruno Chiarelli said...

Looney Leila,

Dizer que pode haver conflito entre a ética jornalística e os interesses comerciais é diferente de dizer que a mídia é mais benevolente para com os governos que encampam os seus interesses empresariais. A diferença é sutil, mas existe.

Defender desesperadamente o governo Bush é por sua conta (rolled eyes). Estou só tentando trazer um pouco de bom-senso à questão.

Se houve falhas, deve-se punir. Mas acho que seria muito cedo pra culpar alguém, se esse alguém não se chamasse George W. Bush.

Só acho estranho como o brasileiro é tão rápido em culpar o chefe de um governo estrangeiro pelas asneiras de seus subordinados (FEMA), mas tão lento em continuar achando que o lulinha-paz-e-amor não sabia de nada que se passava no governo daqui.

Claudio said...

Ouch!

Fernando said...

"Só acho estranho como o brasileiro é tão rápido em culpar o chefe de um governo estrangeiro"

O rencor de ser brasileiro deve dar um complexo de inferioridade fudido. Meus pesames.

Bruno Chiarelli said...

:)

Análises pseudo-adlerianas a parte, eu gosto do Brasil e vivo nele. 'Nuff said.

Marcus Pessoa said...

Ah, por favor, Bruno, você quer negar que a mídia trata melhor os governos que encampam seus interesses empresariais? Tenha a santa paciência, amigo. Isso é de uma ingenuidade atroz.

A imprensa sempre se direciona por seus interesses empresariais. Sempre.

O caso recente do Submarino é uma prova. Houve semana passada o maior bug de comércio eletrônico na história do país. Um problema no site do Submarino permitiu a muita gente usar descontos de 15 reais em compras de valor inferior aos 100 reais da promoção. Muita gente comprou DVDs a 4 reais, livros de 25 reais a 10 e por aí vai.

O site Cocadaboa mostrou que nenhum site de notícias sobre tecnologia divulgou a informação. Exatamente porque o Submarino é um dos principais anunciantes da internet brasileira, e parceiro de muitos dos portais.

Se isso não é uma prova do que a Leila disse, eu já não sei mais o que pode ser considerado prova...

Fernando said...

Ok, Bruno, não vou duvidar do seu patriotismo em mandar o pessoal calar a boca. Mas cuidado com as amizaids...

Paulo said...

Vcs conhecem um jornaleco chamado NYT?

Olha, eu nao duvido que qualquer business (e a imprensa eh um) faca o que for preciso para sobreviver, mas nao se esquecam que ideologia eh um grande componente da imprensa. E nao ha nenhuma duvida, zero, que a imprensa eh ideologicamente democrata por aqui. Vejam os colunistas do NYT. Vejam os editoriais.

Pode nao ser no nivel que as vezes dizem, mas eu acredito que eles sao sim muito mais dem-friendly do que o contrario.

[ ]s

Cláudio said...

Paulo, lamento mas não é o que eu vejo. Vejo toda a imprensa apoiando a guerra do Iraque, ressaltando as vitórias das tropas da coalisão, omitindo as baixas americanas, poupando Bush de tudo que é escândalo, apoiando corte de impostos para os ricos, etc. etc. Sinceramente, não sei de onde você tira essas idéias malucas!

Bruno Chiarelli said...

Será que o problema aqui é de interpretação de texto? Ou de pensamento bloqueado pela ideologia? Vocês parecem que entendem o que querem, não o que eu escrevi...

A Leila me pegou como defensor desesperado do Bush por causa de uma única resposta minha, dizendo que ele não é o maior culpado. Pra ela, defender Bush de qualquer coisa deve soar inadmissível!

O Fernando me analisou através de uma frase! E me viu como um brasileiro recalcado, o que é risível, já que nem me conhece. Depois apelou pra ironia barata, pura e simples. Ad Hominem, o horror, o horror!

O Marcus Pessoa acha que eu estou negando a influência comercial na imprensa, quando eu disse justamente que HÁ conflito entre ética jornalística e interesses comerciais. Onde eu neguei ou disse que não havia? Só critiquei a Leila porque ela deu a entender que isso é uma prática corriqueira e inconseqüente nos jornais, quando é o contrário: há muita discussão sobre até onde se pode dar poder aos interesses comerciais. Quanto ao Submarino, se eu soubesse do que houve, teria comprado uns boleros a 1 real. Ah, maldita imprensa!

A única certeza que tenho é que a Leila tem muitos amigos, porque bastou uma crítica a ela e surgiu defensores de todos os lados. Way to go, Leila!

Cláudio said...

Bruno, vocês da direita raivosa vêem conspiração em tudo. O fato de você criticar um e outros responderem é a mais pura coincidência.

Leila said...

Claudio, Fernando, Marcus, que bom ver algumas vozes de dissenso (e bom senso) aqui.

Bruno, se você acha que outras pessoas nessa caixa defendem o mesmo ponto de vista que eu só por amizade, e não porque eles discordam das teses do Paulo e sua, sinto muito pela sua cegueira e teimosia. E FYI, eu nem mesmo conheço o Claudio. Mas já gostei dele ;)

Marcus Pessoa said...

Sua atitude é infantil, Bruno. Eu vim aqui porque voltei a freqüentar o blog do Paulo há pouco tempo e gosto de opinar sobre o que conheço. Não tem nada a ver com defender a Leila. Esse seu argumento é muito fraco.

Eu não estou falando em conflito com a ética jornalística, pois essa coisa ("ética jornalística") simplesmente não existe. Pergunte pra qualquer pessoa que trabalha em jornal. Nunca, em momento algum, se fala em ética, a não ser nas palestras e no manual de redação.

Tá, ela pode até existir no NYT e mais uns dois ou três, mas são a exceção da exceção. O resto é pauta direcionada mesmo.

Quando me referi ao Submarino, não disse que a imprensa deveria divulgar o bug para as pessoas se aproveitarem dele: disse que ela deveria ter mostrado que ele existiu! E isso foi sonegado aos leitores dos portais de notícias de tecnologia.

Marcus Pessoa said...

Paulo: discordo completamente de que a imprensa americana seja "ideologicamente democrata".

Eu acho que a imprensa americana, assim como a do mundo ocidental inteiro, é "ideologicamente moderada", o que significa adepta de alguns consensos politicamente corretos: secular, liberal em questões de comportamento, (mas ao mesmo tempo policialesca com a questão das drogas), favorável aos direitos humanos, etc.

A questão é que nos Estados Unidos temos um partido (o republicano) que vai contra todos os paradigmas "liberais", e que empreende uma agressiva guerra ideológica contra esses princípios. É o único país do mundo ocidental onde isso acontece.

Então, pra mim, a explicação não é que "a imprensa é democrata", mas que "os Estados Unidos são o país mais consevador do mundo ocidental".

Marcus Pessoa said...

Leila, leia o blog do Cláudio e você entenderá as intenções nas mensagens dele.

Leila said...

Marcus, falou. Não posso acusar o Claudio de falta de senso de humor, ha ha ha. Mas tenho que retirar o que eu disse antes sobre gostar dele.

Bruno Chiarelli said...

Claudio: Direita raivosa? Nem de direita eu sou, e também não sou de esquerda. Que mania de rotular as pessoas, isso enche o saco. Tô há dois dias aqui e já me chamaram de tudo! Que tipo de discussão é essa?

Marcus Pessoa, se você digitar "ética jornalística" no Google, vai encontrar 13.600 páginas, o que mostra que existe a discussão, pelo menos acadêmica. Se ela não é aplicada é outra coisa, e concordo com você que em algumas redações não aplicam. A minha crítica é com relação à generalização, porque conheço pessoalmente jornalistas éticos.

Quanto ao Submarino, não quis dizer o que você falou, na verdade não quis insinuar nada. Talvez eu tenha dado a entender errado, mas só disse que, se eu soubesse da falha, teria me aproveitado dela.

Quanto aos amigos da Leila, não usei como argumento pra rebater alguém, até porque isso não é um tema a ser debatido. Foi só uma ironia, ok?

Leila, o dissenso é importante em qualquer discussão, mas só é bom senso quando concorda com a gente. Né?

Fernando said...

Bruno, como eu disse acima, vc entrou num tiroteio pela metade. Francamente, o seu comentário sobre o Brasil não é novidade por aqui e ele vem sempre carregado com uma série de acusações meio covardes. Talvez não seja o seu caso, sinto muito se vc se viu ofendido. Ser julgado por uma frase acontece à toda hora na internet e não vou dizer que seja algo que eu aprecie.

[]s

Cláudio Cordeiro said...

não aprecia mas faz, né ferNADA?

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rokkgod said...

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